O Museu Desaparecido



Este é, sem margem para qualquer dúvida, um exemplo de jornalismo de investigação. O tema não é novo. Aliás, raro é o mês que documentários televisivos do Canal História não ilustrem o flagelo que foi o saque, durante a Segunda Guerra Mundial, de milhares de obras por arte de tropas nazis em território francês.
“O Museu Desaparecido” de Héctor Feliciano é um novo e completo contributo para esclarecer esta triste realidade. Foram oito anos de investigações. Oito anos a analisar documentos inéditos, testemunhos, entrevistas a vítimas, pesquisas em museus públicos e em arquivos privados. Certezas absolutas não existem, mas fala-se em mais de cem mil obras de arte roubadas pelos Nazis. De quadros de Monet a Matisse, passando por Picasso, Cézanne, Degas, Van Gohg e Rembrandt. O objectivo de Hitler era criar, na Áustria (sua terra natal), um museu de arte com o seu próprio nome. Aliás, todos nós já ouvimos falar do “ninho da águia” (kehlstein), uma montanha alemã onde existia um bunker de Hitler com centenas de obras pilhadas aos judeus.
O livro das Publicações Dom Quixote, com quase 400 páginas, aparece dividido em quatro partes. Começa por falar do amor que Hitler tinha pela arte e termina com a recuperação (em Agosto de 1944, dois dias depois da libertação de Paris) de algumas obras. Pelo meio ficam os capítulos dedicados às pilhagens e à venda das obras de arte. Os anexos com documentos históricos e as imagens completam o restante décor desta brilhante obra.

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Héctor Feliciano
O Museu Desaparecido
Dom Quixote, 22,14 €

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A BIBLIOTECA

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.