Aprender não é horrível

Seja qual for o tema, a regra é só uma: não pode ser “uma grande seca”. Eis o “princípio filosófico” da Colecção Horrível, de que a Publicações Europa-América acaba de editar mais dois volumes: “Venenos Dolorosos” e “Luz Assustadora” (Ciência Horrível).
Para quem já conhece a colecção, pouco há a acrescentar: mantém-se (e cumpre-se) o objectivo de provar aos mais novos que aprender pode ser divertido e cheio de humor, evitando a tão habitual reacção: “isso é uma seca!”
Para os que ainda não tiveram contacto com estes pequenos livros, basta dizer que são a prenda ideal para os miúdos da família (ou amigos) que passam horas a fazer jogos no computador ou a ver séries na televisão: entre uma série de dados (in)úteis, lá “passam” uns tantos conhecimentos sobre variadas matérias, personalidades históricas ou princípios científicos.
É o caso da informação sobre “cinco dolorosos gases venenosos”, entre os quais o gás de cloro e o gás mostarda. Sobre o primeiro, os miúdos ficarão a saber que «a nuvem deste gás pavoroso, com um tom de um amarelo esverdeado, irrita os pulmões. Os pulmões ficam inundados com fluidos e as vítimas morrem afogadas em terra. Foi pela primeira vez usado pelos alemães contra os franceses, em 1915, durante a I Guerra Mundial. Depois os ingleses usaram-no contra os alemães». Já o gás mostarda foi «usado por ambas as partes na I Guerra Mundial. Cria bolhas na pele que podem chegar a apodrecer. As vítimas podem ficar cegas durante algum tempo e ficam mal do estômago e os pulmões ficam com algumas mazelas que podem durar anos».
No volume “Luz Assustadora”, os mais novos podem por exemplo conhecer o britânico Thomas Young (1773 – 1829), que em 1803 «provou que a luz assume a forma de ondas luminosas». E isto «foi um grande feito porque, como sabem, as ondas luminosas são demasiado pequenas para serem vistas – na unha do teu polegar cabem 14 000 ondas luminosas». Na realidade, naquela época a ideia de ondas luminosas não era já totalmente nova, pois «tinha sido apresentada em 1690 pelo astrónomo holandês Christiaan Huygens (1629 – 1695), que baseou a sua hipótese em complexos estudos matemáticos». Então qual foi a excepcionalidade de Thomas Young? Fácil: ele «fez a experiência e provou a existência das ondas luminosas».
Será suficientemente atractivo para lhes desviar, por momentos, os olhos do ecrã?
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Nick Arnold e Tony de Saulles (ilustrações)
Luz Assustadora
Venenos Dolorosos
Publicações Europa-América, 9,25€/cada

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.