A (pouca) sorte de Jim


Embora entre nós o filho, Martin Amis, seja mais conhecido, Kingsley Amis não deixou de ser um autor com uma obra assinalável – dividida entre ficção, poesia e crítica – e um dos escritores ingleses consagrados do pós-guerra (participou na II Guerra Mundial), surgidos no seio dos Angry Young Men (jovens revoltados). 
Ao longo da sua carreira, Kingsley Amis foi galardoado com o Booker Prize em 1986 e recebeu o Somerset Maugham Award de ficção em 1955 (ano da sua morte) pela  obra “A Sorte de Jim”, que a revista Time elegeu como um dos 100 melhores livros de língua inglesa escritos entre 1923 e 2005.
E é precisamente com “A Sorte de Jim” que a editora Quetzal inicia a publicação das suas obras. 
Escrito em 1953, o livro não é de fácil leitura e exige a quem se aventurar pelas suas páginas atenção bastante para captar a fina ironia e as subtilezas da prosa, podendo eventualmente desiludir quem for atraído pela referência de capa ao “livro mais divertido da segunda metade do século XX”. 
Sem dúvida que o livro tem momentos hilariantes, mas essa não é a sua principal característica. Kingsley relata a história de James (Jim) Dixon, um jovem e obscuro professor universitário de História Medieval, aborrecido com a sua vida, a carreira, a pseudo-namorada e a sociedade repressiva que o rodeia. 
Jim bebe e fuma demais, enquanto tenta fazer tudo para afastar o fantasma do despedimento que paira sobre a sua cabeça até ao final do ano letivo, quando o responsável do departamento se pronunciará sobre o seu desempenho. Isso implica tentar cair nas boas graças do responsável, o lunático e sempre insatisfeito professor Welsh, o que inclui tentar ser convidado para jantar em sua e casa e suportar com enorme estoicismo os saraus musicais e os humores do professor e da sua mulher.
A complicar ainda mais a sua vida estão os alunos, que tenta convencer a inscreverem-se na sua cadeira e assim assegurar o lugar de professor na universidade, e a namorada Margaret, uma jovem neurótica, frustrada e traumatizada pela relação anterior.
Mas o que vai despoletar a crise é a chegada de Bertrand, filho do professor Welsh e um obscuro pintor, e da sua namorada Christine, tão bonita quanto indiferente – e a quem Jim não resiste.
Em “A Sorte de Jim”, Kingsley Amis traça com ironia um retrato da sociedade inglesa e do meio universitário, quase ao jeito de uma sátira onde os conflitos, os equívocos e os mal-entendidos se sucedem e constroem uma teia de situações ao mesmo tempo divertidas e dramáticas. Um bom começo para penetrar na obra do escritor.
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Kingsley Amis
A Sorte de Jim
Quetzal, 17,70€

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(C) Vieira da Silva

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