A História, entre a fé e o amor

Depois do estrondoso – e justificado – sucesso de “A Escrava de Córdova”, o segundo romance de Alberto S. Santos era aguardado com redobrada expectativa. E finalmente chegou às livrarias “A Profecia de Istambul”. No seu novo livro, o autor retoma algumas das opções narrativas que muito contribuíram para o êxito da sua obra de estreia. Sendo outro o período abordado – desta vez o século XVI – o registo continua a ser o romance histórico, onde uma história de amor dá suporte a um fresco impressivo de grande rigor, com atenção ao pormenor, descrições ricas e brilhantes de uma época em que a religião era a ideologia que impunha as regras. Se o drama amoroso dos jovens Jaime e Rosa é o elemento agregador do romance, não é ele que lhe dá a consistência que justifica o prazer da leitura. O trunfo do romance está no bem explorado tema da religião e na excelente caracterização das civilizações cristã, muçulmana e judaica. Para escapar à perseguição implacável que lhe é movida pela Inquisição e suas sociedades secretas, Jaime inicia um doloroso percurso que o levará a Istambul, Argel e Salónica. Será escravo, lutará nas hostes muçulmanas, viajará com judeus (tornar-se-á, até, amigo da poderosa Grácia Nasi), será remador numa galé de corsários… Mas manter-se-á sempre fiel a dois sentimentos: ao amor por Rosa e à fé cristã. E é em nome desses princípios e a uma confiança inabalável na amizade que aceita uma perigosa missão, cujos contornos e objectivos desconhece por completo – sendo o último a descobrir o verdadeiro valor da “Lança do Destino”, de que depende o futuro da Humanidade. Para quem gosta de romances históricos, o segundo livro de Alberto S. Santos (que é presidente da Câmara Municipal de Penafiel) é de leitura obrigatória.
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Alberto S. Santos
A Profecia de Istambul

Porto Editora, 17,90€

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(C) Vieira da Silva

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