O fabuloso mundo dos agentes literários

Divertido, cáustico, inteligente. Referimo-nos ao romance “A Agência”, assinado por Ally O’Brien, pseudónimo de um duo de escritores que, segundo a editora, é composto por um autor de “bestsellers” internacionais e uma conhecida agente literária residente em Londres.
E não será por acaso que o duo prefere manter o seu nome na sombra. É que a radiografia traçada do mundo dos agentes literários é deliciosamente arrepiante: intriguista, amoral, sem escrúpulos. Só vigora uma regra, aceite por todos: vale tudo para ficar como representante do autor.
E há ainda a também corrosiva descrição dos artistas, com as suas manias, extravagâncias e exigências.
O romance centra-se na história de Tess Drake, agente de uma agência literária de Londres que opera também em Nova Iorque, filha de um reputado jornalista sénior de um jornal de referência e cuja prosa faz tremer governantes e políticos das duas Câmaras.
Tess não seguiu o exemplo do pai – aliás, a passagem pelo jornalismo terminou com o seu despedimento pelo próprio progenitor. A carreira da jovem no mundo dos agentes literários está constantemente a sofrer sobressaltos devido, especialmente, às inimizades que “construiu” (que chegam a ser verdadeiros ódios de estimação) graças à sua absolutamente infeliz escolha de namorados – e sobretudo à incapacidade de resistir aos homens das outras mulheres.
Resistindo com garra à feroz concorrência pela representação de escritores, navegando à vista entre casos amorosos e reflectindo sobre se não será este o momento de deixar de dar dinheiro a ganhar aos outros e abrir a sua própria à agência, a história de Tess é uma hilariante viagem até à última das três centenas de páginas. Um livro que se lê compulsivamente.
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Ally O’Brien
A Agência
Bizâncio, 15€

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(C) Vieira da Silva

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