Cartas de uma Mãe


Às vezes o título de um livro assusta. Pode assustar mais ainda, quando na capa se vê o nome de outro livro da mesma autora, igualmente assustador.
Foi o caso. “Cartas de uma Mãe” soava a inevitável lamechice e “Nunca é Tarde para Recomeçar” ui-ui!
Mas não, nada de lamechice!
Catherine Dunne é exímia na arte da contenção, cada palavra é exacta e dá-nos uma visão cirúrgica dos sentimentos, medos, tensões entre as personagens.
A história é muito simples, Beth volta a casa da mãe, com quem sempre teve uma relação complicada desde a infância, porque esta teve um AVC e está em coma.
Todas as palavras boas ao longo dos anos ficaram por dizer e todos os mal entendidos por desenredar... e às vezes é tarde.
O extraordinário deste livro é justamente isso, levar-nos de emoção em emoção, de silêncio em silêncio, palavra a palavra a construir a ponte para além do tarde.
Sendo um livro sobre um tema doloroso, curiosamente acaba “bem” e em paz.
Bem... o certo é que a última página ficou manchada por uma lágrima teimosa. Vale a pena ler!
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Catherine Dunne
Cartas de uma Mãe
Editorial Presença, 15€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.