Diga não ao cruel comércio da morte.

A apresentar mensagens correspondentes à consulta Fernando Correia ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta Fernando Correia ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

Fernando Correia | O que Eu Sei de Mim

1. Qual a ideia que esteve na origem desta autobiografia?
R- Comemorar os meus 60 anos de comunicação, na rádio, imprensa e televisão, deixando ao mesmo tempo uma visão histórica daqueles anos, sobretudo 60 e 70, com toda a envolvência da censura, do estado novo, da ditadura, da ânsia de liberdade. Ao mesmo tempo contar alguns episódios verídicos da minha carreira que me ajudaram a crescer profissionalmente e a ter uma outra visão do Mundo. Também percebo que este seja, ao mesmo tempo, um livro de vida. 

2. Dos 60 anos de carreira profissional, consegue escolher o episódio mais marcante, que que mais o impressionou?
R- Sem dúvida as reportagens de guerra e morte (sem sentido) vividas em Angola durante 4 meses no início do ano de 1961 e também a partida dos barcos para as Colónias repletos de soldados que não sabiam muito bem ao que iam e o regresso dos contingentes militares que tinham outra missão: a de entregar às famílias os corpos dos companheiros mortos.

3. E agora, Fernando: o que espera do futuro?
R- Enquanto tiver voz quero continuar a fazer rádio e televisão. Vou escrever mais e mais, enquanto a mente me ajudar. Por enquanto sinto-me um homem sem idade que quer ser útil à vida.
__________
Fernando Correia
O que Eu Sei de Mim (Autobiografia)
Guerra e Paz   13,90€
Fernando Correia na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Fernando Correia | E Se Eu Fosse Deus?

1-Como surgiu a ideia de escrever este livro "E Se Eu Fosse Deus"?
R-Sou um homem de causas e preocupado com a forma como o mundo está a evoluir no sentido de desprezar valores e de estabelecer uma vala cada vez maior entre os que têm muito e os que precisam muito. Sob o ponto de vista humano e sociológico é fundamental contribuir, de forma visível, para que as desigualdades sejam menores. O livro “e se eu fosse Deus?” vai exactamente nesse caminho de alerta e prevenção para ser possível diminuir as desigualdades sociais. Os direitos humanos não podem ser, apenas, uma figura de retórica. É preciso dar expressão ao que se pensa e estabelece nos lugares de decisão mundiais.

2-Qual a realidade das ruas de Lisboa que descobriu com o Henrique, o protagonista desta obra?
R-Henrique existe e, com ele, muitos outros Henriques que andam sem destino pelas ruas e pelos recantos de Lisboa. Henrique é um idealista e um sonhador, mas ele próprio demonstra ser um homem de causas sempre preocupado em ajudar quem está pior do que ele. Henrique, por tudo o que fez, por tudo o que me ensinou, por tudo o que disse, pela sua filosofia de vida está, certamente, muito mais próximo da abstração Deus do que qualquer de nós, porque a corporizou, porque acredita num Ser superior, porque percebe que é quase nada perante a grandeza do Universo. No fundo, Henrique é uma lição de vida que deve ser entendida.

3-Escrever um livro como este é, certamente, algo que mexe com o autor: o que se passou consigo?
R-Aprendi, ou reaprendi, a viver sabendo que não estou sozinho e que devo partilhar o que tenho, o que penso e o que posso fazer com os meus semelhantes. Sinto que sou um ser humano diferente e que tenho, agora, muito mais preocupações do que tinha, com aqueles que necessitam do apoio e da ajuda de todos nós, a começar pelas autarquias e a acabar no governo central. E falo assim porque as Juntas de Freguesia e as Câmaras Municipais estão muito mais próximas da realidade.
__________
Fernando Correia
E se Eu Fosse Deus?
Guerra & Paz  15,90€

