O amor tem muitas formas

Há temas que se mantêm controversos apesar da evolução das sociedades e da própria legislação. Implicam juízos morais, valores enraizados e mentalidades que teimam em não aceitar os sinais do tempo. A homossexualidade é um desses temas, sobretudo quando implica instituições como o casamento e a filiação.
Por isso é de louvar a coragem e, sobretudo, a sensibilidade com que Jodi Picoult trata o tema no belíssimo romance “Uma Melodia Inesperada”.
Através de personagens verosímeis e de enorme densidade dramática e de uma narrativa muito bem construída, a autora conduz o leitor por uma multiplicidade de situações que o obrigam a questionar-se sobre as suas próprias crenças e certezas: o casamento, o amor, a religião…
Zoe Baxter vive na angústia de concretizar o seu maior desejo: ter um filho. Porém, ao fim de dez anos continua sem conseguir levar uma gravidez até ao fim. Esta tragédia acaba por ter consequências profundas no casamento e, por razões diferentes, está a destruir os dois membros do casal. A separação torna-se inevitável. O caminho que cada um trilhará ditará o seu posicionamento face ao conflito que os levará a uma luta sem tréguas em tribunal.
Zoe vai encontrar o amor numa mulher, com quem inicia uma relação estável e serena, mas não escapa à implacável crítica social e de um grupo religioso que tudo faz para pôr em causa e seu carácter e destruir a sua credibilidade profissional. O marido, depois de uma fase autodestrutiva em que recai no alcoolismo, encontra conforto e apoio no grupo religioso que se lança numa cruzada contra Zoe – e tudo o que ela representa enquanto exemplo do pecado.
As posições e sentimentos extremam-se quando o ex-casal se defronta em tribunal pela custódia dos seus embriões congelados.
“Uma Melodia Inesperada” é um drama comovente que não deixa ninguém indiferente. E permanecerá no leitor muito depois de chegar ao fim do (quase) meio milhar de páginas. Para ler e reflectir.
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Jodi Picoult
Uma Melodia Inesperada
Civilização Editora, 17,90€

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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.