Diga não ao cruel comércio da morte.

Fátima Vivas | Transparências do Meu Olhar

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro “Transparências do Meu Olhar”
R-“Transparências do meu olhar” vem na senda do primeiro livro que eu publiquei: “Chuva de Poemas”. Comparando ambos, tem-se uma continuidade, natural. Seguem o mesmo rumo. São fruto de uma coerência, que é visível. Contextualizá-lo naquilo que é o conjunto do que crio, apresenta uma maior dificuldade. Tenho dezenas de cadernos manuscritos. Milhares de poemas estão ali guardados, esquecidos. Provavelmente nunca serão editados. Serão reserva minha e nada mais. Imagine-se uma barragem, alimentada por um nascente, que não seca nem no verão mais tórrido. A descarga de fundo, não dará vazão, na proporção em que a água chega. No caso da barragem seria dramático, ruiria. No caso da minha escrita, é só iniciar novo caderno. É tranquilo. Há quem pague a outrem para lhe escrever um livro. Há quem publique e o que publicou seja tudo o que escreveu. E depois há os outros, que escrevem de forma contínua. Porque escrever não é uma torneira que se feche, e acima de tudo fazemo-lo por nós, e para nós. Dar o que criamos a ler, é um outro passo às vezes difícil. Há naquilo que escrevo, uma coerência abrangente, que bebe do que é a própria coerência da pessoa que sou e da vida que vivo. Não uso de artifícios, nem produzo confinada a objetivos. Apenas me conduz a emoção.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-Curiosamente, eu tinha decidido afastar-me. Não frequentaria as pequenas reuniões de poetas. Não iria a lançamentos de livros. Não mostraria o meu trabalho. Até desisti de uma entrevista numa rádio local. Achei que não tinha nada a dizer. Aconteceu que me convenceram a entrar num concurso de uma editora. Antes de enviar-lhes o livro, registei-o na DGAC. Não ganhei o concurso. Mas, registado como estava, tinha de aparecer. Foi por isso que o editei agora. Estou contente com o resultado.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Estou a escrever poesia, como sempre. Ando também às voltas com um tema que me é muito caro: A vida das esposas dos militares, quando eles se ausentam em missão. Não sei até onde irá. Vamos ver.
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Fátima Vivas
Transparências do Meu Olhar
Edição de Autor