Cuba, a ilha dos amores


Sob a designação de “realismo mágico”, o mundo tem conhecido excepcionais autores latino-americanos. Os exemplos são muitos e variados, de Jorge Luis Borges a Gabriel García Marquez, de Isabel Allende a Laura Esquivel. Mas também muitos autores e obras menores têm tido reconhecimento público sob este “chapéu” estilístico, protegendo-se (ou tentando) da sua má qualidade literária.
Vem isto a propósito do livro “A Ilha dos Amores Infinitos”, da escritora cubana radicada nos Estados Unidos Daína Chaviano, que não sendo um exemplo dos segundos também não poderá ser colocada a par dos primeiros.
“A Ilha dos Amores Infinitos”, sua primeira obra publicada em Portugal (numa excelente tradução de Regina Louro), centra-se nessa relação de amor/ódio que todos os refugiados cubanos alimentam relativamente à sua pátria, fisicamente tão próxima e politicamente tão longe. Aliás, o livro está impregnado desse ressentimento e animosidade para com o regime de Castro.
Ao longo de quase três centenas de páginas, uma jornalista cubana radicada em Miami procura explicações para a visão de uma casa que assombra vários dos seus compatriotas instalados naquela que é conhecida como Little Havana. Depois de muitas relações fantásticas e supraterrestres, entre as quais com uma misteriosa anciã que, num bar, noite após noite, desfia a história de três famílias, a jornalista encontra a explicação – sobrenatural, obviamente, para as aparições da misteriosa casa. Pelo meio, e essa é a mais-valia do romance, as referências às três etnias que compõem a nação cubana.
Daína Chaviano figura entre os autores cubanos mais conhecidos no estrangeiro (especialmente nos géneros ficção científica e narrativa fantástica) e várias das suas obras foram já distinguidas internacionalmente – “A Ilha dos Amores Infinitos” recebeu a medalha de ouro na categoria Melhor Livro em Língua Espanhola nos Florida Book Awards 2006.

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Daína Chaviano
A Ilha dos Amores Infinitos
Editorial Presença, 18,00€

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(C) Vieira da Silva

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