Diga não ao cruel comércio da morte.

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Filipa Fonseca Silva | Odeio o Meu Chefe

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Odeio o Meu Chefe»?
R- Não foi bem uma ideia, foi mais a constatação de que ,tal como eu a da da altura, muita gente estava a sofrer ou já tinha sofrido com maus chefes. Quanto mais falava do assunto, mais histórias surreais me contavam, ao ponto de começar a coleciona-las e decidir mostrá-las na forma de um cartoon.

2-Este livro pode ser considerado um livro de auto-ajuda em contexto empresarial?
R- Pode ser de auto-ajuda se considerarmos que rir é uma maneira de lidar com os abusos de certas chefias. Ou se nos consolarmos com o facto de não estarmos sozinhos nesse sofrimento. Também poderia servir de auto-ajuda para muitos maus chefes, se estes tivessem a capacidade de se ver ao espelho neste personagem que criei e que não é mais do que uma caricatura com um pouco de todos os maus chefes que protagonizaram as histórias (absolutamente reais) descritas no livro.

3-Enquanto não desaparecem, como podemos lidar com chefes que odiamos: quais os seus 3 melhores conselhos?
R- Há três estratégias que podem ajudar muito: (1) dizer que sim a tudo o que ele diz, como se faz com os malucos, e depois fazer o que achamos correcto, até porque na maioria das vezes ele não sabe o que andamos efectivamente a fazer; (2) apresentar-lhe ideias ou soluções de forma a que ele ache que foi ele que as teve e assim aprovar o trabalho; (3) fugir. Sei que não é fácil e nem sempre é possível, mas ele não vai melhorar, acreditem.
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Filipa Fonseca Silva
Odeio o Meu Chefe
Bertrand  15,50€

Filipa Fonseca Silva na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Lucília Galha | Mãe, Porque Não Gostas de Mim?

1 - Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro “Mãe, Porque Não Gostas de Mim?”?
R-A premissa que está na base deste livro tem a ver com o alegado incondicional amor de mãe, com a desconstrução de uma visão muito romântica da maternidade que ainda existe na nossa sociedade. A ideia era encontrar histórias em que este amor de mãe pode não existir e tentar explicar as razões pelas quais isto pode acontecer. Não é tão simples como existirem “boas” ou “más” mães. Quisemos, eu em conjunto com o editor, fazê-lo da perspectiva dos filhos para perceber que impacto e que consequências é que este “vazio” pode provocar na vida de uma pessoa. 

2 - Como jornalista, o que aprendeu com os testemunhos que integram este livro?
R-Que a realidade não é linear e que a bipolarização entre o “bom” e o “mau” nem sempre faz sentido. Que estas mães retratadas na terceira pessoa, pelos seus filhos, se calhar não tiveram condições para fazer melhor, para dar mais, pelas circunstâncias da sua vida. Que há mulheres que não nasceram para ser mães e não deviam ser pressionadas pela sociedade, ou pelos terceiros, para o fazerem. Que é possível ultrapassar, apesar de com muita mágoa, este vazio provocado pela falta do amor de mãe através de apoio profissional e de outras figuras importantes e que ajudem a colmatar essa lacuna.

3 - Sendo mãe, como espera que a sua filha venha a ler este livro daqui a uns anos?
R-Gosto de escrever e de reflectir sobre temas difíceis, duros, alguns mesmo tabus, porque me dão mundo, ajudam-me a pôr as coisas em perspectiva, me enriquecem enquanto pessoa e enquanto profissional. Espero que, quando tiver maturidade, a minha filha leia este livro com esta mesma visão e que a ajude também a ser e a fazer melhor. 
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Lucília Galha
Mãe, Porque Não Gostas de Mim?
Esfera dos Livros  12€

Eduardo Cintra Torres | Televisão do Século XXI

1-Durante anos, dissemos que a televisão era a caixa que tinha mudado o mundo. E hoje?
R-Foi a caixa que mudou o mundo, em quase tudo para melhor. Mas a Revolução Digital pôs em causa essa primazia. A diversificação de meios e de fontes é positiva.

