Diga não ao cruel comércio da morte.

Valentim Alexandre | Contra o Vento

1-Como podemos enquadrar este seu novo livro no conjunto das obras que escreveu sobre a história colonial?
R-Quando, há mais de quarenta anos, comecei os meus trabalhos de investigador, tinha já a intenção de me ocupar da última fase do império português. Apercebi-me, porém, de que não a poderia abordar, sem antes analisar a forma como esse império se constituíra e evoluíra. Isso levou-me a estudar, no livro Os Sentidos do Império, o processo que propiciou a independência do Brasil. Seguiram-se textos sobre a história do sistema colonial português, nos séculos XIX e começos do século XX (nomeadamente, nas duas Histórias da Expansão publicadas em finais da década de 1990). O livro agora publicado é, portanto, o fim (ou o começo do fim) de um longo périplo.

2-«Contra o Vento» é um livro sobre o sistema colonial português e a sua evolução numa perspectiva de «tempo longo»: vantagens desta abordagem?
R-A história do colonialismo português, pensada no “curto termo”, tende a perder-se na superfície dos factos, nas pequenas querelas sobre as personalidades políticas e as suas decisões pessoais. Só o “longo termo” permite revelar as vagas de fundo, em particular no campo ideológico.

3-Do seu ponto de vista, para melhor compreender a descolonização realizada após o 25 de Abril é indispensável analisar o que se passou no período de referência deste livro (1945-1960)?
R-Pode dizer-se que as opções tomadas no período que estudei condicionam tudo o que se segue, incluindo a descolonização: nos anos de 1945-1960, o regime do Estado Novo traça um caminho que conduz à guerra colonial – guerra que não tem outra saída que não seja a de uma descolonização de emergência, dificilmente controlável. As perturbações de 1974-1975 têm as suas raízes nas opções de 1945-1960.
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Valentim Alexandre
Contra o Vento: Portugal, o Império e a Maré Anticolonial (1945-1960)
Temas e Debates  24,40€