O lar é um local seguro?

Há morto ou não há? Esta questão crucial coloca-se quase até ao final das emocionantes quase quatro centenas páginas de “O Vizinho”, de Lisa Gardner.
Justificadamente reconhecida como excelente autora de obras de suspense, Lisa Gardner não desilude os leitores neste romance onde explora com mestria os receios mais profundos do ser humano: o lar é o local mais seguro para uma família?
Um casal da classe média, com uma filha de quatro anos, vive numa pequena povoação, numa bonita casa com segurança máxima, desde sistema de alarme a protecção em portas e janelas. Para os vizinhos e colegas de trabalho da jovem professora e do marido jornalista “freelancer”, eles constituem uma família comum, feliz, um pouco reservada – e com um enorme amor pela filha, por quem fazem tudo, desdobrando-se para que tenha sempre presente um dos pais.
Por isso, quando a mulher desaparece misteriosamente durante a noite deixando a filha sozinha, o rapto parece a hipótese mais provável. Não fossem as circunstâncias, que levam a detective da polícia encarregue do caso a colocar como principal suspeito o marido.
Somam-se os indícios de que o marido poderá ter morto a mulher e o seu silêncio em nada contribui para ajudar a ilibá-lo. O problema é que não há cadáver, por mais que a polícia procure.
As suspeitas da polícia recaem ainda sobre um vizinho em liberdade condicional com uma “ficha” nada tranquilizante. Mas embora aperte cada vez mais o cerco aos dois principais suspeitos, a polícia parece estar num beco sem saída, e nem o voluntarismo e a teimosia da detective parecem ser suficientes para fazer a investigação avançar.
O suspense mantém-se de capítulo em capítulo até um final inesperado que deixa o leitor desarmado.
Se há livros que se lêem de um fôlego, “O Vizinho” é sem dúvida um deles.
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Lisa Gardner
O Vizinho
Publicações Europa-América, 21.25€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.