2-Do seu ponto de vista, o que é a televisão do século XXI?
R-É um dos mais importantes media, o mais importante em muitas partes do mundo, embora menos nos países mais desenvolvidos. Tem uma linguagem própria e conteúdos próprios, que se libertaram dos constrangimentos técnicos (o televisor) e em parte dominam nos outros media. Muito do que se vê na Internet (que não é um media, é um meio técnico de produção e disseminação) foi pensado e produzido como conteúdos em linguagem televisiva e de acordo com os padrões anteriores dos conteúdos televisivos. Por isso costumo dizer que as pessoas que dizem que não vêem televisão, sim, vêem televisão por outros meios. Não vêem no televisor. E não só conteúdos feitos como televisão, também conteúdos de televisão mostrados em parte ou no todo noutros meios de informação e comunicação disponíveis na Internet. A luz intensa das novidades tende a obscurecer as permanências. No caso, verifica-se que a importância da televisão ainda é transversal. Diminuiu a importância das instâncias institucionais da televisão, as empresas e canais. Por exemplo, a RTP perdeu nove décimos da sua audiência em 25 anos; os beneficiários, TVI e SIC, estão a perdê-la agora, não só para o cabo, que também é TV, mas para outros e diversificados meios.

3-De certa forma, poderemos dizer que somos nós (os nossos novos hábitos e novos comportamentos) que estamos a mudar a televisão e a criar , como refere no livro, "as televisões”?
R-Sim. Os espectadores e consumidores, sendo-lhes dada a diversificação, tomam opções que alteram o panorama audiovisual. Dentro de pouco tempo (um, dois, três anos?), o poder político será confrontado com o que fazer com a RTP, por exemplo. Se o tivesse feito há doze anos ou há sete anos, como eu e outros propusemos, teria o problema resolvido. Mas o afã de controlar e de impor modelos à RTP (que esta tem apreciado) levaram à sua menorização por escolha dos espectadores.Nos operadores generalistas sabem qual é o seu destino: a irrelevância ou quase. Mas, dado que a actividade ainda é lucrativa, vão-na continuando, da mesma forma que os comboios a vapor continuaram enquanto não se alargasse a rede ferroviária eléctrica. Vão tendo de adaptar os conteúdos ao público disponível, e isso significa quase sempre afastar ainda mais os que se iam afastando dela. Procuram alargar o seu alcance através do cabo e da Internet, o que é um paliativo no que toca ao carácter dos conteúdos. A “televisão”, enquanto sinónimo de TV generalista, foi substituída, ainda sem a matar, pelas “televisões”, incluindo os conteúdos, alguns excelentes, feitos fora do enquadramento das generalistas e mesmo das de cabo. Não é que eu deseje a morte da generalista ou até das televisões, como não se deseja a morte de um parente. É apenas aceitar a realidade. O comboio a vapor é uma curiosa e nostálgica maravilha, mas só às vezes.
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Eduardo Cintra Torres
Televisão do Século XXI
Universidade Católica Portuguesa. 5€

Jorge Remondes | Marketing Highlights. O Presente e o Futuro

1 - Qual a ideia que esteve na origem deste livro “Marketing Highlights”?
R - A ideia deste novo livro de marketing em Portugal foi abordar não todas, mas 10 das áreas de aplicação do marketing mais relevantes no presente e com uma tendência crescente de importância no futuro. Tal ideia só poderia ser concretizada se desenvolvida com a colaboração de vários especialistas em cada uma das áreas, a saber, Ana Canavarro (Marketing de Retalho), António Paraíso (Marketing de Luxo), Carolina Afonso (Marketing Verde), Danuta Kondek (Marketing de Exportação), Isabel Marques (Marketing Turístico), Jorge Lopes (Marketing Cultural), Jorge Remondes (Marketing Interno), Leonor Reis (Marketing Pessoal), Paulo Madeira (Marketing Ético) e Sandra Alvarez (Marketing Digital).

2 - Como este livro comprova, o Marketing está mesmo a chegar a todas as áreas da actividade humana e das organizações. Mas, será que consegue manter um perfil ético de actuação?
R - O facto do marketing chegar a todas as áreas e organizações é uma evidência da sua importância para a gestão e profissionais. Por isso, só poderá e deverá ser ético.

