Madalena de Castro Campos | La Mariée Mise à Nu


1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “La Mariée Mise À Nu”?
R- Um livro é um livro que é só um livro. São palavras amalgamadas pela história, espartilhadas pela gramática e pelas convenções, mas que só vivem na história, na gramática e nas convenções. Este livro, com título tomado a Marchel Duchamp, é o espaço possível entre despir-me no meio da rua e morrer incógnita numa cama de hospital. Talvez seja as duas coisas.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Fome, frio e solidão. Se eu confiasse suficientemente nas palavras, o livro teria sido prescindível, teriam bastado as três anteriores. Se confiasse suficientemente na carne, teria prescindido mesmo dessas três. Não confio nem nas palavras nem na carne. Escrevo sob ameaça. A primeira, que as palavras dos outros já tenham dito tudo. A segunda, que as palavras dos outros não tenham dito nada e que, por isso, nada haja a esperar delas. A terceira, que eu possa, a qualquer momento ser desmascarada como impostora da língua. Esforço-me por o ser.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Nada. O mesmo que nos outros dias. Escrever à noite para apagar pela manhã, escrever pela manhã para vomitar à noite. Não é metafórico.
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Madalena Castro Campos
La Mariée Mise À Nu
Companhia das Ilhas, 12€

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(C) Vieira da Silva

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