Conta-me como foi… nos jornais

A chegada de novas tecnologias ao quotidiano da informação, com novos paradigmas na comercialização de jornais, espaços radiofónicos e televisivos, pôs os jornais no foco dos noticiários. Será que sobrevivem à Internet?, é uma das perguntas recorrentes. Acresce o facto de as matérias relacionadas com a comunicação, seja na vertente institucional, seja na de massas, não esquecendo espaços entretanto abertos à circulação de dados e opiniões, se terem tornado objecto de estudo a nível universitário, com licenciaturas, mestrados e doutoramentos em quase tudo o que é ensino superior português.
O facto leva a uma velha pergunta: há alguma área que volte as costas ao seu passado, mais que não seja para aí procurar o seu código genético, sem prejuízo no aclaramento dos seus objectivos, dos problemas e defeitos, dos novos caminhos que sempre foi preciso encontrar – nomeadamente quando os impulsos tecnológicos ditaram transformações profundas no modo de fazer, de difundir e atingir os alvos?
A nível universitário tem reinado o desinteresse pela historiografia da imprensa (leia-se comunicação social) portuguesa. As matérias respeitantes ao seu passado – na acepção mais aberta – são afloradas superficialmente, salvo algumas teses de mestrado e doutoramento, ou de modo igualmente avulso, em trabalhos de avaliação em cadeiras curriculares. E, ao que se sabe, o desconhecimento da actividade jornalística na prática, passada e presente, é predominante. Com pasmo, nem sempre é preciso avançar para a realidade recente (quanto mais remota…): mesmo o contexto actual é frequentemente ignorado.
Curiosamente, há um espólio que se perde face a essa indiferença, ressaltando arquivos de jornais que se somem (muitas vezes vão para o lixo), homens da área que morrem e levam com eles as suas memórias (de jornalistas a administradores, incluindo governantes que tutelaram a informação).
Dois investigadores universitários têm dedicado parte do seu labor, nos últimos anos, à investigação de um passado não muito longínquo da imprensa portuguesa. De facto, Fernando Correia e Carla Baptista dão seguimento, no seu recente Memórias vivas do jornalismo, a um trabalho que já teve primeiro balanço em Jornalistas. Do ofício à profissão e visa “fazer a história das condições de exercício da profissão em Portugal, através de entrevistas a jornalistas desse tempo" [década de 60 do século XX].
Uma época que, constataram os dois também docentes universitários, trouxe “mudanças importantes nos modos de pensar, sentir e fazer jornalismo”, que traduzem e contradizem “o quadro histórico em que ocorreram e é por isso que olhar para as formas internas de laboração jornalística, em vez de apenas recolher os seus despojos mortos (os jornais velhos), constitui uma fascinante porta de entrada para aceder à compreensão de uma época”. Em suma, trata-se de anos que “consideramos decisivos para a própria construção da profissão”.
As conclusões tiradas deste conjunto de entrevistas com 17 jornalistas veteranos (alguns deles entretanto falecidos) são diversas. Em suma, dizem os autores, em Introdução: “Forjado em fogo lento, em convívio com várias culturas profissionais (desde os tipógrafos aos ardinas e aos administradores que se conheciam e iam à redacção), os jornalistas formados nas décadas de 60 e 70 preservaram – pelo menos tanto quanto a Censura o permitia – os desafios mais humanos que a profissão encerra: a capacidade de escolher o notável, atribuir o sentido às coisas que passam, narrar com desenvoltura e rigor, viajar no mundo e aí retratar factos e pessoas”.
Uma janela, como se percebe, que se abre para o entendimento do que desde então se passou, com o fim do salazarismo, a ascensão e queda do marcelismo, o 25 de Abril e a Revolução que talvez não tenha sido na informação, até aos dias de hoje. Sim, quando são aplicados novos dispositivos tecnológicos e outras perspectivas económicas, e emergem quadros com mais formação teórica em situação de liberdade, o conhecimento desses tempos talvez seja de grande utilidade.
E não só para os profissionais deste ofício. A condição de leitor concede a todos o direito de saber como se faz a informação, as razões de determinadas escolhas, a nível editorial como organizacional. Sim, porque tal como dantes, mesmo quando as empresas jornalísticas não dão lucro são presa apetecível dos poderes – políticos, económicos, religiosos, e tudo o mais. Um livro não para especialistas, portanto.
__________
Fernando Correia & Carla Baptista
(Fotografias de Alexandra Silva)
Memórias vivas do jornalismo
Editorial Caminho, 25€

