Uma certa China


China, 1875. Nasce Mingzhi, filho mais velho do filho mais velho. A família Chai, dona e senhora da aldeia das Ameixeiras em Flor, tem assegurada a descendência… embora não da forma que o patriarca espera – como verificará.
“A Cabana dos Peixes que Voam”, primeiro romance da malaia Chiew-Shiah Tei, narra muito mais do que a vida do jovem Mingzhi. Através dele é uma época da China que é revelada ao leitor, uma época tumultuosa e fracturante, quando as colheitas de arroz são substituídas pelas de papoilas de ópio e os ingleses começam a chegar e a tomar conta do comércio.
Os jovens estudantes, futuros mandarins – como Mingzhi – anseiam por liberdade e põem em causa um sistema ancestral, enquanto camponeses pobres, pequenos comerciantes desesperados e escravos fugidos se juntam em bandos para expulsar os estrangeiros. A velha China desmorona-se e o futuro é uma enorme incógnita.
Dividido entre uma cultura ancestral que respeita e o admirável mundo novo que os estrangeiros lhe permitem antever, Mingzhi tenta encontrar o seu caminho – entre recuos e avanços, amores e traições, honestidade e corrupção, reflexões e sentido prático. Uma longa caminhada espera o jovem mandarim – sobretudo, uma longa caminhada interior num mundo a desfazer-se.
Chiew-Shiah Tei apresenta um impressionante retrato da China, num livro extremamente bem escrito e de enorme sensibilidade. Um auspicioso primeiro romance que tem recebido críticas muito favoráveis. A autora, que vive actualmente em Glasgow, recebeu já vários prémios literários na Malásia.
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Chiew-Shiah Tei
A Cabana dos Peixes que Voam
Publicações Europa-América, 19,90€

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A BIBLIOTECA

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.