Diga não ao cruel comércio da morte.

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Inês Lourenço | O Jogo das Comparações


1-O que representa, no contexto da sua obra o livro “O Jogo das Comparações”?
R- É uma sequência mais maturada, suponho, das temáticas da minha poesia, ao longo dos livros já publicados. Como digo num poema deste “Jogo”, “um poema é sempre uma pergunta/sem resposta”. Assim, quanto mais afastados são os sentidos das palavras, mais apetece conjugá-los. E andar de interrogação em interrogação. Alguém disse que “a poesia é a coincidência dos opostos”. Que talvez seja impossível no real, mas que é possível no texto poético. Assim estas minhas comparações quase sempre incomparáveis.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Como acabei de afirmar, as comparações incomparáveis, que   em poesia se realizam através da metáfora, que é a rainha de todas as comparações, pois alia duas áreas semânticas muito diversas. O livro tem ainda mais dois ciclos de poemas sob o signo das “coisas mínimas”, como “teias” e “pequenas pátrias”.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Sempre tenho o vício de andar a engendrar verbalizações fora do senso-comum. Há sempre projectos para um outro livro, seguindo ou não um roteiro prévio. Assim se passa, neste momento, com um livro em construção. Tenho igualmente o intuito de voltar às micro-ficções com uma nova edição revista e aumentada de “Ephemeras”, que saiu na Companhia das Ilhas em 2012, em pequena tiragem, já esgotada.
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Inês Lourenço
O Jogo das Comparações
Companhia das Ilhas, 12€

Madalena de Castro Campos | La Mariée Mise à Nu


1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “La Mariée Mise À Nu”?
R- Um livro é um livro que é só um livro. São palavras amalgamadas pela história, espartilhadas pela gramática e pelas convenções, mas que só vivem na história, na gramática e nas convenções. Este livro, com título tomado a Marchel Duchamp, é o espaço possível entre despir-me no meio da rua e morrer incógnita numa cama de hospital. Talvez seja as duas coisas.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Fome, frio e solidão. Se eu confiasse suficientemente nas palavras, o livro teria sido prescindível, teriam bastado as três anteriores. Se confiasse suficientemente na carne, teria prescindido mesmo dessas três. Não confio nem nas palavras nem na carne. Escrevo sob ameaça. A primeira, que as palavras dos outros já tenham dito tudo. A segunda, que as palavras dos outros não tenham dito nada e que, por isso, nada haja a esperar delas. A terceira, que eu possa, a qualquer momento ser desmascarada como impostora da língua. Esforço-me por o ser.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Nada. O mesmo que nos outros dias. Escrever à noite para apagar pela manhã, escrever pela manhã para vomitar à noite. Não é metafórico.
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Madalena Castro Campos
La Mariée Mise À Nu
Companhia das Ilhas, 12€

