Deana Barroqueiro | O Espião de D. João II

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro «O Espião de D. João II – Na Demanda dos Segredos do Oriente e do Misterioso Reino do Preste João»?
R- Este romance fecha um ciclo narrativo sobre o reinado de D. João II (e começos do de D. Manuel), com as grandes viagens dos Descobrimentos, concretizadas por Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Pêro da Covilhã. N’O Navegador da Passagem, como pano de fundo das recordações de Bartolomeu Dias, está o reinado do Príncipe Perfeito e a luta contra todos os que representam um obstáculo ao seu grande projecto político para Portugal. N’O Espião de D. João II, com as missões de Pêro da Covilhã e a sua extraordinária peregrinação de seis anos, por três continentes, procurei mostrar o imenso sonho desse mesmo rei.
Este romance foi também fruto do desejo de fazer algo diferente dos dois livros anteriores, criando uma narrativa à semelhança de um romance de cavalaria, dado que a personalidade de Pêro da Covilhã – um herói solar, misto de Indiana Jones e James Bond quatrocentista – se prestava às mil maravilhas para essa construção.

2- Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Há em mim o síndrome de Joana d’Arc, que me leva a defender causas perdidas ou esquecidas, neste caso dar a conhecer figuras da nossa História e Cultura que são de há muito ignoradas, apesar da sua grandeza e do enorme contributo que deram, no seu tempo, para o avanço do nosso país e mesmo da civilização a um nível global.
Assim, em 2008, quando finalizava O Navegador da Passagem, sobre o injustamente ignorado Bartolomeu Dias (um grande Homem espoliado do seu sonho), já não consegui afastar do pensamento essa outra espantosa personagem que aí aparecia, embora fugazmente. Pêro da Covilhã era enviado, em 1487, com o albicastrense Afonso de Paiva, a descobrir por terra aquilo que o navegador Bartolomeu Dias iria demandar pelo mar: uma derrota para as especiarias da Índia e notícias do encoberto Preste João, o mítico imperador cristão do Oriente, cujo paradeiro a Europa buscava, em vão, há mais de duzentos anos. Apesar de tão espantoso feito, Pêro da Covilhã, o espião preferido de D. João II para as missões mais perigosas e secretas, não teve sequer o direito de ser conhecido pelo nome de família, mas apenas pelo do lugar que o viu nascer, sendo igualmente ignorado pela maioria dos portugueses.
Quis torná-los vivos, reais e próximos aos meus leitores, para que não os esqueçam.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Mudei de período histórico para dar continuidade ao projecto de D. Sebastião e o Vidente (2006), pois gosto de ter obras a conversarem ou a discutirem umas com as outras. Terminei esse livro com os prenúncios da anexação de Portugal pela Espanha, assim, no novo romance – que já vai adiantado, embora não esteja segura de o poder terminar em 2010 por ter um tema e também um estilo mais complexos – o poeta guerreiro, seu protagonista, dá a conhecer as consequências dos desastrosos reinados dos dois últimos Filipes para o reino de Portugal e os seus senhorios do Brasil, África e Oriente – sujeitos à cobiça e depredação das nações estrangeiras – que levam, por fim, à Restauração e subida ao trono de D. João IV.
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Deana Barroqueiro
O Espião de D. João II – Na Demanda dos Segredos do Oriente e do Misterioso Reino do Preste João
Ésquilo Editora

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