Em Roma, como os romanos

Ano especial este de 2009, de crise e de eleições, de sol apagando-se e de política incendiada. O jogo da conquista do poder já anda na rua, deu os primeiros resultados e atiçou os ânimos. Mesmo sem calor, a coisa promete, com os candidatos jogando no tudo por tudo e as massas – eles assim o desejam – arrastadas nessa onda exaltada.
Daí a actualidade deste Cícero que nos lembra: “O vulgo tem apenas um meio de ganhar os favores da nossa ordem ou de nos prestar serviço: ajudar-nos e escoltar-nos durante as campanhas eleitorais.”
Quando estas palavras foram alinhadas, Roma ia despedaçada por convulsões e as campanhas eleitorais desempenhavam um papel importante nas carreiras políticas. “Nada é mais inconstante do que a multidão, nada é mais obscuro do que as intenções dos homens e nada é mais falacioso do que o sistema dos comícios”, recorda o editor no prefácio ao livrinho (que na verdade reúne três textos da mesma época).
Claro que hoje os meandros políticos e os processos de arregimentação mudaram e até há quem se congratule com o fim dos comícios. Certo que, hoje como ontem, “nem tudo se resume a astúcia, embustes e perfídia”, mas há muitos procedimentos que pouco ou nada mudaram. Uma razão, entre outras, para rever a origem de alguns truques, processos e misérias humanas.

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Quinto e Marco Túlio Cícero
Pequeno Manual de Campanha Eleitoral
Publicações Europa-América, 8,51€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.