Quem anda a assassinar mações?


“O Irmão de Sangue” marca o regresso dos franceses Eric Giacometti 
e Jacques Ravenne ao contacto dos leitores portugueses e com eles as aventuras do comissário de polícia e mação Antoine Marcas. 
Para quem ainda não conhece os autores, refira-se que Eric Giacometti é um jornalista que no final da década de 1990 investigou a Maçonaria no âmbito das questões sobre a Côte d’Azur, e Jacques Ravenne (pseudónimo) é um mação com o grau de mestre no rito francês. 
Amigos de longa data, iniciaram a sua colaboração literária em 2005 com “O Ritual da Sombra”, o primeiro de uma série – que conta já cinco obras – dedicada às investigações do comissário Antoine Marcas. 
“O Irmão de Sangue” é o segundo  thriller a ser publicado em Portugal, retomando o tema da Maçonaria e dos seus meandros.
Desta vez Antoine Marcas é confrontado com um assassino em série, cujas vítimas preferenciais são precisamente mações. Mais complexo ainda para a investigação que Marcas vai desencadear a título pessoal é o facto de o assassino se assumir como irmão com o superior grau da vingança – o “irmão sangue”.
Entre Paris e Nova Iorque, onde se localizam duas das mais significativas obras de mações – a Torre Eiffel e a Estátua da Liberdade – o comissário francês não só persegue o homicida como tenta decifrar um mistério tão antigo como místico: a história da transformação de metal em ouro. Numa luta contra o tempo, o polícia tem ainda de ultrapassar os obstáculos colocados no seu caminho pela organização Aurora, um grupo de indivíduos da alta finança que pretende controlar o mercado do ouro.
Numa narrativa bem estruturada, os autores dominam com sabedoria os saltos no tempo e as mudanças de registo, jogando em paralelo com a ação de Marcas e a história do copista Nicolas Flamel, que em 1355 assiste à morte na fogueira de um famoso alquimista – e acabará por tomar o seu lugar. As duas histórias tocar-se-ão num final imprevisto, dando sentido a toda a trama.
Tal como o anterior livro da série, “O Irmão de Sangue” tem ainda a maisvalia dos anexos, onde os autores fazem um enquadramento histórico, explicam a importância da Torre Eiffel e da Estátua da Liberdade na simbologia maçónica (bem como de outros monumentos e personagens) e ainda apresentam um glossário básico da Maçonaria. 
“O Irmão de Sangue” é um  thriller cheio de suspense que proporciona uma leitura compulsiva. Francamente recomendado, sobretudo para estes dias estivais que convidam ao entretenimento sem compromissos.
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Eric Giacometti e Jacques Ravenne
O Irmão de Sangue
Publicações Europa-América, 21,90€

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(C) Vieira da Silva

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