Início, meio e fim

Um livro sobre início, meio e fim – necessariamente nesta ordem. É o que trata a obra “Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas”, do escritor carioca Paulo Ouricuri. Contudo, não necessariamente me refiro ao que costumamos imaginar quando pensamos em início, meio e fim. Porque o quarto livro de poesias de Paulo Ouricuri não aborda o nascer, o crescer e o morrer, mas as relações que estabelecemos, e como as conduzimos, enquanto nascemos, crescemos e morremos.
A obra reúne 71 poemas divididos em três capítulos distintos, porém intimamente entrelaçados: a esfera íntima, a social, e a espiritual. A primeira fala sobre o início, a relação do homem com seu mundo interior, e todas as suas nuanças e becos sem saída. A segunda refere-se ao meio, o homem em contato com a sociedade, e suas contradições e conflitos. A terceira cita o fim, isto é: a relação do homem com o espiritual, e sua conexão com a divindade cristã. Três esferas que delimitam estados diferentes da experiência humana, mas que, ao final, fazem parte de um todo maior.
“Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas” é uma reflexão obstinada sobre nossos tempos modernos, e nossa relação com os episódios que nos marcam, seja interna ou externamente; real ou virtualmente; imaterial ou concretamente. E neste contexto, o papel da religião e da espiritualização enquanto protagonista/antagonista de nossas vidas.
Paulo Ouricuri é autor das obras poéticas “A Triste História do Índio Juca” (2011, Editora Biblioteca 24horas), “50 Sonetos Reunidos” (2013, Editora Multifoco) e “A Poesia nos Poentes do Silêncio” (2014, Editora Novo Século). Através deste último selo também lançou, paralelamente ao seu quarto livro de poesias, seu primeiro livro de contos, “A Confissão e Outros Contos Cariocas”. E todas as suas obras, apesar de publicadas em épocas diferentes, trazem uma característica em comum: um texto denso e complexo, ainda que leve, simples e acessível.
Além disso, Paulo Ouricuri passeia por uma infinidade de temas e abordagens, sem medo nenhum de sair de sua zona de conforto, assumindo abertamente as referências que moldaram sua literatura, e expondo-se através dela. As três esferas de Paulo Ouricuri também estão reveladas em sua obra; seu início, seu meio, e seu fim.
Pessoalmente, eu gosto disso. Enquanto leitora que sou, me encanta encontrar nos livros que leio mais do que histórias estabelecidas em cima de estruturas prontas, que somente percorrem os caminhos que já foram abertos e asfaltados. Gosto, realmente gosto, de livros em que o autor deixou mais do que palavras no papel. Que mostram que, naquela obra, ficou uma parte de quem a escreveu.
Por esta razão recomendo a leitura não só da obra “Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas”, mas também dos demais livros do autor, que podem ser encontrados nas principais lojas e livrarias virtuais do país.
Valem cada página.
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Paulo Ouricuri
Da Eloquência das Lápides e Outros Poemas
Talentos da Literatura Brasileira

Cristina Rocha | Fragmentos

1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “Fragmentos”?
R- Este livro representa a continuidade do meu primeiro livro de poesia erótica, sendo que, este tem uma escrita mais madura, resultado do meu crescimento enquanto pessoa e escritora.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Resulta na escolha de poemas eróticos, escritos ao longo do tempo, sendo que outros poemas ficaram de fora por não se enquadrarem no tema. Como já houve uma primeira experiência com o livro "De Corpo e Alma...", as escolhas já são mais conscientes relativamente ao caminho que se pretende percorrer.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- ​N​e​ste​ momento,​ estou empenhada na promoção e venda do livro.​ Continuo a escrever,​ poemas, e tenho aproveitado ​a musicalidade de alguns ​para letras ​de ​música, que fazem parte do reportório de um projecto musical que tenho vindo a desenvolver.
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Cristina Rocha
Fragmentos
Paciência de Elefante, 10€

Luís Serra | Aeroplano de Asas Partidas


1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “Aeroplano de Asas Partidas”?
R- Muito francamente, não me parece que tenha “uma obra”. Prefiro dizer que escrevi uns livritos de cordel e um poema que se transformou num cartaz. E foram publicados graças ao acaso e à imensa generosidade da Fernanda Frazão, da editora Apenas-Livros, e do Luís Henriques, do atelier de tipografia e edições O Homem do Saco. Este último livro, que é uma antologia, representa uma tentativa, não sei se bem-sucedida, de separar as boas fotografias das polaróides toscas.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia de fazer uma antologia foi do Carlos Alberto Machado, da editora Companhia das Ilhas. Aproveito para lhe agradecer a confiança. E acho que nunca é demais louvar a coragem dos editores independentes como o Carlos. Neste livro (e nos outros) o que eu queria era conseguir estar à altura de um dos conselhos do Marquês de Sade: «não ponhas a tua palidez naquilo que escreves».

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estou a escrever uma grandiosa obra de poesia que irá obrigar o Harold Bloom a rever o seu Cânone Ocidental
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Luís Serra
Aeroplano de Asas Partidas
Companhia das Ilhas, 10€

Inês Lourenço | O Segundo Olhar

1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “O Segundo Olhar”?
R- Trata-se de uma escolha de textos realizada e posfaciada pelo poeta José Manuel Teixeira da Silva, segundo os veios temáticos que privilegiou na minha poesia, focando assim as linhas de força que definem um dizer.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Numa pequena nota introdutória, na edição referida, assinalo que em 2015 se perfizeram 35 anos sobre a data de publicação do meu primeiro livro de poesia (1980), dando-se a feliz coincidência de poder realizar este livro com dois poetas: um poeta-editor, Carlos Alberto Machado e um poeta–antologiador, José Manuel Teixeira da Silva. Igualmente esteve na minha predilecção a escolha de uma editora insular e independente, qualidades, que quer pela prática quer pela simbologia, muito prezo. 

