Diga não ao cruel comércio da morte.

A apresentar mensagens correspondentes à consulta josé Saramago ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta josé Saramago ordenadas por data. Ordenar por relevância Mostrar todas as mensagens

Nobel para Saramago: 20 anos depois


A Fundação José Saramago tem um programa completo para assinalar os 20 anos da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao autor de Memorial do Convento.
Lisboa, Lanzarote e Azinhaga são três espaços privilegiados para acolher diversas iniciativas. Será ainda lançado um livro inédito: o Último Caderno de Lanzarote, o diário de José Saramago no ano que se seguiu ao Nobel.
Além disso, esta efeméride pode e deve servir para servir de estímulo à leitura dos livros de José Saramago que pode encomendar aqui.
__________
WEB: Fundação José Saramago

VALTER HUGO MÃE


Valter Hugo Mãe nasceu em 1971, em Angola. Vive há muitos anos em Portugal. É autor de mais de 30 livros repartidos por ficção, poesia e livros infantis. 
A sua obra já recebeu várias distinções, com destaque para Prémio Almeida Garrett (1999), Prémio Literário José Saramago (2007) e Grande Prémio Portugal Telecom de Literatura Melhor Romance do Ano (São Paulo, 2012).
Tem uma licenciatura em Direito e fez uma pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Depois de vários anos de ausência na escrita poética, o seu último livro é uma antologia pessoal da sua própria poesia.
Para além da literatura, participou activamente na fundação das editoras Quasi Edições e a Objecto Cardíaco. Dirigiu a revista Apeadeiro. Dedica-se ao desenho (primeira exposição individual em Maio de 2007) e, na música, participou no grupo Governo.
Apresenta um programa de entrevistas no Porto Canal.
___________________
1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Breves instantes em que não nos trocaríamos por nada de ninguém. 
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- A capacidade de amar alguém.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- A generosidade por vezes demasiada.
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Obrigado.
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Saber esperar.
6.O seu pior defeito? 
R- A ingenuidade.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Ter perdido a esperança em algumas pessoas de quem gostei mais do que devia.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- Escrever sempre um livro melhor.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O dia de nascimento do meu primeiro sobrinho.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- Fia-te na Virgem e não corras.
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Poderia passar por muitas casas, muitas terras em muitos países. Mas a minha casa é entre família e amigos. Estar em Vila do Conde é contingência da felicidade possível.
12.Qual a sua cor preferida? 
R- Amarelo forte.
13.Qual a sua flor preferida?
R- Buganvília.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- O cão. O meu cão chama-se Crisóstomo. É um rafeiro muito adormecido e fiel.
15.Que compositores prefere? 
R- Bach, Vivaldi, Brahms, Mahler. Não posso esquecer também Wagner e Rachmaninoff. 
16.Pintores de eleição? 
R- Bosch, Rembrandt, Bacon.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Lautréamont, Kafka, Camus, Lispector.
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Rimbaud, Girondo, Herberto, Gamoneda, Luís Miguel Nava, Sharon Olds.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A fidelidade.
20.Quais são os seus heróis? 
R- Os capazes da generosidade.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Adoro o Gregor Samsa. Adoraria tê-lo inventado.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Cristo.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- Luther King e Mandela. Impressionam-me muito.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A estabilidade.
25.E numa mulher? 
R- A estabilidade.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- O de curar.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R- A generosidade.
28.Como gostaria de morrer? 
R- Sem o saber.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R - Pai, avô. 
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Um dia vai ser melhor.


