Bernardo Carvalho | O Filho da Mãe


1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «O Filho da Mãe»?
R- Ainda não tenho a distância suficiente do livro para poder responder a essa pergunta. No geral, me parece que esse romance segue falando das mesmas questões que assombravam os anteriores, mas de uma forma diferente. E isso, principalmente, pelo uso do narrador em terceira pessoa, que antes eu não usava, por preconceito, por achar que era uma convenção ultrapassada. Em “O Filho da Mãe”, entretanto, eu acabei me permitindo usar esse narrador que, se não é propriamente onisciente, pelo menos vê tudo de fora, como um espectador de cinema, e acho que isso me deu muito mais liberdade do que nos livros anteriores. Acho que é um livro sem preconceitos literários, sem medo de ser sentimental.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- O livro faz parte de um projeto concebido por um produtor de cinema, Rodrigo Teixeira, que convidou 16 escritores brasileiros a passar um mês em várias cidades do mundo e voltar com uma história de amor, que eventualmente seria transformada em filme. Por contrato, eu tinha que escrever uma história de amor que se passasse em São Petersburgo. É, portanto, um livro de encomenda. Não escolhi a cidade. Não falo russo nem nunca tive nenhum outro contato com o mundo russo além do que conheço pela literatura, pela música, pelo cinema e pelas artes plásticas. Quando me fizeram o convite, comecei a ler muito sobre a Rússia atual, mais livros de jornalismo e história do que literatura. E foi aí, pelos livros da Anna Politkovskaya, que acabei descobrindo o Comitê das Mães dos Soldados, uma ONG criada pelas mães dos soldados russos para salvar os filhos da guerra e dos maus-tratos do exército, e compreendi que havia naquilo um potencial dramático incrível. A partir desse momento, tudo começou a girar em torno da relação entre mães e guerras.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Acabei de publicar o livro. Tenho alguns projetos, que ainda estão muito incipientes. De qualquer jeito, desta vez todos os personagens serão brasileiros. Estou pensando em escrever um romance que tenha que ver com a idéia e a prática da justiça.
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Bernardo Carvalho
O Filho da Mãe
Cotovia, 12€

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