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Tenho para publicação um livro inédito de poesia, que só a morte inesperada de Vítor Silva Tavares da editora & etc, obstou a que já tivesse vindo a lume. Um novo conjunto de micro-ficções, a exemplo de Ephemeras, está igualmente, em gestação, para além de diversificadas colaborações em livros colectivos que me solicitaram para este ano.
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Inês Lourenço
O Segundo Olhar
Companhia das Ilhas, 14€

Luís Bento | Avessos

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro “Avessos”?
R-Avessos é, sem dúvida, um marco importante na minha escrita. Mais que o tijolo de uma obra é a trave mestra que, espero, venha a suportar um edifício de maior envergadura, o incentivo que me faltava para não parar e continuar a evoluir na escrita. Avessos, para além de ter sido o mais importante prémio literário que tive o privilégio de receber, representa a vontade de uma comunidade em trazer coisas novas ao panorama cultural, dar liberdade às palavras, aos autores e com isso, dar a conhecer a própria comunidade. Essa é, em ultima análise, a grande mais-valia de ser parte integrante deste projecto de escrita.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-Como tive oportunidade de comentar noutro espaço estava demasiado parado em termos de produção literária. Publicava pequenos textos e crónicas no blog e faltava-me o combustível para seguir viagem. Concorrer ao Prémio literário da União de Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova foi a ideia base deste livro. Reuni alguns textos que reconstruí, construí outros de raiz e reuni-os com uma ideia comum: tirar a trela às palavras e ver que caminho seguiam, que rumo tomavam e se, porventura, nos levavam a descobrir o avesso da vida, que esta, vista pelo lado de fora, tem andado muito confusa…

3-Pensando no futuro, o que está a escrever neste momento?
R-Neste momento estou a escrever ainda que às prestações, um romance. Uma viagem pela memória, um passado que aparece sorrateiramente para nos desarrumar a ordem natural das coisas. Uma história que se desenrola em forma de roteiro, uma espécie de guião onde cada um, munido da razão e do conhecimento procura descobrir um caminho que, embora idêntico para todos, corre a diferentes velocidades. Uma mulher morre num campo de centeio, um homem aparece enterrado na praia apenas com a cabeça e o pescoço de fora à mercê da maré, outro homem acorda em sobressalto, de madrugada, quando um homem de negro lhe bate à porta, com um jogo de xadrez debaixo do braço para disputar uma partida. Traz consigo a oportunidade de lhe limpar a memória e oferecer-lhe uma nova vida, mas sem termo de comparação com a anterior. A história é o pano de fundo para se comentar a revolução, a oportunidade e o desejo, a fragilidade das relações, a vontade e a inércia face à necessidade de se sobreviver à insignificância e a força necessária para se aceitar uma liberdade que nunca vem de borla. Enfim, um projecto ambicioso que pretendo terminar o quanto antes.
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Luís Bento
Avessos
Lugar da Palavra

(Prémio de Poesia da União das Freguesias de Fânzeres e São Pedro da Cova/2015) 

