Diga não ao cruel comércio da morte.

Luís Osório | Mãe, Promete-me que Lês

1-O que representa no contexto da sua obra, o livro «Mãe, promete-me que lês»?
R- É um livro em que, depois de “A Queda de um Homem”, continuo a ir ao encontro de uma ideia em mim essencial, a ideia de que a literatura/criação é o único lugar possível, como diria Borges o único lugar capaz de oferecer uma ordem ao mundo. É o meu livro mais literário, que mais pretende radicalmente marcar uma fronteira entre um antes e um depois daqui. É também um livro que, à semelhança do meu primeiro romance, aposta na ideia de que não há interesse numa literatura de onde se sai exatamente igual ao que se entrou. No contexto dos livros que publiquei, esta carta a minha mãe é também uma carta ao que em nós (eu e leitores) é vontade de mergulho, abismo e luz.  

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A minha mãe morreu há dez anos. E a ideia foi crescendo ao longo dos últimos anos. Quis a providência (ou alguém por ela), que me fosse parar às mãos a carta à Mãe escrita por George Simenon. Li-a depois do entusiasmo com os seis volumes de Knausgaard (A Minha Luta) e, claro, com a importância na minha adolescência  da carta ao pai, de Kafka. Foi como se sentisse que tinha de ser, este livro tinha de nascer – assim como a urgência de fundir a literatura com a realidade, de contaminar uma com a outra, de baralhar as contas e provocar o leitor para uma dança arriscada.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- No próximo ano será editado um livro de entrevistas, “30 Portugueses, 1 País”, resultado de 30 conversas com figuras portuguesas fundamentais. O livro será também editado pela Guerra e Paz e assinala os 20 anos da publicação do meu primeiro livro, 25 Portugueses (também um livro de entrevistas). E começarei brevemente a escrever o meu próximo romance que, muito provavelmente, será editado em 2020.
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Luís Osório
Mãe, Promete-me que Lês
Guerra e Paz   14,90€
Luís Osório na "Novos Livros"|ENTREVISTAS