Maria Alice Caetano | Maçã de Zinco

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro "Maçã de Zinco"?
R- “Maçã de Zinco” é o meu segundo livro editado. O primeiro, “Depois do Ninho, a Água” é um livro de poesia. “Maçã de Zinco” é um livro de prosa poética e, talvez, contenha alguns poemas pelo meio. Considerei que, escrever sempre da mesma maneira, não me interessava, afinal, está tudo escrito, então eu teria de reinventar. Reinventar na forma, pois alguns temas, alguns elementos, são recorrentes naquilo que escrevo, são o meu cunho! Particularidades da infância podem misturar-se com imagens de quadros, imagens observadas no quotidiano, vivências doces ou amargas. A questão das vidas femininas, o trabalho físico, certas inerências a um mundo campestre ou citadino. A morte presente em tudo, como uma estátua, contrariada pelo elemento sol, que se repete, bem como nomes de flores, porque existe uma força de antítese à morte que quer prevalecer. O negro dos metais, o barro, ou o corpo inserido num erotismo poético e sublime….
Que se descubra melhor lendo. “Maçã de Zinco” é um livro que se lê rapidamente, e é um livro que procurou despir-se de linguagem demasiado elaborada, que conta pequenas histórias ou realiza curtas metragens.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-As pessoas que tinham lido “Depois do Ninho, a Água” e que me conhecem, estavam constantemente a perguntar-me quando é que eu lançava um novo livro. E eu, que durante anos fui esmerando e aperfeiçoando o meu estilo próprio para elaborar uma obra única, de repente senti-me impulsionada a escrever de novo, para publicar. Então resolvi desenvolver um projecto diferente, que não fosse repetir o que antes eu tinha considerado único. Daí o facto de “Maçã de Zinco” seguir a linha da prosa poética, para ser diferente e também, para surpreender quem já tinha lido o primeiro livro.
“Depois do Ninho, a Água” significava o «voo» dos escritos tantos anos guardados num ninho, que nasciam, como águas uterinas. Agora “Maçã de Zinco” teria der ser representativo das dualidades que nos compõem e compõem o mundo, e que me «atormentam». A simbologia do elemento “maçã” vai de encontro a tudo o que no livro é natural e belo, o elemento “zinco” significa a limalha do sofrimento, do vazio, do fim do tempo.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Quem gosta de escrever, quem escreve desde sempre, ainda que não publique, penso que não perde esse hábito e, claro, eu pertenço a esse grupo de pessoas que gosta de escrever. Tenho um conto que já está começado. Lá volto eu, que amo a poesia, a não querer repetir-me no género, ainda que, tudo o que eu escreva contenha poesia, é impossível fugir-lhe, está entranhado na minha pele.
Esse conto divide cada capítulo numa casa. Cada casa é completamente diferente da anterior e a pessoa que habita as casas, o narrador, tem experiências e buscas de respostas conforme se muda de casa para casa. Afinal, as casas são o cenário, o elemento poético do conto. Neste momento não estou a escrever, por um lado, devido ao meu trabalho como professora que está a absorver-me muito tempo nesta fase do ano, por outro lado estou numa encruzilhada em relação à história, pois coloquei uma questão ao narrador à qual ainda não consegui dar resposta. Vou ter de utilizar algum tempo e disponibilidade para resolver essa questão e depois prosseguir.
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Maria Alice Caetano
Maçã de Zinco
Esfera do Caos

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(C) Vieira da Silva

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