O Que Jesus Realmente Quis Dizer

“Para criar extremistas nada melhor do que uma leitura dos Evangelhos.”

Quem o diz é o autor, Garry Wills, que é de facto um homem informado na matéria.

Na juventude pensou seguir a carreira eclesiástica, mas ao fim de seis anos num seminário jesuíta mudou de ideias e virou-se para a vida académica, onde estudou Línguas e Literaturas Clássicas.

Esse conhecimento linguístico, permite-lhe traduzir e intrepertar no original, vários dos Evangelhos, escritos em grego Koiné (uma espécie de grego “pobre”, que se terá mantido durante alguns séculos, como linguagem “de praça” entre vários povos, após as conquistas de Alexandre Magno).

E sabemos que uma boa tradução, faz toda a diferença!

Logo na Introdução, Garry Wills avisa-nos: “ Cristo não é cristão”... e explica porquê com muito bons exemplos...

O Jesus Cristo que Garry Wills nos apresenta, não é o bonzinho sofredor, que dá sempre a outra face, é um iluminado rebelde!

Vejam-se os evangelhos:

“Jesus era chamado um agente do diabo, ou o diabo em pessoa (Mc 3.22, Jo 7.20, 8.48, 10.20)

Era impuro (Lc 11.38)

Um associado dos samaritanos (Lc 17.16)

E de mulheres pecadoras (Lc 7.39)

Era um promotor de imoralidade (Mc 2.16)

Um glutão e um bêbado (Lc 7.34)

Um escarnecedor da lei judaica (Mt 12.10, jo 5.16, 9.16)

Um cismático (Jo 8.48)

Nunca foi ninguém respeitável. Na verdade, chocou os anciãos e os sacerdotes do templo quando afirmou: “Em verdade vos digo: os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus” (Mt 21.31)”

Este livro, que é Prémio Pulitzer e muito bem, dá-nos uma visão muito desafiante de Cristo.

E é sem dúvida fascinante pensar, como reagiria este Cristo irreverente se o largassem agora no Vaticano, face a face com o seu supostamente mais alto representante, o Papa Bento XVI...

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Garry Wills

O que Jesus Realmente Quis Dizer

Lua de Papel, 13 €



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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.