O vinho ao alcance do saber e do prazer

Será o prazer do vinho algo de complicado, para além da ideia de que é caro? A resposta pode ser abreviada com um “não” às duas perguntas. Dois livros pequenos, bem sintetizados, contêm as respostas básicas a numerosas das questões que se põem nos dois domínios, sem contornar conceitos, esclarecendo o elementar, mas avançando em noções que podem despertar para a necessidade de saber mais – sempre mais, como em todas as áreas. Saber também pode ser uma satisfação e para alguns até vaidade… Outro tipo de prazer.
O livro mais curto explicita mesmo os seus objectivos em título: Saber apreciar o vinho – O puro prazer da degustação, em pós-título. A simplicidade total que nos acompanha em toda a leitura/consulta. E depois ressalta o facto de o autor ser “enólogo e produtor nos arredores de Bordéus, homem de família, formador assumido e esclarecido”, como releva o tradutor, Aníbal Coutinho, também especialista nestas andanças.
Antes de entrar em aspectos mais técnicos, o autor caracteriza o mundo da produção, a nível mundial, com o alastramento dos países produtores, o que “estimula a procura e reorienta a abordagem clássica do vinho, acrescentando a diversidade”.
Segue-se a previsão de alterações climáticas, influenciando a diminuição do número dos terroirs, com mudanças na sua localização, a introdução de novos produtos, novas características e, finalmente, o despertar da curiosidade por alguns aspectos: “O vinho aparece mais liberto e desvinculado de um padrão de consumo com regras demasiado aristocráticas”.
Ou seja, o consumo de vinho desce agora a pirâmide social, mas tendencialmente afasta-se do desregramento e da ignorância tradicionalmente atribuídos aos mais desfavorecidos. Mais informação ajudará na degustação, na escolha consciente, no saber casar o gosto/qualidade com o preço. Indispensável, sabendo-se das mudanças imprimidas nos padrões de consumo pela oferta de outras bebidas a preços mais baixos e até menor cominação social.
E é aqui que entra em cena o segundo livro, também de volume modesto e ambição sintetizada no título e pós-título: Guia popular de vinhos – As melhores escolhas entre 2 e 10 euros no supermercado. Aqui é Aníbal Coutinho, ele mesmo, o responsável pelas provas e avaliações feitas a vinhos que “todos eles são dignos da minha confiança, do meu gosto pessoal e, espero, da sua prova”.
Aí está mais uma dose de conhecimentos, caracterizando a nossa geografia quanto a produção de vinhos, as castas que nos caracterizam, as que têm chegado. E o segredo da escolha para uma boa maridagem. Ou seja, um casamento feliz no momento de conjugar o prato com o vinho escolhido para lhe salientar as virtudes – e vice-versa.
E pronto, que beber e comer não tem de ser pecado nem meio caminho para as maleitas físicas.
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François Martin
Saber apreciar o vinho
Editorial Presença, 7,50€

Aníbal Coutinho
Guia popular de vinhos
Editorial Presença, 9,80€

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(C) Vieira da Silva

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