Valter Hugo Mãe na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

BRUNO VIEIRA AMARAL


Bruno Vieira Amaral nasceu em 1978. Já com várias obras publicadas, é uma das novas vozes de referência no panorama da literatura portuguesa. O seu romance de estreia, As Primeiras Coisas, foi um sucesso: Prémio de Livro do Ano da revista TimeOut, Prémio Fernando Namora, Prémio PEN Narrativa e Prémio Literário José Saramago. Seguiram-se: Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa (2013) e Aleluia! (2015). Em 2017, regressou ao romance com Hoje Estarás Comigo no Paraíso. Mais recentemente, editou Manobras de Guerrilha
____________________
1.O que é para si a felicidade absoluta?
R- Um domingo de sol.
2.Qual considera ser o seu maior feito? 
R- Ter lido o Dom Quixote.
3.Qual a sua maior extravagância? 
R- Dar-me ao luxo de não ler. 
4.Que palavra ou frase mais utiliza? 
R- Pois.
5.Qual o traço principal do seu carácter? 
R- Insubmergibilidade.
6.O seu pior defeito? 
R- O destempero.
7.Qual a sua maior mágoa?
R- Não saber desenhar.
8.Qual o seu maior sonho? 
R- O de uma noite de Verão.
9.Qual o dia mais feliz da sua vida? 
R- O de uma excursão à Figueira da Foz, quando tinha cinco anos, com a minha avó e a minha mãe.
10.Qual a sua máxima preferida? 
R- Carpent tua poma nepotes. (Os teus descendentes colherão os teus frutos.)
11.Onde (e como) gostaria de viver? 
R- Onde os meus me possam encontrar e onde os outros não saibam como chegar.
12.Qual a sua cor preferida? 
R-  Azul.
13.Qual a sua flor preferida? 
R-  Orquídea.
14.O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Cavalo.
15.Que compositores prefere? 
R- Debussy.
16.Pintores de eleição? 
R- Cézanne.
17.Quais são os seus escritores favoritos? 
R- Nelson Rodrigues.
18.Quais os poetas da sua eleição? 
R- Manoel de Barros.
19.O que mais aprecia nos seus amigos? 
R- A distância.
20.Quais são os seus heróis? 
R- Os desconhecidos.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Raskolnikoff, Dom Rigoberto, Dr. Bernard Rieux.
22.Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Silva Porto.
23.E qual é a sua personagem favorita na vida real? 
R- “Manberras”, poeta, autor do poema O Bico de Lacre.
24.Que qualidade(s) mais aprecia num homem? 
R- A coragem e a prudência.
25.E numa mulher? 
R- A prudência e a coragem.
26.Que dom da natureza gostaria de possuir? 
R- Ser tempestade.
27.Qual é para si a maior virtude? 
R- O amor.
28.Como gostaria de morrer? 
R- A olhar o assassino nos olhos.
29.Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser?
R- Gostaria de ser fogo.
30.Qual é o seu lema de vida? 
R- Ama e faz o que quiseres.

Bruno Vieira Amaral na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

10 Sugestões para este Natal


O Natal é uma época de compras e os livros ainda são uma prenda incontornável. Há-os para todos os gostos e as zonas de Destaques das livrarias estão repletas de dezenas e dezenas de novidades. Depois, ainda temos sempre os best-sellers e os clássicos. E os autores de referência. Portanto, o difícil só poderá ser a escolha. Aqui destacamos alguns dos livros que merecem uma oportunidade no mar de opções.


_____FICÇÃO PORTUGUESA
Gonçalo M. Tavares assinala os 10 anos de uma tetralogia marcante com uma nova e cuidada edição de O Reino, reunindo num só volume quatro romances: Aprender a rezar na Era da Técnica, A Máquina de Joseph Walser, Um Homem: Klaus Klump e Jerusalém. Estes quatro volumes receberam vários prémios e são algumas das melhores obras escritas por este autor: Grande Prémio Romance e Novela da APE, Prémio Fundação Inês de Castro, Prémio Fernando Namora do Casino Estoril, Prémio Portugal Telecom (Brasil), Melhor Livro Estrangeiro (França), Prémio Melhor Narrativa Ficcional da SPA, Prémio Belgrado Poesia (Sérvia), Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália), Prémio Portugal Telecom (Brasil) e Prémio Literário José Saramago. Saber Mais
Sandro William Junqueira continua um percurso sólido e consistente na mais recente ficção portuguesa. Este é o seu quarto romance. Surpreendente.
Teolinda Gersão é uma exímia contista e este livro traz-nos 14 histórias que se lêem de um fôlego. Com um estilo próprio e uma imaginação sempre viva.
_____
1. Gonçalo M. Tavares, O Reino (Editorial Caminho: 45,90€)
2. Sandro William Junqueira, Quando as Girafas Baixam o Pescoço (Editorial Caminho: 14,90€)
3. Teolinda Gersão, Prantos, Amores e Outros Desvarios (Sextante: 14,40€)
Entrevista


