O Avesso e o Direito


O primeiro livro de ensaio de Albert Camus, publicado na Argélia em 1937, chamava-se precisamente “O Avesso e o Direito”. Nessa altura, o escritor com apenas 22 anos de idade era desconhecido do grande público e, talvez por isso, esta edição tenha tirado pouco mais de três centenas de exemplares. No entanto, ela acabou - mais tarde - por ser reeditada, tal foi a sua importância. Para muitos estudiosos de Camus, ela embebeu toda a sua restante obra. Aliás, Brice Parain chega mesmo a afirmar que “este livro contém o que de melhor foi escrito por Camus.” Foi, sem margem para qualquer dúvida, o alicerce dos seus principais êxitos. Livros estes que continuaram a retratar as angústias do seu tempo, os dilemas e os conflitos.
Marcado por uma infância de miséria, o escritor volta-se para uma felicidade em perfeita sintonia e harmonia com a natureza. A absurda simplicidade do mundo, o amor, os medos, o ilógico, a mãe (responsável pela sua educação depois da morte do pai na Primeira Guerra Mundial), a indiferença e o fascínio pela luz são alguns dos assuntos tratados ao longo de curtas, mas ricas páginas.
A edição que aqui apresentamos, inclui ainda o Discurso que Albert Camus proferiu durante a cerimónia em que lhe foi entregue o Prémio Nobel da Literatura. Nessa conferência, que decorreu no dia 14 de Dezembro de 1957, o filósofo começou por lembrar que “um sábio oriental pedia sempre, nas sua orações, que a divindade se dignasse poupá-lo a viver numa época interessante. Como não somos sábios, a divindade não nos poupou, e vivemos numa época interessante.”
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Albert Camus
O Avesso e o Direito
Livros do Brasil, 7,50 €

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(C) Vieira da Silva

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