Diga não ao cruel comércio da morte.

Alexandre Andrade | Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro "Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul"?
R- É mais um livro. Deixo para outros o trabalho de o integrar, ou dissociar, do contexto da minha obra. Gosto de pensar que cada livro é mais um bloco que se vai harmonizar e entrar em diálogo com os restantes de modo a formar um todo mais interessante do que as partes. Mesmo que isso não suceda, o que é no fundo o desfecho mais que provável, resta a esperança de que os esforços e estratagemas nesse sentido, conscientes ou não, apareçam aos olhos do leitor como um daqueles malogros instrutivos que quase equivalem a um pequeno sucesso. 

2- Qual a ideia que esteve na origem desta obra?
R- Quis escrever contos sobre as cores e a maneira como afectam a vida das pessoas, tentando tratar de forma equivalente as reacções mais viscerais e as mais intelectuais, o sensorial e o símbolo: em ambos os casos, quis mostrar personagens imensamente vulneráveis e envolvidas em combate desigual. Escrever uma série de contos sobre um único tema é um exercício que recomendo a toda a gente, porque incita à disciplina e contribui para que as ideias apareçam. Da próxima vez, talvez seja sobre dias de chuva ou sobre bolos de creme.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Dois livros de ficção ainda em fase de planeamento. O futuro dirá se os escreverei em paralelo ou um a seguir ao outro. Um deles pega no motivo, já tão glosado, da rapariga que desce à Grande Cidade e fica maravilhada com tudo mas que depois começa a descobrir um lado mais sinistro que as fachadas e a ordem pública escondem. Uma narrativa tão inverosímil e rocambolesca tem tudo para correr mal e é isso que acontece: resta desconstruí-la, tentando perceber a origem de tamanha profusão de inconsistências, exageros poéticos, idealizações e golpes de teatro. A acção do segundo livro começa no Verão de 1975 e estende-se até aos nossos dias, mais década menos década, para desgosto das personagens, que achavam que deixar a História passar-lhes ao lado os protegeria dos efeitos da passagem do tempo.
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Alexandre Andrade
Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul
Relógio d'Água  17€