_____CRÓNICA
Ricardo Araújo Pereira apresenta a mais recente recolha das suas crónicas: Reaccionário com Dois Cês. Um novo livro mas o estilo e a qualidade da prosa são inconfundíveis. Leitura obrigatória (ou releitura para quem acompanha semanalmente este autor).
_____
4. Ricardo Araújo Pereira, Reaccionário com Dois Cês (Tinta da China: 15,90€)


_____FOTOGRAFIA
Inácio Ludgero e Mário Soares. O fotógrafo acompanhou o estadista durante quarenta anos. Neste livro mostra algumas fotografias de momentos marcantes: políticos, pessoais e familiares. Uma viagem em imagens pela vida de uma das figuras mais marcantes da história contemporânea de Portugal. Além das fotografias, o livro inclui textos de José Jorge Letria, Eduardo Lourenço e Guilherme d'Oliveira Martins.
_____
5. Inácio Ludgero, Soares Sempre Fixe! (Guerra & Paz: 22€)


____HISTÓRIA
Laurence Rees escreveu um extenso e consistente livro sobre e o holocausto em que conjuga testemunhos e uma bem documentada investigação. A qualidade do trabalho torna esta obra uma das mais profundas, completas e esclarecedoras sobre este período negro em que a Europa viveu sob um regime de horror.
____
6. Laurence Rees, Holocausto. Uma Nova História (Vogais: 29,99€)


_____ARTE
Picasso é uma referência incontornável da arte mundial. Ponto. Manuela France escreveu um livro sobre as dez invenções mais importantes do artista. Para conhecer Picasso e descobrir alguns dos traços mais significativos da sua imensa obra.
Para os mais novos, uma excelente e divertida introdução à história da arte num estilo animado tendo por base um conjunto de respostas consistentes a perguntas surpreendentes como a que dá título ao livro: porque tem a arte tanta gente nua? Susie Hodge responde com humor e rigor.
_____
7. Manuel France, As 10 Invenções de Picasso (Bizâncio: 15€)
8. Susie Hodge, Porque Tem a Arte Tanta Gente Nua? (Bizâncio: 15€)


_____BIOGRAFIA
Benjamin Franklin escreveu a sua autobiografia que é, além de uma história pessoal, uma história de uma época. Além de ser um dos líderes da Revolução Americana, o que surpreende é a infindável lista de actividades, causas e intervenções deste personagem.
Casanova é quase um mito da história europeia, conhecido pelas inúmeras conquistas. mas, no século XVIII, foi um actor importante e este século pode agora ser revisitado pela mão sábia de Laurence Bergreen, autor de uma biografia extensa e muito rica.
_____
9. Benjamin Franklin, Autobiografia (Edições Sílabo: 15,40€)
10. Laurence Bergreen, Casanova (Bertrand: 24,40€)
_____
Mais sugestões de Natal

MANUEL JORGE MARMELO: 20 Anos de Livros


Manuel Jorge Marmelo comemora este ano 20 anos sobre a edição do seu primeiro livro: O Homem que Julgou Morrer de Amor, obra que hoje considera "um primeiro passo, titubeante e pouco firme". Mas este livro foi uma porta que abriu uma carreira recheada de bons livros e vários prémios. 
Jornalista de profissão, o autor afirma que a ficção lhe dá prazer e que os primeiros livros surgiram apenas "pela simples necessidade de fazer coisas e de provar a mim mesmo que era capaz". 
_____________________________

