Diga não ao cruel comércio da morte.

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MANUEL S. FONSECA


Manuel S. Fonseca nasceu em 1953. Fundou e é o editor principal da Guerra e Paz. Publicou vários livros: uns enquanto autor (Revolução de Outubro: Cronologia, Utopia e Crime) ou como editor-crítico (Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, o Mein Kampf, de Adolf Hitler e o Pequeno Livro Vermelho, de Mao Tsé-Tung). Além da sua actividade editorial, escreve semanalmente no jornal ExpressoAnteriormente, esteve ligado à Cinemateca Portuguesa, à RTP 2, à SIC e foi produtor cinematográfico na Valentim de Carvalho Filmes. 
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1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Estar sentado num fim de tarde de Verão, na mesa um fino estarrecedoramente gelado e um prato de jinguba. E Deus sentado, ali ao lado, sendo certo e sabido que Deus é Amor e só Amor.
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- É só meio: a minha filha; a outra metade do feito é da minha mulher.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- Ter conseguido atrasar um voo na placa do aeroporto de Nice jurando ao telemóvel que estava mesmo a chegar vindo de Saint Tropez. 
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Komé que é, meu kamba?
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Uma certa bonomia.
6.O seu pior defeito? 
R- Levar muito a mal quando levo a mal.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Ter desaparecido o bairro colonial de Luanda da minha adolescência. Seria injusto, prenhe de conflitos e descriminação, mas era tão exaltante nas suas misturas de cheiros, de culturas e de ideais.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- Conversar um dia com um ressuscitado Joseph Conrad. Ele pode vir com o fato imaculado de Lord Jim.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O 10 de Junho de 1977, estava Jorge de Sena a discursar, no Dia de Portugal. Nem era bem o que eu ouvia, era mais a mão que estava na minha mão.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- A da Ordem da Jarreteira: Honni soit qui mal y pense.
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Vizinho de Paul Gauguin nas ilhas dos Mares do Sul.
12.Qual a sua cor preferida? 
R-  Vermelho, rojo, red, rouge, rosso.
13.Qual a sua flor preferida? 
R- Rosas. 
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Águia. Que liberdade! (faço notar que é o único ponto de exclamação das minhas 30 respostas).
15.Que compositores prefere? 
R- Quase todos, mas agora apetecia-me ouvir Pachelbel. O Canon.
16.Pintores de eleição? 
R- Picasso. É tão simples.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Pelo amor deles a outros mil escritores que também amo, Jorge Luis Borges.
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Larkin e Herberto. Ou talvez Herberto e Larkin. Olhe. Não sei bem.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A torrencial generosidade de serem meus amigos.
20.Quais são os seus heróis? 
R- O meu pai, pela bondade; a minha mãe, pela inteligência discreta.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- O odioso Ethan, que John Wayne incarna em The Searchers. Por ser uma figura de redenção.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Churchill: não fez revoluções, louvado seja Deus.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- Já morreram: o senhor Alberto e o senhor Gil, funcionários da Cinemateca no tempo de João Bénard. Incarnavam a vida como ela era. A pensar neles há um véu de nostalgia que me tapa com pudor os olhos.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A sensibilidade.
25.E numa mulher? 
R- Um grão de virilidade.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- O da cíclica reincarnação.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R- Uma indolência inteligente e produtiva. 
28.Como gostaria de morrer? 
R- Ainda vivo.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Alguém que gostasse de estar sentado num fim de tarde de Verão a beber um fino gelado e a comer um prato de jinguba. 
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Ama e faz o que quiseres.
Manuel S. Fonseca na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Manuel S. Fonseca | O Pequeno Livro dos Grandes Insultos

1-Como surgiu a ideia de escrever este seu livro «O Pequeno Livro dos Grandes Insultos»?
R- Escrevi, por amor à fala e às palavras da amada cidade de Luanda, um Pequeno Dicionário Caluanda. Ora, depois dessa degustação tropical, veio-me aos sentidos que os sons mais bonitos e as combinações mais imaginativas, por isso mais penetrantes, são as dessa linguagem que se aventura pelos territórios do tabu, ou seja os mais obscenos palavrões, os insultos que fazem correr uma cortina de vergonha pela cara de qualquer um. Estava dado o mote para fazer um livro, ou melhor, uma declaração de amor aos grandes insultos e aos mais nobres palavrões.