3 - Que pistas lança este livro para o marketing do futuro?
R - Em cada uma das 10 áreas analisadas foram identificadas implicações para o futuro. Aqui seria demasiado extenso e moroso explanar todas as pistas, mas destaco o facto de o digital ser uma variável comum a todas as áreas de aplicação do marketing assim como a necessidade de olharmos para mercados cada vez mais vastos, sempre com uma estratégia de segmentação, branding e posicionamento adequada.
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Jorge Remondes (org.)
Marketing Highlights. O Presente e o Futuro
Chiado  17€

Férias? Sim, mais tempo para ler


As férias são um momento óptimo para recarregar baterias tanto do ponto de vista físico como intelectual. Normalmente, escolhemos livros mais ligeiros para estes dias de calor e sossego. Mas essa pode não ser a melhor opção. Se temos mais tempo e mais disponibilidade, podemos provavelmente ler livros que nos façam pensar um pouco mais e aprofundar temas que, muitas vezes, no azáfama diária do resto do ano não conseguimos.
Aqui fica uma lista de 20 livros editados este ano e que podem ser uma companhia ideal para os dias de férias. Boas férias e boas leituras!
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ENSAIOS

Rutger Bregman é o autor de um dos mais comentados livros de 2017: Utopia para Realistas. Podemos pensar que o tempo das utopias já passou. Bregman pensa exactamente o contrário: ainda há utopias pelas quais vale a pena lutar mesmo sendo realistas. O autor parte de uma base desafiante: um mundo sem fronteiras e sem pobreza. Será possível? A realidade que vivemos e conhecemos parece indicar-nos que é (mais) uma utopia. Mas Bregman mostra que é possível e cita Keynes para (nos) dar alento e vontade de também sermos realisticamente utópicos: "A dificuldade não reside nas novas ideias, mas em escapar às velhas".

John Mack escreveu um livro que para nós, portugueses, devia ser de leitura obrigatória nas escolas: Mar: Uma História Cultural. O mar faz parte da nossa história, da nossa vida e do nosso destino como povo. Mas, normalmente, não pensamos muito sobre ele ou não o estudamos para melhor o compreender. Esta obra é o livro que nos ajuda a ver o mar em múltiplas dimensões.

Marcus Du Sautoy defende que a ciência domina o mundo: "a ciência proporcionou-nos a melhor arma na luta contra o destino" e ajuda "não apenas no que toca à nossa luta pela sobrevivência, mas também à melhoria da nossa qualidade de vida". Mas terá limites? Até onde poderemos ir na busca permanente de mais e de melhor? Percorrendo várias áreas do conhecimento humano e da ciência, o autor  de O Que Não Podemos Saber coloca a hipótese de existirem matérias que não estarão ao nosso alcance. Mas o livro é uma fascinante viagem a inúmeros domínios em que a ciência faz, já hoje, a diferença.

Steven Pinker é um autor com uma vasta obra científica publicada e chega a Portugal através do seu mais recente livro: Os Anjos Bons da Nossa Natureza. Pinker é um investigador que tem pesquisado os mecanismos da mente, a linguagem, o papel da educação ou a essência da natureza humana. Neste livro agora editado, Pinker interroga-se sobre as razões porque tem diminuído a violência apesar de nós, enquanto observadores quotidianos, termos a sensação de que se passa exactamente o contrário: crime, violência, terrorismo são notícia (quase) constante. Estimulante a leitura porque interroga de forma consistente um conjunto de ideias feitas.

David Wootton e o seu livro A Invenção da Ciência contribui para uma clara e bem estruturada história da ciência: 800 páginas em que são abordados inúmeras temas que explicam não só a evolução como a realidade actual da ciência. Apresenta-se como uma "nova história da revolução científica" e, de facto, é isso mesmo.

Jean-Gabriel Ganascia faz uma introdução a um dos temas mais debatidos da actualidade: a Inteligência Artificial. O Mito da Singularidade não é um manual mas sim uma fonte de inspiração para esse mesmo debate nas inúmeras dimensões que o tema tem e para a avaliação das suas futuras consequências para as nossas vidas.

Emmanuel Todd aposta numa nova interpretação da história. O seu ponto de partida é pensar tudo numa perspectiva da longa duração dos sistemas familiares. Em Onde Estamos?, o autor procura novas explicações que não se baseiam no modelo mais tradicional da interpretação da história. Do seu ponto de vista, é nas estruturas familiares que devemos procurar novas e mais sólidas bases que nos permitam compreender o passado, interpretar o presente e pensar o futuro. 
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MEMÓRIAS

Raymond Aron é um dos intelectuais mais prestigiados que acompanhou com os seus escritos grande parte do século XX. As suas Memórias mostram-nos o seu olhar crítico e envolvido na história, na cultura e no debate político da Europa e da França. Com lucidez e com rigor, sem abdicar dos seus princípios e com um ponto de vista de quem foi, também, actor e não mero espectador.