José Manuel Teixeira da Silva | Música de Anónimo

1- O que representa, no contexto da sua obra, o livro "Música de Anónimo"?
R- “Obra” é um termo, neste caso, excessivo. É uma questão de proporção, basta apenas pensar, por exemplo, na “Obra Breve” de Fiama ou na “Obra Inacabada”de Fernando Echevarría e, como sabemos,  com Herberto Helder a Poesia é Toda, mas sempre de cada vez. Diria antes:  deslocações, desvios, derivas, também fixações, tentativa e erro. Neste contexto, “Música de Anónimo” tem uma particularidade: reúne poemas escritos entre 2001 e 2009, que ficaram para trás em termos de publicação (anteriores aos de “Anima” e “O Lugar Que Muda o Lugar”, livros publicados na Língua Morta). Se a poesia tem alguma vocação para questionar cronologias, fins e começos definitivos, neste caso o fio do meu tempo pessoal, que vale apenas o que vale, enredou-se um pouco mais.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Digamos que escrevi estes poemas para compreender que ideia possa ser essa. Talvez o título seja uma espécie de senha ou palavra- passe, à falta de melhor: nestes poemas procura-se alguma coisa que sobrevive entre o mais pleno e o mais escasso, faces apenas da mesma matéria do mundo – isto é, música e puro anonimato. No fascínio pelo sempre outro, nos trabalhos e nos dias, no diálogo com as vozes alheias. Mas terei escrito estes poemas por achar que dizer coisas como estas não me bastava.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Estou a trabalhar em dois ciclos poéticos; gostava, por exemplo, de terminar uma pequena colecção de ficções/prosas e continuar a traduzir a poeta irlandesa Sinéad Morrissey. São apenas exemplos, mas vêm à frente por alguma razão.
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José Manuel Teixeira da Silva
Música de Anónimo
Companhia das Ilhas, 9€

Fátima Vivas | Chuva de Poemas

1- "Chuva de Poemas" é uma obra de estreia: como espera poder olhar para este livro daqui a 20 anos?
R- Olharei para "Chuva de Poemas" com muito carinho. Espero poder pensar que foi apenas o começo de uma viagem, durante a qual ganhei leitores e o direito a dar à luz outros livros. O conjunto de poemas que o compõe foi reunido com o objetivo de mostrar algo, sem mostrar tudo. Deixei campo largo de outras possibilidades, e sobretudo espaço para crescer. O espólio que existe (e não cessa de aumentar) dá-me serenidade e garantias.


2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A  ideia que esteve na origem do livro foi sobretudo o querer que aquilo que escrevo seja lido. É a razão que me move. Foi necessário fazer um investimento. Ainda não vendi livros suficientes para deixar a linha vermelha. Com sorte, conseguirei reaver a verba inicial. E com muita sorte, um dia, verei o primeiro pagamento dos meus direitos de autora.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Hoje escrevi três poemas. Serão sempre o grosso do meu trabalho. Mas também escrevo contos e crónicas. Enfim, tenho dificuldade em ultrapassar as quarenta páginas de escrita. Não me imagino a escrever um longo romance. Primeiro, porque não aprecio o género. Segundo, porque certamente perderia pormenores pelo caminho. Sou apreciadora de textos curtos e expressivos. Preservo a minha própria coerência. Não pretendo aventurar-me por áreas em que não me sinto confortável.
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Fátima Vivas
Chuva de Poemas
Chiado Editora

ANA LUÍSA AMARAL no "Porto de Encontro"

A poesia está de regresso ao “Porto de Encontro”, com sessão marcada para 22 de Novembro, às 17h, na Casa das Artes.


No próximo domingo, a poesia regressa ao “Porto de Encontro”. A XL edição deste ciclo de conversas com escritores é dedicada a Ana Luísa Amaral, e tem lugar na Casa das Artes (Porto).
Com E Todavia, a mais recente obra da poeta, em destaque, esta sessão conta com a participação de Isabel Pires de Lima, professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e ex-ministra da Cultura, sendo também de realçar a exibição de um excerto de um documentário, ainda por estrear, realizado por Nuno F. Santos. As habituais leituras serão asseguradas por Emília Silvestre.

De sublinhar que o próximo “Porto de Encontro”, o último de 2015, tem já convidado especial escolhido e data marcada: Bruno Vieira Amaral, o mais recente vencedor do Prémio Literário José Saramago, no dia 13 de dezembro (local a anunciar atempadamente).

Cristina Rocha | De Corpo e Alma...


1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “De Corpo e Alma”?
R- É o meu primeiro livro de poesia erótica que aborda vários temas, alguns do quotidiano, sob um manto erótico que recria várias ideias.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Gosto de escrever, observar, pensar. Escrevo poesia erótica desde os 17 anos e comecei por ler livros sobre a condição da Mulher na sociedade, erotismo, psicologia e antropologia e percebendo a influência que a sexualidade tem na nossa vida, assim como a importância do prazer para uma vida saudável. A forma como vivemos é muito condicionada pelas múltiplas mensagens sexualizadas que muitas indústrias exploram e que nós enquanto sociedade absorvemos. E ainda, a nossa predisposição para o sexo que permite que estejamos disponíveis para procriar, logo para evoluirmos enquanto espécie.