P-Passaram 20 anos sobre o seu primeiro livro. Olhando para trás, como vê essa sua primeira obra?
R- Vejo-a como um primeiro passo, titubeante e pouco firme, do percurso literário que tenho, depois disso, tentado percorrer. Mas era muito novo, tinha 24 anos quando publiquei O Homem que Julgou Morrer de Amor. Dez anos depois, quando me propus reeditá-lo, percebi o quanto tinha sido capaz de evoluir desde essa primeira tentativa e, por isso, senti-me obrigado a alterar bastante o texto inicial, melhorando-o e aprimorando-o.

P-Como conseguiu publicar? Teve muitas recusas antes da edição?
R- Não. Tive apenas uma recusa, curiosamente da Quetzal, editora com a qual hoje publico. Depois dessa recusa soube do aparecimento de uma nova editora no Porto, a Campo das Letras, à qual levei o original. Tive a sorte de eles estarem a preparar o lançamento de uma colecção dedicada aos novos autores portugueses e acabei por ser o primeiro escritor a ser publicado nessa colecção. Depois disso houve um verdadeiro boom de surgimento de novos autores.

P-Conseguiu imaginar, nessa altura, que poderia tornar-se um dos autores premiados e de referência em Portugal?
R- Não. Nem sequer pensava nisso. Queria apenas escrever ficção, na medida em que era uma coisa que me dava prazer e pela qual eu sentia alguma apetência e curiosidade, desde logo enquanto leitor. Os meus primeiros livros surgiram todos assim, pela simples necessidade de fazer coisas e de provar a mim mesmo que era capaz.

P-De todos os livros que escreveu, tem algum preferido? Qual?
R- Essa é uma pergunta impossível de responder. Quando está a ser escrito, cada livro é merecedor da total dedicação do autor. De outro modo, não chegaria a existir. Mas, quando está terminado, o livro seguinte, ou a ideia do livro seguinte, acaba por concentrar a atenção e a preferência do autor. O livro preferido é sempre o próximo, aquele que ainda é só um germe de livro e que a inépcia (ou as limitações) do autor ainda não prejudicaram.

P-O facto de ser jornalista teve uma grande importância para a construção da sua escrita?
R- Claro que sim. O jornalismo diário, a que me dediquei profissionalmente entre os 18 e os 40 anos, permitiu-me fortalecer o músculo da escrita, tornando-me mais capaz de adequar as ferramentas da língua às ideias, sensações e situações que quero transmitir nos livros.

P-Leituras: autores que o tenham influenciado?
R- São muitos, provavelmente todos os livros que li e de que gostei, e mesmo, se calhar, alguns dos que não gostei. Escreve-se sempre encavalitado sobre uma pilha de livros de outros autores, todos muitos diferentes uns dos outros e, às vezes, aparentemente inconciliáveis. O que há de comum, por exemplo, em José Rodrigues Miguéis e Julio Cortázar? Quase nada. Entre Rubem Fonseca e, por exemplo, Jorge Amado, García Márquez ou Saramago? A mesma coisa, muito pouco. Mas, de algum modo, todos contribuíram para a formação do autor em que me vou transformando.

P-Se pudesse, que livro de outro autor gostaria de ter escrito?
R- Provavelmente todos aqueles de que gostei muito. E são tantos.

P-No seu processo criativo, trabalha em vários livros ao mesmo tempo ou prefere começar e acabar um antes de passar a outro?
R- Trabalho num livro de cada vez e quase sempre a muito custo. Excepto durante o período de quase dois anos em que estive desempregado, tenho de conciliar a literatura com o trabalho e com a vida familiar, com as idas ao supermercado e a cozinha. Sucede muitas vezes que a tentativa de fazer avançar um livro, ao fim do dia, acabe por ser uma de luta desigual contra o sono e o cansaço.

