Terror moderno


“As Ruínas”, de Scott Smith, publicado recentemente pela Editorial Presença, assume-se como uma grande obra no campo do terror moderno, tendo já valido ao autor comparações com os maiores mestres do suspense, entre eles Stephen King e Thomas Harris. Em que se baseará a crítica para elevar tão alto a escrita de Scott Smith? Bem, esta transmite ao leitor um constante clima de tensão psicológica, bem como os medos mais profundos que a condição humana permite sentir. Relativamente à trama, ao longo da qual perpassa a sensação de claustrofobia e necessidade de oxigénio, um grupo de amigos verá postos à prova os seus instintos de sobrevivência mais elementares. De férias pelas praias mexicanas, Jeff, Amy, Eric e Stacy conhecem Mathias, cujo irmão desapareceu como que por magia na selva profunda quando explorava ruínas numa escavação. Quando Mathias se resolve a ir procurá-lo, os quatro amigos decidem acompanhá-lo, nunca imaginando o que viriam a encontrar para lá do trilho que seguiam. Vêem-se encurralados por inimigos sem rosto que, contudo, sentem estar a observá-los. A escassez de água e comida, a desconfiança, o medo e a tensão crescem desmesuradamente, prontos a aniquilá-los ao primeiro deslize. A sua luta pela sobrevivência prenderá o leitor ao desenrolar frenético dos acontecimentos! …Partindo de temores individuais, a história de Scott Smith atinge um patamar superior, o medo à escala global. A alusão a problemas como o abate das florestas, o aquecimento global ou as mudanças irreversíveis nos ecossistemas enriquecem em grande medida a narrativa. Este misto de situação limite face ao poder da natureza (sob constante ameaça), regido por um ritmo sempre acelerado, transmitirá ao leitor a mesma tensão e dúvida sentida pelas personagens.
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Scott Smith
As Ruínas
Editorial Presença, 18€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.