2-Sendo um livro pequeno em tamanho, sente-se que houve um pesquisa minuciosa: o que mais o surpreendeu nesse processo?
R- Houve uma onda de amizade. As contribuições chegaram-me de todos os amigos, do recôndito Oriente ao Canadá, passando pela nobre e invicta cidade do Porto. A Guerra e Paz, todinha, e em particular a equipa editorial, deu um precioso contributo, e o miúdo malcriado que descobri ainda existir nesta minha velha carcaça, o adolescente de Luanda, santinho em casa e desbragado na rua, ressuscitou em todo o seu vernacular esplendor. Sim, também houve uns livros pelo meio.

3-Depois de lermos este seu livro, em que estante o devemos arrumar: junto das enciclopédias, dos livros de humor, dos livros de auto-ajuda, dos manuais de negociação ou dos livros inclassificáveis?
R- Este é um livro que nos põe a saltar o coração e nos acaricia dois bons palmos mais abaixo – a que lugar da estante é que isso corresponde? Acho que talvez seja melhor levar este livro para a mesinha de cabeceira. Afinal, está provado, o palavrão é mais do que comunicação, é um processo de interacção directa com os centros de emoção de qualquer ser humano. Uma só classificação: paixão.
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Manuel S. Fonseca
O Pequeno Livro dos Grandes Insultos
Guerra e Paz  13,50€

Manuel S. Fonseca na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Manuel S. Fonseca | Revolução Russa: Cronologia, Utopia e Crime

1-Como surgiu a ideia de escrever um livro sobre a Revolução de Outubro?
R- O factor essencial foi a comemoração dos 100 anos. Foi essa a primeira motivação do editor que sou. A motivação do autor, que também sou, foi a da percepção que hoje temos de que a Revolução de Outubro mudou completamente o mapa da Europa: a Rússia abandonou o seu processo de integração económica e política no espaço europeu, e a Revolução de Outubro é também responsável pela maior crispação social e política que dará origem na Alemanha à ascensão de Hitler e à II Guerra.

2-Na pesquisa realizada, identificou factos novos ou factos que agora ganham outro significado e importância?
R- O meu livro é confessadamente uma síntese do que os historiadores e as revelações que vieram da abertura dos arquivos soviéticos já disseram. A única vantagem que o meu livro apresenta é que é um livro de divulgação em português e que, nessa qualidade, é um livro que põe em causa a versão heróica que os comunistas continuaram a popularizar. No essencial, sublinho no meu livro que a Revolução de Outubro é um golpe de estado de um grupo minoritário e que é um golpe contra uma possível coligação de esquerda, eliminando os partidos de esquerda maioritários que visavam a criação de um sistema parlamentar e democrático.

3-Qual o papel que a Revolução de Outubro desempenhou na história do século XX europeu?
R – A Revolução de Outubro é, se quisermos, um Brexit avant la lettre. É o triunfo do populismo e forneceu a base a muita intelectualidade europeia para justificar, e pretensamente legitimar, as suas tendências antidemocráticas. No entanto, e como acontece a todos os populismos, milhões de seres humanos encontraram também na ideia de revolução comunista uma esperança de mudança e de realização de um mundo melhor. Dramático é que essas esperanças não tivessem substância e tenham sido amargamente defraudadas por um totalitarismo repressivo, um dos mais ferozes que a História guarda.
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Manuel S. Fonseca
Revolução Russa: Cronologia, Utopia e Crime
Guerra e Paz  27€