Nelson Mandela, figura maior do século XX, escreveu vários livros de inegável importância. Acabam de ser editadas as suas Cartas da Prisão. São, ao mesmo tempo, um documento político e um testemunho pessoal (íntimo até) de alguém que ficará sempre na História e aqui se revela em múltiplas facetas. Indispensável para o conhecer.

Jaime Nogueira Pinto reeditou um ensaio (A Direita e as Direitas) e passa em revista 250 anos da história das direitas no mundo e em Portugal. Podemos dizer que já não faz sentido o debate esquerda/direita. Mas, o avanço dos populistas autoritários na Europa e a ascensão de Trump são bons motivos para pensar e compreender o contexto. Falta um livro destes que fale da(s) esquerda(s).
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GESTÃO E NEGÓCIOS

Nassim Nicholas Taleb reflecte sobre a importância do factor Sorte no mundo empresarial e no funcionamento dos mercados. O livro Iludidos pelo Acaso é um ponto de partida de alguma forma irreverente e ousado sobre algo que nem sempre estamos dispostos a aceitar como factor importante em decisões e na vida em geral.

Ryan Avent escreveu A Riqueza dos Humanos para reflectir sobre este nosso século XXI em que a evolução tecnológica está a mexer em muitas das facetas da nossa sociedade: no consumo, no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida. A incerteza é hoje uma dominante. Preocupa-nos o desconforto que sentimos quando pensamos no futuro das profissões e no emprego, no nosso nível de vida e na sua provável degradação. Este é um livro que pode gerar mais preocupação. Mas, se não pensamos nestes temas, um dia seremos surpreendidos e talvez, nessa altura, já pouco haja a fazer.

Daniel H. Pink é um nome destacado no panorama mundial e, desta vez, centra a sua atenção numa questão importante: qual o timing perfeito para tomar certas decisões ou para fazer muitas coisas. A definição do "quando" é importante e não surge do acaso. Quando resulta de uma investigação detalhada em que os contributos científicos da psicologia, da biologia e da economia tiveram uma papel essencial.

Kate Raworth parte de uma visão de economista para por em causa as bases tradicionais da economia como a conhecemos. A autora de Economia Donut constata, preocupada, que os decisores mundiais do século XXI estão a estudar hoje com base em pressupostos do século passado (ou mesmo do século XIX). A sua primeira intenção é repensar os termos em que a reflexão é feita e as matrizes que estruturam a educação e a distribuição do conhecimento. Nesse sentido, é um livro revolucionário porque aponta novos caminhos, novas ideias e procura novas respostas porque parte de perguntas diferentes. 
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TESTEMUNHOS

Michel Serres, um filósofo a escrever (e a questionar) sobre o nosso tempo e os (supostos) bons velhos tempos. Antes é que Era Bom é um ensaio e uma provocação que nos faz pensar nas diferenças efectivas que nem sempre recordamos quando dizemos com alguma nostalgia que "dantes é que era..." A nossa história mais recente nem sempre é brilhante e, por vezes, foi muito cruel, difícil e nada justa. Recordar e usar a memória com clareza ajuda muito a compreender e a valorizar os nossos dias.

Albino Forjaz de Sampaio escreveu este livro em 1926, mesmo antes da instauração do Estado Novo. Mas não pode ser considerado uma obra de propaganda embora tenha sido promovido pelo Secretariado da Propaganda Nacional. Agora, com uma distância de quase 100 anos o que podemos  ler em Porque Me Orgulho de Ser Português é um testemunho de alguém que apontava com clareza algumas das grandezas de um país e de um povo. Pode ser um texto datado mas é também um texto que podemos ler hoje com muito interesse, quando Portugal é um grande país reconhecido internacionalmente por muitos (e bons) motivos. Ter orgulho não faz mal à saúde.

Osseily Hanna viajou por diversos países em busca de projectos que, tendo a música como base, contribuem para combater a pobreza, a discriminação, a intolerância e outras formas de injustiça. Com o seu livro O Poder da Música revela um conjunto muito significativo de casos em que a música tem, de facto, um poder enorme para transformar as vidas das pessoas. 