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- O segundo livro já está escrito, estando em fase de revisão e segue a mesma linha erótica.
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Cristina Rocha
De Corpo e Alma
Chiado Editora, 12€

Guilherme Pires | ELSINORE: "AUTORES QUE URGE DESCOBRIR"

1-Como descreve o projecto editorial que está na génese da Elsinore?
R-Na génese da Elsinore está a convicção de que existe lugar no meio editorial português para uma editora literária de qualidade, cujo fio-de-prumo é a publicação de títulos que são referências e autores que urge descobrir. A Elsinore é a mais recente chancela da 20|20 Editora, um dos grupos editoriais portugueses mais jovens (temos apenas seis anos), porém extremamente ambicioso e com um percurso de crescinto constante e êxitos sucessivos. Somos já uma das cinco maiores editoras generalistas portuguesas, no conjunto das cinco chancelas que compõem a nossa estrutura: Booksmile (livros para crianças), Vogais (não-ficção comercial generalista), Nascente (espiritualidades e autoajuda), Topseller (ficção comercial) e, claro, Elsinore (ficção e não-ficção literárias).

2-Em termos de géneros ou áreas temáticas, quais vão ser as principais apostas da editora?
R-A Elsinore não tem fronteiras de género, região, época ou tema. Publicaremos sempre livros que consideremos relevantes, de qualidade literária inatacável; publicaremos autores novos, promissores, e escritores de carreira já firmada cuja obra precise de chegar aos leitores portugueses; publicaremos tanto em ficção como em não-ficção. Nestes primeiros sete meses da vida da Elsinore publicámos desde autores novos e promissores até escritores premiados com o Nobel da Literatura. Entre os primeiros estão Andrés Barba, considerado pela Granta como um dos melhores ficcionistas contemporâneos em língua espanhola, com o livro Na Presença de Um Palhaço; Atticus Lish, com o elogiadíssimo Preparação para a Próxima Vida; ou Phil Klay, com Desmobilizados, uma estreia que recebeu críticas positivas unânimes e venceu o National Book Award. No segundo caso, orgulhamo-nos de ter já duas autoras Nobel da Literatura: Pearl S. Buck, cujo livro, A Eterna Demanda, inaugurou o nosso catálogo; e Svetlana Alexievich, que recebeu ontem esta distinção, cuja obra-prima, Vozes de Chernobyl, publicaremos em 2016.

3-Para os próximos meses, que títulos ou autores têm em carteira para surpreender e conquistar os leitores portugueses?
R-Ainda é cedo para anunciar as novidades da Elsinore para 2016; contudo, podemos avançar já dois ou três destaques. Como já referi, publicaremos Vozes de Chernobyl, a obra-prima de Svetlana Alexievich, Prémio Nobel da Literatura 2015; editaremos Depois do Fim, uma obra que terá tudo para se tornar um livro de referência no campo da História dos conflitos armados, escrita por Paulo Moura, um dos melhores jornalistas portugueses, cujo trabalho é consensualmente considerado como importantíssimo para o jornalismo literário português, especialmente na cobertura das guerras do final do século xx e princípio do século xxi. Publicaremos também um romance extremamente desafiante e que foi elogiadíssimo pelos críticos mais exigentes, como James Woods: Uma Rapariga é Uma Coisa Inacabada, obra da irlandesa Eimear McBride, que será, estamos convictos, uma das autoras europeias mais importantes das próximas décadas. Daremos também seguimento à publicação da obra de J. G. Ballard, com a edição de Crash, uma das suas obras-primas.

