Amor e mistério em Barcelona

Para nós, portugueses, este é o mais recente livro de Carlos Ruiz Zafón. No entanto, “Marina” (Planeta, 18,85€) foi o primeiro a ser escrito, dos três a que já tivemos direito a tradução. Fica ainda a faltar a trilogia “La trilogia de la Niebla”.
Carlos Ruiz Zafón tem uma capacidade e habilidade quase única de nos transportar para uma Barcelona só dele e de ao mesmo tempo nos fazer sentir à flor da pele todos os sentimentos que os protagonistas sentem: a curiosidade, o medo, o receio, o amor, o desespero. Todos eles.
Marina não é excepção. Neste livro somos transportados para uma Barcelona mais recente, 1980, em que Óscar se aventura num casarão que parecia desabitado. É aqui, neste casarão, que descobre Marina e o amor. É a partir daqui que somos mais uma vez transportados para um mistério inquietante.
Como já vem sendo hábito nos seus livros, também neste há uma combinação especial entre a história de amor principal (Óscar e Marina) e um mistério por resolver… que também tem sempre por trás uma história de amor especial.
Desta vez o mistério não está relacionado com livros nem com o cemitério dos livros esquecidos, mas sim com a vida e a morte, a preservação da primeira e a luta contra a segunda. E se repararmos com atenção é também sobre esta temática que se centra a história principal.
É impossível não gostar de Germán, da sua bondade e do seu amor pela mulher e pela filha; como o é não nos sentirmos tão perdidos quanto Óscar. E é também impensável não imaginar como nossa a aflição de Marina ou não compreender a loucura de Kolvenick.
Este é realmente um dos maiores trunfos de Zafón: a proximidade e identificação do leitor com a maioria das personagens.
“Marina” conta uma história que em nada fica atrás das já conhecidas “A sobra do vento” e “O jogo do anjo”, apenas peca por ter um volume de páginas tão reduzido quando a vontade é querer mais, ler mais e mais.

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Carlos Ruiz Zafón
Marina
Planeta, 18,85€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.