De barbeiro a casamenteiro


Já ouviu falar em Amour-sur-Belle? Pois bem, segundo a inglesa Julia Stuart é uma aldeia francesa tão feia que «até os ingleses se recusam a viver lá».
E é precisamente sobre a aldeia – ou melhor, sobre os seus habitantes – que Stuart escreveu o seu primeiro romance, “O Casamenteiro de Périgord”, uma história hilariante sobre os amores e desamores de (quase) toda a população (embora sejam apenas 33 almas).
Os habitantes de Amour-sur-Belle são, todos, personagens incomparáveis e imprescindíveis ao enredo, mas o romance centra-se em Guillaume Ladoucette, um barbeiro diplomado forçado a abandonar a profissão quando os clientes (os homens da aldeia com algum cabelo) deixam de aparecer no seu estabelecimento. Vê-los passar na rua com cortes e penteados que são, no mínimo, arrojados para o seu gosto, provam a Guillaume que a calvície não atingiu a aldeia. É a lei do mercado, que obriga o barbeiro a procurar uma nova ocupação – tão arrojada como a arte do seu concorrente: torna-se casamenteiro. O seu novo negócio dá pelo sugestivo nome de “Desejo do Coração”.
E assim, socorrendo-se da sua magra lista nomes, o casamenteiro tenta arranjar o par ideal para o padeiro de sapatos eternamente enfarinhados, para o carteiro amante de flores, a castelã com vestidos antigos que parecem cortados pelo joelho, para a envenenadora de cogumelos, para a parteira… enfim, para (quase) toda a aldeia, que a juntar aos ódios antigos e à falta de amor ainda tem de suportar a humilhação de ser cobaia da edilidade numa experiência de poupança de água: a instalação de um chuveiro colectivo e a consequente proibição de banhos na privacidade da casa de cada um.
“O Casamenteiro de Périgord” é um romance a ler… com um sorriso nos lábios.
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Julia Stuart
O Casamenteiro de Périgord
Publicações Europa-América, 19,90€

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(C) Vieira da Silva

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