Teolinda Gersão | Os Guarda-Chuvas Cintilantes

1-O que representa, no contexto da sua obra o livro "Os Guarda-Chuvas Cintilantes" (Cadernos I, Diário)? 
R- Os Guarda-Chuvas Cintilantes foi o meu terceiro livro publicado, mas foi um dos que primeiro comecei a escrever. Só o retomei anos mais tarde, depois de ter escrito dois romances, O Silêncio e Paisagem com Mulheres e Mar ao Fundo. Só nessa altura me apeteceu terminar e publicar este livro, que não encaixa em nenhuma forma literária e é altamente provocador, cheio de ironia, com uma vertente lúdica e em parte fantástica, mas sem nunca perder de vista o mundo real.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro? 
R- Comecei a escrevê-lo em São Paulo, onde estava a viver na altura (e onde fiquei dois anos). Todo o livro está repassado dessa atmosfera paulista, passa-se numa cidade gigantesca. Mas os temas que aborda são universais, são as grandes questões do mundo em que vivemos, e continuam imensamente actuais. Por isso ler agora o livro faz tanto sentido como no altura em que o escrevi.

3- Depois dos Cadernos I e II, podemos esperar mais diários seus no futuro?
R- Diários, seguramente não, até porque, como digo neste livro, também ele não é realmente um diário, mas antes o seu reverso, ou, se quisermos,  é uma forma dissidente de diário, em ruptura com a diarística. Mas vão surgir mais Cadernos, sim, todos diferentes entre si, e cada um podendo ser lido separadamente, mas todos eles construídos em torno das grandes questões com que  nos defrontamos. “As Águas Livres” é o 2º volume dos Cadernos, e haverá de certeza outros, mas não já. O próximo livro a sair vai ser um livro de contos.
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Teolinda Gersão
Os Guarda-Chuvas Cintilantes (Cadernos I)
Sextante, 15,50€

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