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www.elsinore.pt

Ana Margarida Chora | Diadema


1 - O que representa, no contexto da sua obra, o livro “Diadema”?
R - Diadema representa uma síntese de interesses estéticos, literários e culturais. E digo estéticos, porque combina o revivalismo das tendências literárias do Simbolismo (do final do século XIX, início do século XX) com a Art Nouveau e a Art Déco, que inspiraram as ilustrações, que são também da minha autoria. Falo de interesses literários, pois esta obra remete para referências de autores e temas em voga na Belle Époque, que foi uma época riquíssima em termos literários e em que a literatura esteve muito próxima de outras artes, nomeadamente as visuais e performativas. E também culturais, uma vez que o contexto cultural se revela bastante complexo. Há que conhecer um pouco a época inspiradora para se poder apreciar a obra Diadema. E se não se conhecer, Diadema é um singular ponto de partida. Sou medievalista e também orientalista, desenvolvendo actividades artísticas paralelas, pelo que a Belle Époque, que desenvolveu o gosto burguês pelo Oriente e proporcionou o desenvolvimento dos estudos medievais, me suscitou uma particular atenção. Antes de Diadema, publiquei a obra poética Janela sobre o Tempo que, embora diferente, já marca algumas destas observações estéticas que Diadema prossegue. Para além disso, tenho obra académica publicada, na área da literatura, designadamente a obra Lancelot – do mito feérico ao herói redentor, e muitos artigos científicos que constituem registos de um trabalho que se constrói com materiais que visam a solidez e a diversidade.

2 - Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R - Contrariamente à maior parte dos livros de poesia, Diadema obedeceu a um projecto temático, não sendo, por isso, uma mera compilação de poemas. Sentia-me profundamente ligada à Belle Époque e à sua estética, por aquilo que ela envolveu em tudo o que é do meu interesse: o retorno à Idade Média, o Orientalismo, as artes visuais e performativas e a sua ligação não só aos temas como à própria estética literária. Já Janela sobre o Tempo havia contado com as minhas ilustrações. Mas desta vez os desenhos foram feitos propositadamente tendo em vista as temáticas dos poemas a que se referem. Por isso há uma grande unidade nesta obra em termos estéticos.
Os diademas eram acessórios das actrizes e bailarinas das artes performativas da Belle Époque, tanto do teatro como da ópera e do music hall.  Eram maioritariamente inspirados na arte bizantina e indicavam a nobreza, o poder e a beleza das personagens que os usavam. Para mim, “diadema” significa uma coroação da união das várias artes e daí a ideia de usá-lo como título, como capa e como tema poético, confirmando a teatralidade subjacente à concepção da obra.             

3 - Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R - Neste momento encontro-me a redigir alguns textos de carácter académico da minha especialidade (Literatura Comparada), cujas investigações tenho em curso. Tenho a minha tese de Doutoramento por publicar (na área da literatura arturiana) e essa é uma tarefa que se impõe. A poesia vai surgindo simultaneamente nos intervalos e nas imediações de tudo isto, ou seja, tanto nos espaços livres que surgem como em planos de proximidade relativamente às demais escritas.
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Ana Margarida Chora
Diadema
Chiado Editora, 12€

Amélia Militão | Emoções


1- O que representa, no contexto da sua obra o livro “Emoções”?
R- "Emoções" tal como o nome indica, fala de sentimentos, de estados de alma que me identificam em determinados momentos da vida. A poesia tem-me acompanhado sempre ao longo da vida. É ela que melhor retrata aquilo que sou.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Trata-se de um segundo livro de poesia e espero que não seja o último. Quando se tem cá dentro esta vontade de dizermos o que sentimos, difícil é não partilharmos com os outros estas "Emoções".

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Continuo a escrever poesia. Publiquei no entanto, um livro de histórias "histórias mal contadas"". Estou a dar os últimos retoques num livro de memórias e tenho na forja um romance. Não consigo parar, tenho de escrever para poder libertar as minhas emoções.
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Amélia Militão
Emoções
Elefante Editores, 8€

André Lamas Leite | Por Fios e Adesivos


1- O que representa, no contexto da sua obra o livro "Por Fios e Adesivos"?
R- Comecei publicamente a escrita de textos não-jurídicos, neste caso poéticos, com “Breviário”, em 2007, editado pela “InLibris” e, cinco anos depois, surge este “Por Fios e Adesivos”, da “Edium Editores”. Tanta coisa mudou na minha vida ao longo do período que separa estes dois livros que sou já verdadeiramente outro. Daí que hoje veja o meu primeiro livro com aquele sorriso nervoso e carinhoso de quem sabe que tinha de começar por algum lado, mas que hoje faria tudo ou quase tudo de uma forma diferente. Escrever é também reescrever. Neste caso, assim o foi sobretudo. O “Por Fios e Adesivos”, ao invés do “Breviário”, aborda o tema mais universal, complexo e tradicional da Poesia: essa “coisa” a que chamamos “Amor”. Encaro, assim, o segundo livro como uma parte marcante do meu processo de crescimento como pessoa e aprendiz de poeta.

2- Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-Vivo com uma pulsão quase diária para a escrita, pelo que vou acumulando poemas à medida dos estados de espírito. Desse processo nasceram alguns que seleccionei e julguei adequados a uma explanação de “Eros” nos seus múltiplos rostos. A utilização de várias línguas visa assinalar a universalidade do Amor e das questões que ele convoca. Pretendi estruturar os poemas em função das habituais “fases” por que todos passamos nesse processo. Tal como quase tudo nas nossas vidas, o Amor é também um processo, sujeito a vicissitudes que o animam e/ou o condenam à morte. Escrevi este livro como processo catártico e por me saber sempre acompanhado por tantos seres que, como eu, apenas aceitam uma regra: independentemente das consequências, nunca desistir!

3- Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Continuo dependente da minha necessidade de escrita de poemas, sem regras, sem “agendas” pré-definidas. Para além disso, participei entretanto da “Antologia da Moderna Poética Portuguesa”, da “Seda Publicações” e da antologia de contos “A Magia das Chaves”, das “Edições Vieira da Silva”, projecto que muito me sensibilizou pela notável coordenação de um grupo de amigos à cabeça dos quais esteve Maria Isabel Loureiro, conhecida escritora de literatura infanto-juvenil, bem como pelo facto de os direitos de autor reverterem a favor da “ACREDITAR – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro”. Gostava de deixar aqui o apelo à compra deste livro, sobretudo pela meritória causa que apoia. Como quase todos nós, alimento o sonho de escrever um pequeno romance. Já tenho alguns inícios possíveis… É um projecto ainda muito incipiente, mas veremos no que se transforma!
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André Lamas Leite
Por Fios e Adesivos
Edium Editores

Ricardo Gil Soeiro | Bartlebys Reunidos



1 - O que representa, no contexto da sua obra, o livro Bartlebys Reunidos?
R – Trata-se do segundo volume de uma tetralogia que, neste momento, estou a escrever, intitulada Tetralogia de uma Poética Palimpséstica e que é constituída por quatro volumes (que assentam nos mesmos moldes formais): presentemente, estou a trabalhar no Volume III: Comércio com Fantasmas [Para uma Epistolografia Espectral] e no Volume IV: Anjos Necessários [Para uma Angelografia do Desejo]. O meu objectivo é reunir no futuro os quatro volumes num único livro que intitularei de “Palimpsesto”. É-me muito cara a ideia da escrita poética enquanto retraçar do traço, sublinhando as múltiplas camadas de que se faz um texto. No fundo, a ideia de uma tessitura poética fertilmente assombrada por um labirinto de outras escritas. E o que é a poesia senão esta riqueza de múltiplas vozes, múltiplas mãos? A escrita, dando conta da impossibilidade do apagamento absoluto, aponta para esse resto espectral cujo frémito ainda estremece.

2 - Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R – O livro baseia-se na figura criada por Herman Melville, no conto Bartleby, the scrivener (1853): o escrivão Bartleby que, a cada solicitação ou ordem, se limita a retorquir: “Preferiria não o fazer.” Visa, fundamentalmente, interrogar poeticamente a pulsão negativa e a atracção pelo nada, tal como esta se desenha no labirinto da literatura do Não (aqui inspirei-me no romance híbrido Bartleby & Compañia, da autoria do escritor catalão Enrique Vila-Matas). Imaginando múltiplos Bartlebys, cada poema encena a problemática da desistência literária, inspirando-se para o efeito em diversas obras de referência (na poesia, na filosofia, no teatro e na pintura) que espelham a renúncia da escrita. Daí o subtítulo que acompanha a obra: “Para Uma Ética da Impotência”. Creio que o livro ganha em ser lido à luz desta unidade conceptual, mas cada poema pode igualmente ser perspectivado individualmente: a minha esperança é a de que o leitor se sinta seduzido e tentado pela singularidade de diferentes vozes e pelos distintos tons que se sucedem. Essa rede polifónica parece-me decisiva, não só para quem lê, mas também para quem escreve: a convicção segundo a qual o sujeito escrevente, ao tomar a palavra poética, se heteronomiza, se torna Outro. É desta forma que procuro explicar o meu fascínio crescente pelas metamorfoses, pelos simulacros, pela “verdade das máscaras”, na formulação de Nietzsche. Interessa-me ameaçar a própria ideia de representação, transgredir a sua lógica mimética. Talvez assim se torne possível, parafraseando Victor Stoichita na sua magnífica obra O Efeito Pigmalião: Para uma Antropologia Histórica dos Simulacros, fazer explodir o texto, ferir o olhar. Esse é o objectivo impossível, mas profundamente necessário.