Grandes Clássicos da Língua Portuguesa

1-Como surgiu a ideia de organizar esta antologia de pequenas histórias dos grandes clássicos?
R- Sempre gostei muito de literatura, e embora tenha formação em Filosofia, sempre me interessei pelas duas coisas, que procuro conciliar. Dentro da literatura, gosto especialmente de histórias, que me façam sonhar e criar mundos de imaginação. Por falta de tempo não poderia ler todos os romances destes escritores, mas as pequenas histórias são uma forma de aceder a esses escritores. Por outro lado, tenho tido uma certa experiência com a aorganização de antologias, por isso pensei em fazer também uma de pequenas histórias de autores portugueses. Atualmente as pessoas andam muito entretidas com autores que estão na moda, autores mediáticos, e que certamete não ficarão na História da Literatura, e considero uma lacuna no conhecimento das novas gerações, o conhecimento dos autores clássicos. Penso que é importante conhecer também os clássicos, pois é uma forma de tomarmos maior consciência da nossa identidade cultural e de  mergulharmos um pouco mais nas nossas raízes.

2-Quais os critérios que presidiram à escolha dos 25 autores e dos seus contos?
R- O principal critério já foi referido na resposta anterior, isto é, tinham que ser autores clássicos. Esta forma de texto literário (que geralmente se denomina "conto", mas que, conforme eu explico no prefácio do livro, não é exactamente a mesma coisa), só surgiu no século XIX, e foi a partir daí, até mais ou menos à primeira metade do século XX que eu procurei as histórias escritas por esses autores. De entre os clássicos, e dado que não é sobre autores contemporâneos, não havia muitos autores, pois houve muitos autores que escreveram apenas poesia ou romances, e não pequenas histórias. Mas dentro das pequenas histórias seleccionadas, o critério foi também o considerar que essas histórias tinham qualidade literária. Há também a referir que procurei como critério que algumas dessas pequenas histórias fossem das mais conhecidas e populares desses escritores, como por exemplo "O suave milagre", de Eça de Queirós. Finalmente, é de referir o critério da variedade, isto é, procurei diversos temas, e em vez de serem por exemplo histórias de Natal, de amor, de  terror, etc, houve a preocupação de procurar e seleccionar uma variedade de temas. Através deste livro não apenas a variedade de temas, como também literária e estilística.

3-Pensando no futuro: tem em preparação mais antologias ou obras pessoais?
R- Estou a aguardar a publicação de um novo livro, uma obra de ensaio que escrevi, sobre a dicotomia público-privado, e que vai ser publicado ainda este ano, na editora Almedina. Estou a preparar mais dois livros. Um deles é sobre a política em Fernando Pessoa (autor pelo qual me interesso em todas as suas várias facetas, e pretendo no futuro investigar outros temas em Fernando Pessoa). Estou a preparar outro livro, que está a ser muito interessante e absorvente (que interrompi apenas para responder a estas perguntas, e na qual vou pegar de novo assim que acabar de responder a estas perguntas). Trata-se de uma tradução que estou a fazer de poemas satíricos do Cancioneiro Medieval Galaico Português. Estão publicado, mas em Galaico-Português, um português arcaico, misturado com Galego, e portanto ainda não estão traduzidos  em Português, que é o que eu estou a fazer (uma selecção de entre os poemas satíricos). O tema é muito interessante, e vai ser uma grande revelação para o público português, ao descobrir que a Idade Média afinal não é tão "santa" como se pensa. É uma sensação muito interessante esta viagem até à Idade Média, ao estar a traduzir poemas do século XIII, e o seu carácter satírico tem-me causado boa disposição, assim como causará em quem os ler.
__________
Vários Autores, Pequenas Histórias dos Grandes Clássicos da Língua Portuguesa
(Organização: Victor Correia)
Guerra e Paz  16,50€