Baratas deambulantes


O mundo sempre foi um lugar estranho, compreendido por muitos, entendido por poucos. O título e a capa da obra recordam uma história triste, por ventura verídica, do estilo das que vendem muito nos dias de hoje: de jovens raparigas no médio oriente que sofreram abusos e repressões, culpa da guerra, talvez...
Engane-se o leitor que deseja ser entretido com mais uma dessas histórias desenvolvidas sem extensão em livros de muitas páginas. O personagem desta história é um exilado normal, com problemas psicológicos, ao olhar da sociedade Canadiana. Porém não passa de um ladrão que se revê como uma barata, idêntica às que habitam no seu pequeno e degradado apartamento.
Observamos exemplos concretos do seu dia-a-dia, enquanto nos mostra como ele mesmo vê o meio em que está inserido, de uma forma por vezes insólita, divertida, num meio que para ele já chegou a ser assustador e violento. Somos confrontados com a parvoíce existente em cada classe social, de uma forma tão simples e concreta, que por vezes pode o leitor fingir que não entendeu, quando na verdade, engoliu em seco um pedaço de realidade que estava perdido naquela página.
É uma obra bem redigida, interessante, esclarecedora, desprovida de preconceitos que um leitor céptico possa possuir, já que a capa, por muito esforço que se faça, em nada revela o conteúdo do livro.
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Rawi Hage
Exílio
Civilização Editora, 17,15€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.