Uma improvável história de amor

Louis de Bernières volta a surpreender com uma história de amor, daquelas que ele tão bem sabe contar como provou já no belíssimo “O Bandolim do Capitão Corelli” (que John Madden desperdiçou na adaptação ao cinema, apesar de contar com as interpretações de Nicolas Cage e Penelope Cruz).
“A Filha do Partisan” (Publicações Europa-América, €16,99) é quase como uma história das “mil e uma noites” dos tempos modernos, com uma jovem prostituta a conservar o improvável interesse de um homem de meia-idade e de “classe média” devido às suas histórias (verdadeiras? Inventadas?) e assim prolongando as visitas quase diárias a sua casa.
Mas apesar de na Londres nos anos 70 não faltar liberdade sexual, não é o contacto físico que mantém viva esta estranha relação. A vida de Chris tem tudo o que é o necessário para ser desinteressante e maçadora: uma mulher que há muito deixou de o ver, uma filha adulta e um emprego rotineiro. Como resistir a uma bela jovem nascida em Belgrado, filha de um apoiante de Tito e com tantas e tão fascinantes estórias?
Bernières, que publicou o seu primeiro livro em 1990 e três anos depois era já considerado pela Granta como um dos 20 melhores jovens romancistas britânicos, não desilude com este livro. Não só pelo enredo como pelo próprio discurso narrativo, que se desenvolve em dois períodos temporais e através de duas histórias paralelas – ou melhor, a mesma história contada por cada um dos personagens. Um recurso estilístico que resulta lindamente e prende completamente a atenção do leitor.
Louis de Bernières venceu já vários prémios literários, nomeadamente o Commonwealth Writers' Prize for Best Novel com “O Bandolim do Capitão Corelli”, enquanto “Pássaros sem Asas” foi finalista do Whitbread Novel Award em 2004 e do Commonwealth Writers’ Prize em 2005. Em Portugal tem ainda publicado “O Cão Vermelho”.
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Louis de Bernières
A Filha do Partisan
Publicações Europa-América, 16,99€

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(C) Vieira da Silva

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