(Tentar) emagrecer com inteligência

O Verão aproxima-se (apesar de a chuva e o frio insistirem em não abandonar este rectângulo…) e é altura de começar a pensar em roupas ligeiras e corpos desvendados sobre a areia. Este é, também, um momento de desalento para muitos, altura em que se confrontam com os quilos a mais trazidos pelo conforto do sofá em dias invernosos.
E é também o tempo das decisões que implicam grandes sacrifícios: fazer dieta. Mas quantos não estão já cansados de dietas que se dizem milagrosas, exigem enormes renúncias e no final, passado algum tempo, os quilinhos perdidos voltam em força?
Pilar Riobó Serván, médica espanhola e chefe do serviço de Endocrinologia da Fundação Jiménez Díaz, em Madrid, garante que é possível aprender a emagrecer sem nos privarmos de nada. Para tal basta, “apenas”, fazer uma dieta inteligente. A “receita” é dada pela médica no seu livro “A Dieta Inteligente”, recentemente editado em Portugal.
“Não existe nenhuma dieta milagrosa e não se deve acreditar nisso”, esclarece a especialista logo na introdução, acrescentando: “Acredito na dieta de pessoas inteligentes, que consiste em aprender a comer de forma inteligente.” Ou seja, “a dieta não deve ser um castigo que tenha de suportar toda a vida”. Devem “seguir-se algumas regras” e saber que “não há alimentos proibidos, apenas alimentos pouco recomendáveis ou que não são particularmente bons”.
Depois de alguns conselhos – não desanimar ao olhar para a balança, desconfiar dos produtos que prometem emagrecimento “instantâneo”, ter cuidado com o terrível “efeito iôiô” – Pilar Riobó Serván avança recomendações concretas e ensinamentos práticos. É o caso, por exemplo, de sabermos de quantas calorias precisamos, o que depende do metabolismo de cada um. O livro mostra a fórmula de cálculo, bem como o método para calcular o gasto energético basal (quantas calorias precisaríamos se estivéssemos em repouso físico e mental) e exemplifica com várias tabelas de gasto calórico de acordo com o peso corporal e a actividade física por cada meia hora (sabia que uma pessoa com 70kg consome 12 Kcal por cada 10 minutos a dormir?)
E como o aspecto psicológico é muito importante, a especialista traça cinco perfis, para que o leitor se identifique e perceba qual é o seu, sabendo como vai (re)agir face a uma dieta.
Pilar Riobó Serván apresenta vários tipos de dietas, explicando que a “dieta inteligente” é uma dieta por intercâmbios – ou seja, “consiste em planear diariamente a quantidade de alimentos (número de intercâmbios) conforme a restrição calórica da dieta, cabendo-lhe a si escolher os alimentos de que mais gosta ou que mais lhe apeteçam”.
É que, talvez não saiba, mas comer um croissant equivale a um prato de massa com tomate e queijo ralado; ou que comer dois kiwis, uma laranja e uma maçã é o mesmo que comer duas madalenas… Daí a importância de conhecer o valor calórico dos alimentos, de forma a poder fazer várias combinações de acordo com as suas necessidades calóricas.
Nas cerca de duas centenas de páginas de “A Dieta Inteligente”, Pilar Riobó Serván revela ainda mais uma série de truques para que a dieta resulte, além de dar conselhos e importantes lições sobre nutrição – para que o leitor saiba os conceitos básicos e perceba a sua influência numa alimentação saudável.
A terminar e sob a forma de anexo, um conjunto de deliciosas receitas baixas em calorias. Afinal, vale a pena tentar, que o Verão está (quase) aí…
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Pilar Riobó Serván
A Dieta Inteligente
A Esfera dos Livros, 16€

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(C) Vieira da Silva

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