O sonho e o pesadelo


A guerra do Iraque não precisa de quem a recorde, desde há cinco anos. Dela todos os dias chegam notícias de uma carnificina monstruosa, do desmembramento de um país, e até o preço do petróleo está para lembrar que tudo começou com mentiras de Estado – em que Portugal foi envolvido pelo seu primeiro-ministro de então.
Mas há quem se empenhe em levar-nos até ao conflito pela mão do sonho americano – sim, no ponto de partida era um mar de rosas, falava-se de democracia e pensava-se no crude; justificava-se com a necessidade de paz na região, enquanto se enchia tudo de armas; previa-se um curto período de confrontos, e já lá vão anos.
O sonho fez-se pesadelo, claramente. Noam Chomsky, pensador empenhado, toma os fios do enredo e volta a explicá-lo, devidamente enquadrado na ambição velha dos Estados Unidos: ser a super-potência, determinar os destinos de todos povos do mundo. E, sobretudo, de todas as riquezas.
“Organizações de ajuda internacional com uma vasta experiência no Iraque, bem como estudos realizados por organizações médicas respeitadas, advertiram que a invasão planeada poderia precipitar uma catástrofe humanitária”, lembra Chomsky. Mesmo assim Washington avançou na substituição de um louco pela loucura de Bush. O atoleiro está aí.
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Noam Chomsky
Hegemonia ou sobrevivência – O sonho americano de domínio global
Editorial Inquérito, 21,90€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.