Hermann Hesse escreveu os textos que compõem Uma Biblioteca da Literatura Universal no início do século XX e neles aborda um conjunto de ideias sobre livros, leituras, literatura e escritores. Em 1930, Hesse escreveu: "Dos muitos universos que o homem não recebeu em dom da natureza mas forjou par si próprio, extraindo-os do seu espírito, o universo dos livros é o mais vasto". Este livro é uma aproximação muito rica, profunda e diversificada desse universo.

Albert Einstein tem neste livro (Citações de Albert Einstein) uma das mais cuidadas recolhas das suas citações (da autoria de Alice Calaprice). A obra permite percorrer muitos tópicos das suas reflexões não tanto como cientista mas sim como homem do século XX, como observador muito atento do mundo e como pensador sempre estimulante sobre temas como a morte, o envelhecimento, os amigos, a música, a religião, política, ciência ou filosofia.

Yu Hua, escritor chinês, responde ao desafio de poder mostrar a China em apenas dez palavras: Povo, Líder, Leitura, Escrita, Lu Xun, Disparidade, Revolução, Raízes-de-Erva, Pirataria e Aldrabar. Como é óbvio, seria (quase) impossível retratar o imenso, diversificado e complexo país neste contexto. No entanto, com este livro ficamos com uma imagem e uma ideia da China muito forte. Yu Hua descreve de forma muito profunda a realidade, a história, a cultura e a sociedade. China em Dez Palavras é, sem dúvida, uma excelente porta que se abre e nos permite entrar num mistério que há muito intriga.
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1-Rutger Bregman, Utopia para Realistas (Bertrand: 17,70€)
2-John Mack, Mar: Uma História Cultural (BookBuilders: 18,90€)
3-Marcus du Sautoy, O Que Não Podemos Saber (Bizâncio: 22,01€)
4-Steven Pinker, Os Anjos Bons da Nossa Natureza (Relógio d'Água: 27,00€)
5-David Wootton, A Invenção da Ciência (Temas e Debates: 29,90€)
6-Jean-Gabriel Ganascia, O Mito da Singularidade (Temas e Debates: 15,50€)
7-Emmanuel Todd, Onde Estamos? (Temas e Debates: 22,20€)
8-Raymond Aron, Memórias (Guerra e Paz: 30,00€)
9-Nelson Mandela, As Cartas da Prisão (Porto Editora: 24,00€)
10-Jaime Nogueira Pinto, A Direita e as Direitas (Livraria Bertrand: 18,80€) 
11-Nassim Nicholas Taleb, Iludidos pelo Acaso (Temas e Debates: 18,80€)
12-Ryan Avent, A Riqueza dos Humanos (Bizâncio: 18,00€)
13-Daniel H. Pink, Quando (Gestão Plus: 16,60€)
14-Kate Raworth, Economia Donut (Temas e Debates: 19,90€)
15-Michel Serres, Antes é que Era Bom (Guerra e Paz: 13,00€)
16-Albino Forjaz de Sampaio, Porque Me Orgulho de Ser Português (Guerra e Paz: 12,20€)
17-Osseily Hanna, O Poder da Música (Bizâncio: 16,00€)
18-Herman Hesse, Uma Biblioteca da Literatura Universal (Cavalo de Ferro: 14,39€)
19-Albert Einstein, Citações de Albert Einstein (Relógio d'Água: 18,00€)
20-Yu Hua, China em Dez Palavras (Relógio d'Água: 17,00€)

António Eça de Queiroz | Porto vs Lisboa

1-Quando leu os textos sobre Lisboa, o que mais o surpreendeu?
R- O texto que mais me espantou realmente - porque de facto pouco ou nada sabia sobre o personagem - foi a respeito do absolutamente desnaturado Diogo Alves (e que o António Costa Santos bem cuidou de dizer que não era português, mas sim um espanhol de Lugo - a grande besta!).

2-Dez anos depois da primeira edição, teve razões e vontade de modificar o seu texto?
R- Não, apenas pequenos acrescentos - que foram feitos (só tenho pena de não ter tido a recordação de há dez anos que me apontou então um erro de "paralaxe histórica" relativamente imperdoável: no texto final da 1ª edição deste livro, "Lisboa para sempre no coração", atribuo erradamente as culpas duma certa "intervenção" centralista no Porto ao rei D. Manuel - quando de facto tal dislate foi da responsabilidade única de D. João III e seus conselheiros próximos).