3 – Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R – Neste momento, estou a trabalhar na tetralogia, como referi. Mas estou também a terminar aquilo que designo por “Díptico sobre a Palavra Absoluta” (2013-2014) e que é constituído por dois livros, ligados entre si: Painel I: A rosa de Paracelso [poema longo] e Painel II: ‘Ultima Verba’. Tratado das Confidências [ficção]. Agrada-me muito esta ideia de séries ou de volumes que, valendo por si mesmos (quando considerados individualmente), ganham uma maior amplitude e riqueza formais, quando perspectivados em ligação uns com os outros. De resto, já havia feito algo semelhante aqui há alguns anos com as Partituras do Ofício (2011), constituído por dois livros: Ciclo I - Labor Inquieto [poesia] e Ciclo II - Constelações do Coração (seguido de Filosofia Portátil) [crónica autobiográfica seguida de série poética].
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Ricardo Gil Soeiro
Bartlebys Reunidos [Para uma Ética da Impotência]
Deriva Editores, 11,50€

Ricardo Gil Soeiro | Da Vida das Marionetas


1 - O que representa, no contexto da sua obra, o livro Da vida das marionetas?
R – É um livro bastante importante, uma vez que constitui o primeiro volume de uma tetralogia que, neste momento, estou a escrever.

2 - Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R – Este livro, centrando-se sobre a figura da marioneta, visa interrogar poeticamente a problemática da animação do corpo inanimado e as respectivas implicações na representação da ipseidade e da alteridade. Cada poema encena um aspecto das múltiplas “vidas” da marioneta, inspirando-se para o efeito em diversas obras de referência (na literatura, no cinema, na filosofia, na música e na pintura) que reflectiram sobre a ressonância simbólica da marioneta e com as quais o presente volume enceta um fértil diálogo: de Hoffmann a Pizarnik, de Valéry a Rilke, de Philip Roth a Landolfi, passando pela filosofia de Kleist, pela música de Gounod, pela pintura de Paul Klee e de Giorgio de Chirico e pelas obras fílmicas de Bergman, Kitano ou Klarlund.

3 – Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R – Neste momento estou a escrever a tetralogia que mencionei anteriormente: “Tetralogia de uma Poética Palimpséstica”. É um trabalho ambicioso que procura dar eco à reflexão que tenho desenvolvido em torno da noção de palimpsesto e da palavra poética. A minha poesia não é senão isso: um tacteante canto sobre os seres e as palavras que os soletram. E é a partir desse intervalo inominável entre objecto e palavra que emerge uma pintura de sombreados, interrogando as intermitências do mistério surdo da linguagem. Procuro entrelaçar o júbilo da existência com a incompulsável dor que a morte significa: e, assim, os meus poemas vão hesitando entre o fulgor da plenitude poética e a melancolia de nos sabermos enigmas indizíveis. Trata-se de um labor inquieto que se plasma em múltiplas máscaras e metamorfoses: alfabetos de astros que se cruzam com caligrafias do espanto, inusitadas paisagens povoadas por marionetas de papel e anjos necessários, um teatro de sombras onde desfilam incontáveis Bartlebys que, obsessivamente, se declaram desistentes, ao mesmo tempo que continuam a alimentar a ilusão de recriar uma rosa pela palavra.
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Ricardo Gil Soeiro
Da Vida das Marionetas [Para uma Dramaturgia do Corpo Inanimado]
Edições Húmus