Diga não ao cruel comércio da morte.

Isabel Rio Novo | A Febre das Almas Sensíveis

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «A Febre das Almas Sensíveis»?
R- Representa mais uma etapa num percurso de escrita que eu desejo longo e ininterrupto... O «Rio do Esquecimento» foi muito importante, porque me deu a conhecer ao público e me granjeou o reconhecimento da crítica. «A Febre das Almas Sensíveis», talvez por ser uma história mais emocional e que recupera a memória de uma doença que atingiu, não há muito tempo, praticamente todas as famílias, tem recebido, além de muito boas críticas, um excelente acolhimento junto dos leitores. Por outro lado, em termos de escrita propriamente dita, confirmou-me um caminho, um estilo, se quisermos. Creio que tenho um certo sentimento do passado, a capacidade de encontrar a brecha por onde a imaginação consegue iludir as circunstâncias do presente para chegar a uma época outra, não a que foi, naturalmente, mas a que construo na ficção. Um exercício de fantasia, mas onde também entra trabalho de pesquisa, uma pitada de fantástico e uma sensação de êxtase inexplicável.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Como costuma acontecer, houve um conjunto de estímulos quase simultâneos. Quando parti para a escrita do romance, tinha-me chegado às mãos, através do Paulo, que também é escritor, uma caixa com papéis relativos a uma história de família. Uma espécie de triângulo amoroso, sendo que um dos vértices desse triângulo tinha sido vítima de tuberculose e tinha passado pela estância sanatorial do Caramulo… Inicialmente, estava mais interessada em explorar as relações amorosas entre a tríade, mas, a dada altura, concentrei-me no drama da personagem que fora muito jovem para o sanatório e que tinha acabado por morrer lá. Por outro lado, a noção que eu já tinha da grande quantidade de escritores portugueses vítimas da tuberculose e até o conhecimento da associação romântica entre a genialidade na escrita e a tuberculose ou tísica levaram-me a querer explorar essa ideia algo lírica da «febre das almas sensíveis»... Mas foi durante uma visita ao Caramulo e às ruínas dos antigos sanatórios e graças às impressões que o local exerceu em mim que percebi, em definitivo, o rumo que queria dar ao romance.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estou prestes a terminar a primeira versão de um romance que resulta de um período de seis meses inteiramente dedicados à escrita, graças a uma bolsa de criação literária da DGLAB… É uma história que cruza épocas e planos temporais, que estabelece pontes com a pintura (um tema que me é muito grato) e que joga com os limites da ficção e da não ficção. Enquanto escritora (e leitora), interessa-me explorar o apagamento de fronteiras entre romance, biografia, ensaio... Ao mesmo tempo, será provavelmente o meu romance mais pessoal até agora. Quando terminar o período da bolsa, vou regressar a um projeto de não ficção que interrompi em dezembro e que também me entusiasma muito: uma biografia literária.
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Isabel Rio Novo
A Febre das Almas Sensíveis
Publicações D. Quixote  14,90€