Fim de Tarde em Mossul


Lynne O’Donnell é uma jornalista australiana, que em 2003 estava no Iraque a cobrir os acontecimentos da invasão americana, ao serviço do Irish Times.
Como ela própria explica, sendo mulher estava habituada “a ser ignorada e esquecida pela maior parte dos homens com quem entrava em contacto no Médio Oriente e noutros países muçulmanos” mas por outro lado, tinha uma vantagem vedada aos seus colegas do sexo masculino “podia interagir com as mulheres dos países muçulmanos” e ter “acesso à metade oculta das sociedades tradicionais.”
Graças a isso, conhece Pauline e Margaret, duas britânicas casadas com iraquianos, que viviam desde os anos 70 no Iraque.
Através delas, das suas palavras, de excertos do diário de Pauline, Lynne dá-nos uma imagem muito mais íntima da realidade monstruosa da guerra.

“1 de Abril (dia 13)
Uma bela manhã. Parece uma loucura: as flores das pereiras e os rebentos das laranjeiras apareceram nas árvores do meu jardim, estou a pendurar roupa lá fora e está a decorrer um ataque aéreo.”
Este livro deixa-nos uma sensação amarga de vulnerabilidade, hoje está tudo bem, mas amanhã, se os senhores da guerra assim decidirem, a nossa casa, a nossa vida, os nossos sonhos, podem não ser mais que destroços.
Lynne O’Donnell escreve bem, com uma humanidade limpa e comovente, mas sobretudo sabe ouvir e dar voz às vítimas da guerra.
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Lynne O’Donnell
Fim de tarde em Mossul
Editorial Presença, €15,00

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.