A magia de Zafón

La trilogia de la Niebla foram os primeiros romances escritos por Carlos Ruiz Záfon mas, como bem sabemos, as edições portuguesas nem sempre respeitam a ordem da produção literária dos autores. Por isso, só agora nos chegou o último volume desta trilogia.
Zafón ficou conhecido mundialmente com A Sombra do Vento, a que se seguiu O Jogo de Anjos. As suas obras já foram traduzidas para mais de 40 línguas e valeram-lhe os mais diversos prémios literários.
Este As Luzes de Setembro é um livro despretensioso, mais virado para um público jovem, embora também possa agradar aos mais velhos. Torna-se uma leitura agradável e não exigente, mas cativante, ideal para os momentos em que o leitor quer uma boa história e não pretende pensar muito. Está longe de ter a primazia dos seus mais recentes romances, mas é, sem dúvida, o mais interessante desta trilogia.
Em As luzes de Setembro, o autor puxa por uma vertente que parece ser do seu especial agrado: o terror e o suspense. É o claro confronto entre o bem e o mal.
Enquanto n’O Príncipe da Neblina percorremos a costa sul de Inglaterra e n’O Palácio da Meia-Noite somos levados pelas ruas de Calcutá, em no último romance da trilogia vamos até à Normandia.
A história começa com a morte de Armand Sauvelle, que deixa a mulher Simone e os filhos Irene e Dorian numa situação desesperada, pela perda e pela falta de dinheiro. Assim, quando surge a oportunidade de se mudarem para a Baía Azul, para a casa Cravenmoore, a mansão do enigmático construtor de brinquedos Lazarus Jann, eles vão.
Lazarus, que se exilou de forma a cuidar da sua mulher que padece de uma doença estranha, contrata Simone para o ajudar com as tarefas da casa. Simone, Irene e Dorian não podiam estar mais agradecidos por esta oportunidade, longe de pensarem que estariam prestes a passar pela maior provação das suas vidas.
Na sua nova morada há uma pequena ilha do farol onde brilham luzes estranhas e um ser terrível se esconde. Enquanto Dorian ficou enfeitiçado pelas magníficas criações de Lazarus, Irene apaixonou-se por Ismael, um pescador que a leva a passear para a pequena ilha.
É entre os mistérios da ilha e os mistérios de Cravenmoore e Lazarus que a família Sauvelle se vê envolvida numa peripécia muito maior e mais complicada do que aquela que tinham deixado para trás ao mudarem-se para a Baía Azul.
Com um ritmo alucinante, referências góticas e um clima mágico, As Luzes de Setembro faz muito mais que os anteriores: convence.
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Carlos Ruiz Zafón
As Luzes de Setembro
Planeta, 17,76€


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(C) Vieira da Silva

Diga não ao cruel comércio da morte.