P-Quais são, actualmente, os seus projectos? O que está a escrever?
R- Entreguei um original à editora há algumas semanas e estou à espera de saber o que lhes pareceu. Mas talvez ainda tenha de lhe dedicar algum trabalho para estar realmente pronto. Depois disso espero retomar um projecto com alguns anos.

P-Como se vê, enquanto escritor, daqui a 20 anos?
R- Espero continuar a escrever, a ter ideias e motivação para escrever, e vontade de continuar a tentar fazê-lo um pouco melhor.
__________
Manuel Jorge Marmelo
WEB: www.manueljorgemarmelo.com

Bruno Vieira Amaral no último “Porto de Encontro” de 2015

Domingo, 13 de Dezembro (17h, na Casa das Artes) realiza-se a 41ª edição do “Porto de Encontro”, a última de 2015. 
O convidado é o escritor Bruno Vieira Amaral, distinguido há poucas semanas com o Prémio José Saramago. 
A conversa será moderada, como habitualmente, pelo jornalista Sérgio Almeida, e as leituras serão da responsabilidade de Ana Celeste Ferreira.
Bruno Vieira Amaral nasceu em 1978. Formado em História Moderna e Contemporânea pelo ISCTE, é crítico literário, tradutor, bloguer (“Circo da Lama”) e autor de Guia Para 50 Personagens da Ficção Portuguesa e Aleluia.
Em 2002, uma temerária incursão pela poesia valeu-lhe ser selecionado para a Mostra Nacional de Jovens Criadores. Colaborou no “DN Jovem”, revista “Atlântico” e jornal “i”. Atualmente colabora com a revista “Ler” e é assessor de comunicação das editoras do Grupo Bertrand Círculo.
O seu primeiro romance, As Primeiras Coisas, foi considerado livro do ano em 2013 para a Revista “Time Out” e foi distinguido com o Prémio PEN CLUBE Narrativa, Prémio Literário Fernando Namora e Prémio Literário José Saramago 2015.
Desde Novembro de 2011, o Porto de Encontro” já promoveu sessões com autores como Gonçalo M. Tavares, Luis Sepúlveda, Richard Zimler ou José Tolentino Mendonça que, no seu conjunto, atraíram mais de 12 mil espectadores.
__________
Mais informação em:


ANA LUÍSA AMARAL no "Porto de Encontro"

A poesia está de regresso ao “Porto de Encontro”, com sessão marcada para 22 de Novembro, às 17h, na Casa das Artes.


No próximo domingo, a poesia regressa ao “Porto de Encontro”. A XL edição deste ciclo de conversas com escritores é dedicada a Ana Luísa Amaral, e tem lugar na Casa das Artes (Porto).
Com E Todavia, a mais recente obra da poeta, em destaque, esta sessão conta com a participação de Isabel Pires de Lima, professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e ex-ministra da Cultura, sendo também de realçar a exibição de um excerto de um documentário, ainda por estrear, realizado por Nuno F. Santos. As habituais leituras serão asseguradas por Emília Silvestre.

De sublinhar que o próximo “Porto de Encontro”, o último de 2015, tem já convidado especial escolhido e data marcada: Bruno Vieira Amaral, o mais recente vencedor do Prémio Literário José Saramago, no dia 13 de dezembro (local a anunciar atempadamente).

