Orlando Raimundo | O Último Salazarista

1- O que traz de novo o seu livro sobre a vida, a personalidade e o papel de Américo Thomaz no nosso país?
R- Tudo ou quase tudo, depende dos leitores. Os leitores com mais de 60 anos, que recordam Américo Thomaz como uma figura patética, o anedótico "corta-fitas", irão descobrir que estão enganados, que Thomaz teve poder e exerceu-o. Os outros, os mais jovens, irão perceber, através desta figura caricata, o que levou as gerações que os antecederam a rejeitar o regime autoritário do Estado Novo e por que são tão importantes a liberdade e a democracia.

2- Conhecendo bem a sua trajectória e influência, considera que Américo Thomaz foi apenas uma «figura patética» ou, pelo contrário, teve um peso e um papel significativos em momentos da história de Portugal?
R- Thomaz era um dissimulado, um oportunista, um videirinhas que se fazia de parvo, mas não era. O seu papel foi decisivo em 1961, quando traiu o general Botelho Moniz e fez abortar o Golpe de Estado contra Salazar, que poderia ter sido uma antecipação do 25 de Abril; e foi determinante em 1968, quando obrigou Marcello Caetano a não abrir mão das colónias e condenou a sua "primavera" ao fracasso.

3- O que mais o surpreendeu no ex-Chefe de Estado à medida que foi aprofundando a sua pesquisa para este livro?
R- A firmeza com que assumiu a herança de Salazar e amarrou Marcello Caetano ao mastro na nau imperial, o que não é pouca coisa para um homem com antecedentes de cobardia.
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Orlando Raimundo
O Último Salazarista. A Outra Face de Américo Thomaz
Publicações D. Quixote, 15,90€

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(C) Vieira da Silva

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