3-Depois deste «combate» em forma de livro, o que recomendaria a um «tripeiro» para não perder numa próxima ida a Lisboa?
R- Lisboa tem montanhas de coisas interessantes, e não foi necessário o "combate" para eu o reconhecer... Como gosto muito de museus e jardins, aconselharia a Gulbenkian (toda), o Museu de Arte Antiga e o do Oriente, bem como o velho Jardim Botânico (embora não saiba agora em que estado é que se encontra).
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António Eça de Queiroz/António Costa Santos
Porto vs Lisboa
Guerra e Paz  15,90€

António Covas | A Grande Transformação dos Territórios


1- Qual a ideia que esteve na origem deste «A Grande Transformação dos Territórios»?
R- A ideia original do livro é mesmo a ideia de " grande transformação dos territórios" à semelhança da "Grande Transformação" um livro de Karl Polanyi de 1944, isto é, uma alteração paradigmática do modo como ocupamos e nos relacionamos com o território, ao ponto de nos referirmos à extra-territorialidade como uma das características mais importantes do nosso tempo.

2- No seu livro reúne um conjunto de artigos publicados na imprensa: qual o fio condutor que o estrutura?
R- O fio condutor é a policontextualização dessa transformação do território e que no meu livro passa por três blocos: a transformação por via da integração europeia (a contingência europeia), a transformação por via da revolução digital e a transformação por via da smartificação dos territórios, ou seja, a passagem dos territórios-zona para os territórios-rede ou como se forma a inteligência coletiva dos territórios.

3- Sendo um livro com «olhares cruzados sobre as mutações do nosso tempo», quais serão os três principais factores que mais influenciam a vida aqui no território Portugal?
R-Os três factores que mais influenciam a nossa vida são as alterações demográficas (o abandono de certas zonas do país), as alterações climáticas (alteração nos mosaicos paisagísticos), a transformação digital (alterações nos mercados de trabalho) e acrescento as vagas migratórias que irão afectar a liberdade de circulação das pessoas e o seu comportamento.
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António Covas
A Grande Transformação dos Territórios
Edições Sílabo. 14,30€   

Carlos Magdalena | O Messias das Plantas


Até onde pode ir a paixão pelas plantas? Esta é a pergunta que atravessa o livro de Carlos Magdalena, que transformou o seu entusiasmo genuíno na descoberta (ou redescoberta) de muitas espécies, algumas das quais em vias de extinção. 
Carlos viaja pelo mundo inteiro e procura conhecer como primeiro passo para a preservação. É um trabalho sem fim e que, diariamente, é posto em causa pelas alterações do clima, pela intervenção humana e por vários outros factores. 
Em cada palavra o autor coloca um misto de testemunho pessoal conjugado com sólido conhecimento das plantas em causa, do seu enquadramento num determinado território e da sua importância.
Este livro é o relato vivo e entusiasmado de um percurso singular de um homem especial. Ao mesmo tempo, é um excelente guia para o verdadeiro conhecimento do nosso planeta.

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Carlos Magdalena
O Messias das Plantas
Bizâncio  17€

Vitor Paulo Gomes da Silva l Dicionário de Gestão de Recursos Humanos

1-Qual a ideia que esteve na origem deste «Dicionário de Gestão de Recursos Humanos»?
R- O objetivo foi o de formular e organizar adequadamente os conceitos inerentes à Gestão de Recursos Humanos.

2- Na abordagem e no conteúdo: quais as novidades que o seu livro comporta?
R- O dicionário - seguindo o trilho do livro Capital Humano - contempla uma visão alargada e desmistificada da área da Gestão dos Recursos Humanos. 