A palavra é uma arma

Luis Sepúlveda é um daqueles (poucos) escritores que nos acorda. As suas palavras simples mas certeiras têm a rara capacidade de nos lembrar – suavemente ou como um murro no estômago – que a vida é mais do que este torpor angustiado em que nos arrastamos pelos dias, com a crise e o medo do presente e do futuro a anestesiar-nos e a tolher-nos a ação, onde até a mais sentida revolta se apaga num grito calado no fundo da garganta.
Seja no seu belíssimo registo ficcional ou através de crónicas que nos trazem o mundo de volta numa reunião de amigos, num almoço de família, na greve dos mineiros ou na grande chantagem política e financeira, um livro de Sepúlveda é sempre um sobressalto emocional. A vida é tudo isso e se soubermos honrá-la a felicidade ainda é possível, porque a derrota, por muito dolorosa, terá de ser um intervalo até à próxima batalha.
Depois do empenhado “Últimas notícias do sul” e do comovente “História de um gato e de um rato que se tornaram amigos”, o escritor chileno regressa com “Palavras em tempos de crise”, um conjunto de 27 histórias de memórias e afetos, compromisso político, reflexões. No seu estilo de escrita límpida e eloquente, sem medo das palavras.
As histórias que Luis Sepúlveda agora nos traz não têm um tempo totalmente definido, são de ontem e de hoje, de sempre. Há de tudo um pouco, numa miscelânea intensa com um fio condutor pelo qual Sepúlveda nos guia como só ele sabe: do prazer de reunir a família à volta do churrasco que “é assunto do velho”, ou seja, dele hoje como antes de seu pai; dos escritores que em várias latitudes dão voz aos que não têm voz; dos mineiros das Astúrias em greve pelo direito ao trabalho; do aterrador assassínio em massa de jovens socialistas em Utoya, na Noruega; do almoço em Valparaíso com Gabriel García Márquez, quando o comensal da mesa do lado se aproxima de Gabo e lhe diz que é muito parecido com o escritor, mas mais velho e mais feio; da amizade com José Saramago e Pilar, recordada pelo filme de Miguel Gonçalves Mendes; ou da última lembrança de Salvador Allende vivo, revivida no cemitério de Santiago por quatro amigos que fizeram parte da segurança do Presidente. Sem esquecer “a pior crise provocada pelos especuladores e os banqueiros, por esse miserável 1 por cento da humanidade que se apropriou de 99 por cento da riqueza planetária”.
Histórias que têm pessoas, umas conhecidas outras anónimas, capazes de grandes feitos ou de simples gestos de enorme solidariedade. Todos heróis, tão frágeis como corajosos.
__________
Luis Sepúlveda
Palavras em Tempos de Crise
Porto Editora, 13,30€

Fundação José Saramago: um caso exemplar

A Fundação José Saramago divulgou um comunicado em que esclarece, com clareza, o seu funcionamento e, sobretudo, as suas formas de financiamento. 
Num momento em que muito se tem falado das fundações no nosso país, é de realçar esta posição. 
Eis, na íntegra, o texto agora divulgado:


"A Fundação José Saramago não recebe dinheiro da administração pública, seja ela central ou municipal. É sustentada pelos direitos de autor de José Saramago que decidiu compartilhar uma parte do património acumulado ao longo de uma vida de trabalho com os seus contemporâneos. Sublinhamos estes dados, que persistentemente temos referido, na sequência de opiniões divulgadas sem qualquer consulta ou informação prévia de fácil acesso através da Fundação ou da administração pública.
Os estatutos da Fundação deixam claro que a sua atividade se desenvolve no âmbito da promoção da cultura, dos valores cívicos e dos direitos e deveres humanos, nos planos nacional e internacional.
A Casa dos Bicos é gerida pela Fundação José Saramago de acordo com uma concessão administrativa por dez anos, com possibilidade de ser ou não renovada. Até ao momento, e paradoxalmente, é a Fundação José Saramago que sustenta um edifício público emblemático de Lisboa, pela primeira vez aberto ao público. Não é a administração pública que sustenta a Fundação.
As contas da Fundação José Saramago são públicas e podem ser consultadas na sua página oficial, para além de entregues regularmente ao Conselho de Ministros, cumprindo, neste segundo caso, o legalmente exigido.
O trabalho da Fundação José Saramago pode ser acompanhado no dia-a-dia através da sua página web. Nela se dá conta de tudo o que a Fundação faz para o bem comum, ou se realça o que com o mesmo objectivo outros fazem."

