Os Apparatchicks da Pós-Democracia

Depois do abate do muro de Berlim, há questões que frequentemente vêm atravessar-se no curso da História. Uma delas é o do fim da História. E outro pauzinho se mete na engrenagem da democracia, desta vez com a tese perturbadora de que a democracia está moribunda.Matthieu Baumier entra por esses terrenos, e logo avança com um ponto de vista definitivo: “O fim da história da história evidentemente não teve lugar” e “a democracia não está morta”. Pelo contrário, defende, “o fim da Guerra Fria e dos regimes de Leste da Europa trouxe consigo um outro fim: o dos regimes do Ocidente”.Mais à frente, o autor recorda que “desde o fim do século passado, Alexandre Zinoviev tinha anunciado essa coisa extraordinária: o desaparecimento do comunismo sob a sua forma soviética é somente um dos aspectos da evolução pós-democrática da nossa civilização, a outra vertente consiste no desaparecimento do antagonista político do comunismo, a democracia liberal e representativa”.Bom, deixamos achas para acender o interesse. Como, mais à frente, quando Baumier se refere à “ideologia espontânea dos meios de comunicação social”: “Os média são hoje em dia o ópio do povo, um ópio que derrama quotidianamente uma pravda composta de muito informações em realidade, de muitas em aparência (…). Persuadida de estar na verdade, e sobretudo na única verdade possível, a casta oligárquica formada por uma grande parte dos actores dos meios de comunicação social, ligada a grandes grupos industriais, e em amizade com numerosos políticos, forma agora uma nova classe social: a dos privilegiados ou apparatchicks da pós-democracia. Esse conjunto de quinhentas mil pessoas sem dúvida assemelha-se ao ponto de se confundir com as que foram as “classes parasitárias” da ex-União Soviética.”
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Matthieu Baumier
A democracia totalitária – Pensar a modernidade pós-democrática
Publicações Europa-América: 20,90€

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(C) Vieira da Silva

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