3- Este é um manual universitário ou um livro de aoio a gestores?
R- É ambas as coisas: manual universitário e livro de apoio a gestores.
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Vitor Paulo Gomes da Silva
Dicionário de Recursos Humanos
Edições Sílabo  11€

Piadas à Portuguesa | É Nacional e é Muito Bom

Rir é o melhor remédio é um adágio popular que faz cada vez mais sentido. Por isso, um livro de anedotas é sempre bem vindo. Mesmo que algumas delas já tenham barbas. Ou talvez por isso mesmo. A recolha proposta em "Piadas à Portuguesa" é muito interessante pois é diversificada e intemporal. 
Há neste livro muitas anedotas que são excelentes e que comprovam que somos um povo com muito humor: um humor certeiro e com um sabor bem português.
São quase duzentas páginas que se lêem num ápice e que nos fazem, no mínimo, sorrir.
Aqui fica uma:
"-Sabe, Sr. Padre, eu nunca vou à missa
-Então porquê?
-Há la demasiados hipócritas.
-Ó homem, não se preocupe. Há sempre lugar para mais um."
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Piadas à Portuguesa: Secas, Molhadas, Inocentes e Indecentes
Guerra e Paz  11,90€

Luís M. Aires | Ensinar e Aprender Realmente Melhor

1- Qual a ideia que esteve na origem desta obra em 4 volumes (3 dedicados a professores e 1 a pais)?
R-Foi a convicção de já existirem suficientes conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro e numerosas experiências didático-pedagógicas que legitimam a aplicação na sala de aulas, e em casa, de estratégias e procedimentos de ensino mais racionais e menos intuitivos. O que sabemos acerca da atenção ou da memória oferece uma sólida e seguramente a melhor base de trabalho para compreender, melhorar e reproduzir as histórias de sucesso da até agora “arte” de ensinar. Já não faz sentido ignorar a investigação no domínio das neurociências e cognição com a desculpa ou o mito de que o cérebro é uma espécie de “caixa negra”. Como afirma P. Wolfe, «(...) quanto mais entendemos o cérebro, melhor o poderemos educar».

2- Na abordagem e no conteúdo, quais as novidades que a obra comporta?
R- No mercado editorial existem alguns (poucos) títulos em português votados a esta temática. São livros interessantes, porém, mais ao nível teórico que ao nível prático. Os livros que compõem a coleção Ensinar e Aprender Realmente Melhor, a par de uma contextualizacao teórica sucinta mas esclarecedora, apresentam (no total) perto de 1000 sugestões ou tarefas concretas, devidamente justificadas, para o ensino de numerosos tópicos dos programas oficiais de línguas, ciências e matemática do 2° e 3° ciclos de escolaridade.

3- No volume dedicado aos pais, sugere um grande envolvimento deles para o sucesso na aprendizagem: como pode isso acontecer, sobretudo quando os pais têm vidas profissionais muito absorventes?
R- Bem..., sugiro o maior envolvimento possível. A minha expectativa é que o pai ou mãe, em cada semana, realize com o educando pelo menos uma das tarefas didáticas propostas; numa semana poderá ser uma atividade de ciências, noutra uma atividade de português. Essa experiência, ao longo de vários anos, enquadrada numa maior compreensão do funcionamento dos cérebro, da memória, da atenção, permitirá quer aos pais quer aos alunos reconhecer que se encontra disponível uma abordagem educacional relativamente simples mas muito prometedora, com visível impacto no sucesso das aprendizagens escolares. Uma abordagem que os pais podem desenvolver em casa, e que devem reivindicar para a Escola do século XXI.
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Luís M. Aires
Ensinar e Aprender Realmente Melhor (2º e 3º Ciclos)
Edições Sílabo
Guia Prático para Pais: 16,50€
Guia Prático para Professores/Ciências Naturais e Físico-Química 14,30€
Guia Prático para Professores/Português e Línguas Estrangeiras 14,30€
Guia Prático para Professores/Matemática  14,30€

Luís Leal Miranda | Desdicionário da Língua Portuguesa

1- Como surgiu a ideia de escrever este «Desdicionário da Língua Portuguesa»?
R-Antes do desdicionário vieram as palavras. Uma espécie de  “no princípio era o verbo”, só que comigo eram sobretudo adjectivos e substantivos. Comecei a inventar palavras durante os tempos mortos de um emprego maçador. Quando já tinha um acervo considerável de palavras inventados criei um site onde as arrebanhava todas. A ideia, mais do que partilhar estes verbetes, era po-los todos num sítio para não os perder. Mais tarde fiz uma página de Facebook e o projecto descolou. Atingiu uma certa, como se diz agora, “viralidade” em 2015 e daí surgiram alguns convites de editoras. Acabei por publicar uma antologia das minhas palavras preferidas pela Stolen Books, quase quatro anos depois de ter iniciado o projecto. 