Bom seria que todas as fundações seguissem este raro mas significativo exemplo de transparência.

Saramago das primeiras colheitas

A edição póstuma de um romance de José Saramago vale, à partida, pela abordagem que permite à sua origem e ambições quando se lançou à escrita. Claraboia, que se segue a Terra do Pecado, tinha ficado esquecido nas gavetas de um editor que lhe recusou a publicação. Perdida a única cópia que guardara, viu mais tarde ser-lhe devolvido o original, mas recusou então a proposta oportunista de publicação – já ele tinha nome feito. Assim, deixou-o para publicação depois da morte, porque achou que já não correspondia ao seu estilo.
E não era o seu estilo, o que nos chegou, nem a sua temática. Esta é a forma de uma época, a abordagem própria do neorrealismo português para uma questão que, depois de tudo, remete muito escassamente para assuntos posteriores, as que se seguiram ao livro de lançamento como escritor nacional, Levantado do Chão. É um livro pelo menos realista, neorrealista, descrição de uma comunidade observada por essa claraboia que permite olhá-la e sobre ela discorrer.
“Vivemos entre os homens, ajudemos os homens”, diz o sapateiro do prédio que escora a história. “E que faz o senhor para isso?”, pergunta-lhe o hóspede, o amigo ali conhecido, que está de partida após uma mentira, “uma mentira que serve da capa a todas as vilanias”. “Conserto-lhes os sapatos, já que mais não posso fazer agora”, atalhou o sapateiro. E aqui, neste diálogo, está lá uma certa ironia amarga que repetiu no futuro.
De facto, o prédio «construído» por Saramago corresponde a um políptico em que move as peças: os vários apartamentos do cinzento salazarista, as pessoas cinzentas do salazarismo, mais a natureza do homem, ali, em família, na vizinhança, nas relações que do trabalho traz para casa – e nem sempre pode deixar lá fora.
Na verdade, é o bom povo português, uma síntese, que habita este prédio – uma espécie de «conta-me como foi» escrito na época dos acontecimentos. As suas contradições, dificuldades, uma luta de classes muito pouco emersa. Há o amante de uma das locatárias, o malandro que mantém por conta a trintona, e aproveita para tentar o mesmo com a vizinha de baixo, menina tenra. Depois há as diversas famílias, os seus desamores, desentendimentos, mas Saramago não arrisca muito mais na denúncia política daqueles anos do que a conversa do sapateiro com o seu hóspede.
No fundo, parece que o autor, como o sapateiro, tratou de arranjar os sapatos do próximo, como forma de ajudar. Mas quando a claraboia do 25 de Abril o permitiu, ele aí estava, e então radical, o director do “Diário de Notícias”. A buscar caminhos, que vão de Levantado do Chão a obras verdadeiramente essenciais, como o Ensaio sobre a Cegueira.
É uma grande surpresa? Não, Claraboia, um livro precursor da obra de Saramago havia de ser mais ou menos assim. Está suficientemente bem escrito? Absolutamente, mas ele ainda foi fazer mais oficina para se abalançar à corrida de fundo iniciada quando devia estar a caminho da reforma. E assim se acede agora a uma peça do xadrez que ajuda a explicar tudo. Se os dois primeiros livros de Saramago não correspondem ao que veio depois, ainda bem que ele os escreveu, entendendo que o fez como ensaio, experiência, tentativa de encontrar-se como escritor. Fez-se ao caminho, fazendo-o.
Já aqui mora a escrita clara, o balanço que lhe permitiu passar pela poesia, pela actividade editorial, pelos jornais. Já aqui está a consciência clara do mundo que persegue. Era tudo o que precisava, mesmo que o editor daquele tempo não apreciasse o seu trabalho. Ainda que os tempos da política tenham sido usados para o torpedear. Ele sobreviveu, contra o desejo dos que se opunham à sua visão do mundo.
(Recomendação: veja e atente o leitor na proposta de olhar do autor da capa, que abriu na capa uma claraboia para um bairro dos anos 50 portugueses. Depois é escolher a casa que corresponde ao mundo de Saramago.)
________________________________
José Saramago
Claraboia
Caminho, 18,50€

