Lara Morgado | Por Acaso-Casos de Vida, Casos de Morte

1- De que trata este seu livro?
R- O livro fala sobre o acaso. Como mote de introdução ao tema relata a história de um paciente que avisa a psicóloga que se vai suicidar nesse dia, a psicóloga por sua vez propõe-lhe fazer um jogo de cartas, cuja vitória ou derrota determinam a vida ou morte deste paciente. Este caso serve para mostrar a noção do acaso em termos gerais, o acaso como determinante na nossa própria existência, até que ponto o nosso nascimento e morte dependem do acaso. Depois o acaso é perspetivado nos pequenos acontecimentos que deparamos ao longo da vida. São relatados quatro casos de pessoas cujas vidas foram transformadas para sempre pelo acaso, designado acaso barulhento, quando o acaso destrói os planos. No lado oposto desta análise é abordada ainda a questão do acaso significar nada acontecer na vida e tudo se desenrolar numa trágica previsibilidade, designado como acaso silencioso. Acima de tudo o livro trata o sentido da vida, na sua forma mais prática e quotidiana, misturando a ficção com a realidade num enredo pintado de emoções com as quais todos os leitores, todos sem exceção, se irão identificar.

2- De forma resumida, qual a principal ideia que espera conseguir transmitir aos seus leitores?
R- Este não é um livro confortável, com histórias bonitas e finais deslumbrantes, é um livro que pretende mexer com as estruturas interiores dos leitores, pretende derrubar lugares comuns e fundar uma nova perspetiva da vida, sem clichés nem receitas da felicidade. É um livro que incomoda, mas que dá esperança, uma esperança diferente, a esperança no imprevisível e na surpresa. A ideia é a de que cada pessoa é única e que a vida de ninguém está escrita, sendo aí que reside o fascínio da vida, porque mesmo que tudo corra mal, o importante é tomar decisões, o resto é a vida a mostrar-se em forma de surpresa. Nas decisões, nas escolhas solitárias vê-se a grandeza do homem, só pelo acaso é que nos mostramos, porque sozinhos decidimos por um caminho.  E mesmo que percamos tudo, é importante perceber que quando não temos nada, temos também tudo à nossa frente.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Neste momento dedico-me à escrita de uma peça de teatro que irá estrear em Maio. Tento sempre, em todos os momentos, escrever coisas novas, originais, seduzir e recuperar de uma vez por todas o público português que está anestesiado  tanto pela intelectualidade presunçosa dos textos ditos eruditos que ninguém percebe, como pela brejeirice oca dos textos vulgares que não estremecem a razão de ninguém. Tenho içado esta bandeira, criar, tornar a cultura autossustentável pela sedução do público e não pelo desinteresse arrogante de uma cultura que pertence a uma elite de intelectuais que apenas fazem mexer as sobrancelhas da incompreensão e provocam uns aplausos sem vida. A arte pertence às pessoas todas, e é preciso chegar a elas, fazendo-as evoluir. O difícil muitas vezes é escrever o “fácil”, trata-se de oferecer às pessoas nas palavras que elas percebem, as descobertas de quem viu mais do que o óbvio. E assim, e só assim, a cultura é imprescindível para um país, para o mundo, só assim a cultura está ao nível do pão para a sobrevivência. Com aquilo que escrevo pretendo levar a produção artística de Portugal aos olhares atentos e rendidos do mundo. Em livro, há ainda a possibilidade de iniciar um projeto de ficção, um romance.
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Lara Morgado
Por Acaso-Casos de Vida, Casos de  Morte
Guerra e Paz, 12,99€

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(C) Vieira da Silva

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