2- Este livro tem 218 palavras inventadas por si: qual é a que lhe deu mais gozo descobri?
R-As minhas preferidas são aquelas que surgiram por acaso, como dedegrau: “Aquele degrau que requer um passo e meio para subir ou descer”. A palavra aparece porque tinha umas escadas assim perto da minha casa, com degraus compridos, que me davam a sensação, ao subi-los, que estava a gaguejar das pernas. Mas também gosto muito das palavras que surgiram de uma necessidade real de baptizar uma coisa sem nome. Um bom exemplo disso é zulmirar: “dar um jeito à casa antes de chegar a empregada de limpeza”. Tenho um fraquinho ainda pelas palavras inventadas que não são mais do que brincadeiras com a língua. Exemplo: Deus de Ará, "divindade responsável pelo desleixo. Para apaziguar a sua ira todos os dias são sacrificados todos os dias vários assuntos importantes. O culto deu origem à expressão, “deixar tudo ao deus de ará”.

3- Pensando no futuro: já está a escrever uma nova versão revista e aumentada desta obra ou tem outros projectos?
R-Podia fazer uma versão revista e aumentada do desdicionário – tenho mais de 500 palavras escritas e continua a inventar termos e definições. Foi um hábito que ganhei. Mas neste momento estou concentrado noutros projectos: esta semana saem dois guias coordenados por mim, Time Out EN2 e Time Out Açores, e estreou recentemente um programa na RTP2 do qual sou um dos autores (Siga o Coelho Branco, domingos, 23.00). Lá para Setembro vou lançar uma micro-editora com pequenos livros e tiragens muito limitadas chamada Livraria Plutão.
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Luís Leal Miranda
Desdicionário da Língua Portuguesa
Stolen Books  13,99€

Júlio Henriques | Flauta de Luz - Revista


1-O que é o projecto da revista «Flauta de Luz»?
R- A ideia que preside a esta iniciativa consiste em fomentar um diálogo subversor da lógica imanente ao presente sistema imperial, que é o império da mercadoria e da redução dos seres humanos a coisas quantificáveis. Como digo no mais recente número editado, esta revista pretende estabelecer relações críticas entre dois sinais profundamente contrários visíveis no mundo contemporâneo: por um lado, a resistente permanência das ancestrais culturas indígenas (a mais importante minoria mundial, cerca de 370 milhões de pessoas, também presente na Europa) e, por outro, o destravado desenvolvimento da sociedade industrial como superorganismo tendencialmente totalitário.

2-Apesar de haver uma identidade, a revista acolhe nas suas páginas textos muito diversos: é essa a sua matriz estruturante?
R- A diversidade que notou espelha a multiplicidade das acções de resistência ao mais frio dos monstros que ocorrem no mundo contemporâneo, em todos os continentes. Este monstro, o Estado, resulta da simbiose entre as forças ditas governativas, que detêm o monopólio da violência, e as corporações empresariais que se apropriam, simultaneamente, dos corpos humanos, a que se chamam «recursos humanos», expressão criada pelo nazismo, e do corpo vivo da Terra. Dada a variedade das acções em causa, que abarcam a resistência, prática e teórica, em contextos urbanos, rurais e silvestres, a sua expressividade é necessariamente diversa.

3-No recente Nº 5 (Abril de 2018), quais os temas em destaque?
R- Embora a correlação entre tudo o que se publica nesta revista, incluindo as ilustrações, seja estrutural, não havendo pois aqui uma hierarquização temática, destacaria neste número as colaborações brasileiras, mexicana e quebequense sobre a actualidade do movimento indígena, os ensaios de autores portugueses sobre a crítica da cultura industrial e tecnicista (Ana Marques, Jorge Leandro Rosa, Álvaro Fonseca, António Cândido Franco, Maria de Magalhães Ramalho, Paulo Barreiros), o trabalho de fundo – o primeiro publicado entre nós – do jovem cineasta Pedro Fidalgo sobre a dimensão estratégica do vitorioso movimento de oposição ao aeroporto de Notre Dame des Landes, em França, o ensaio da feminista curda Dilar Dirik sobre a pujante (e grandemente censurada) revolução social em curso em Rojava, a longa entrevista com Anselm Jappe sobre «Emancipação ou barbárie», e ainda o ensaio de John Zerzan sobre os ludditas e os seus herdeiros no mundo presente.
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Flauta de Luz – Revista (Nº 5-Abril/2018)
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