Poupar em tempo de crise

Em tempo de crise severa como esta que vivemos, a palavra “poupar” adquire um novo sentido e mais cedo ou mais tarde fará parte do “dicionário” pessoal e familiar de (quase) todos os portugueses… e europeus… e americanos… e asiáticos… e africanos. Enfim, tanto quanto sabemos não há continente nem país imune à crise.
Face à situação actual não é, pois, de estranhar que entre os muitos livros de “auto-ajuda” e conselhos financeiros que enchem as prateleiras das livrarias (uns com um carácter mais sério do que outros) tenha chegado a vez dos que prometem ensinar a poupar.
É o caso de um pequeno livro da autoria de Richard Templar, cujo sugestivo título é precisamente “A arte de ter tudo e gastar quase nada”.
Muitos dos conselhos são óbvios e nada trazem de novo ao que toda a gente sabe empiricamente (embora muitas vezes tenhamos tendência a esquecer), mas alguns são, no mínimo, interessantes e merecem uma reflexão – e por que não a experiência?
Um deles é tão simples quanto isto: “beba água canalizada”. A propósito do hábito de consumir água engarrafada, diz o autor: “Se bebe um litro de água por dia, gasta cerca de 300 euros por ano, consoante a marca que consome, claro. (…) E se costuma pedir água engarrafada em cafés ou restaurantes paga ainda mais.”
Entre as muitas sugestões de mudança de hábitos e contenção encontram-se os que dizem respeito à comida. Richard Templar lembra que a maioria das pessoas desperdiça um quarto das compras que faz, no que poderia poupar 25% da despesa com alimentação, rubrica que “come” uma significativa parte do orçamento familiar. Para inverter a situação, convém pensar bem no que se vai comer antes de ir às compras; saber conservar a comida, e dar permanente atenção ao prazo de validade.
Enfim, poupar é possível. Se é uma questão de mudança de mentalidade, como diz o autor, caberá ao leitor julgar. E sobretudo avaliar se a sua vida se tornou mais feliz…
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Richard Templar
A arte de ter tudo e gastar quase nada
Publicações Europa-América, 14,50€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.