Recordar José Saramago

O Quê? Leitura de Palavras para Saramago (pelos próprios autores) no 4º aniversário da Fundação José Saramago
Onde? Biblioteca do Palácio das Galveias
Quando? 29 de Junho das 17h30m às 20h30m

Assim se vê a força do PCP (e a têmpera de Cunhal)

As memórias revelam-se cada vez mais portas abertas sobre a história – de instituições, épocas, países, ou tão-somente das pessoas que a protagonizaram. Mesmo quando os memorialistas tentam meter a unha no curso dos acontecimentos, não é a falsificação que daí necessariamente resulta. Pelo contrário, ao historiógrafo pela certa não escapará a tentativa de estropiar a verdade, e aí pode começar um outro caminho de investigação: “O que terá levado o autor a querer dar a volta a factos conhecidos”?
Tudo isto a propósito de um livro que muito ajudará a entender o tempo e o modo de um grande partido português, nem sempre compreendido nas suas directivas e opções, clareza de opiniões e contradições, linha ideológica aqui e ali embrulhada na força das próprias linhas da História. O autor foi protagonista de muitos dos acontecimentos que marcaram a vida do Partido Comunista Português desde os tempos da clandestinidade, membro que foi da sua direcção a partir de 1967.
Natural, pois, que tenha conhecido Álvaro Cunhal de modo muito próximo, o que lhe concedeu os elementos necessários a tecer um retrato que vai muito para além da imagem que o cidadão normal poderá ter construído e mesmo muitos outros do imbróglio político. Não só, claro, acompanhou de muito perto as opções político-ideológicas de cada momento, como o líder (nem sempre incontestado, afinal…) apontava e abria caminhos na luta contra o salazarismo, durante décadas, contra o marcelismo, por fim. Ele também foi solicitado, de uma forma ou de outra, a observar, a intervir, a sugerir.
Dir-se-á que este relato feito de dentro da vida do partido é demonstrativo de como a organização foi tendo uma leitura correcta de cada momento da vida portuguesa, quer ainda com grande parte do aparelho na clandestinidade, quer depois da instauração da democracia em Portugal. Não será tanto assim, como ressalta do relato de Carlos Brito quanto à recepção do seu relato (ele estava então encarregado da ligação com os militares) dos acontecimentos do 16 de Março de 1974, e depois com a eclosão do 25 de Abril, e da leitura que a cúpula do PCP fazia dos acontecimentos.
O relato do acompanhamento (e tentativa de influenciar) da preparação do 25 de Abril é um testemunho importante da própria génese e construção do MFA, com o reconhecimento por Carlos Brito de que a influência exercida se limitou ao “campo restrito da elaboração de posições programáticas e não mais, uma vez que, como se sabe, o MFA caracterizou-se sempre pela sua natureza genuinamente militar e de independência em relação às forças políticas”.
É no domínio deste acompanhamento da “preparação do levantamento militar” que é revelada a posição surpreendente da direcção do partido no exílio: “Com grande espanto meu, a resposta que veio de Paris era não só de grande cepticismo em relação à informação como cheia de recomendações para que estivéssemos alerta com tendências aventureiristas e putchistas dos militares que podiam prejudicar a ascensão da luta popular e democrática”.
Aqui, e a propósito, Carlos Brito traça uma avaliação negativa da personalidade que resolveu biografar, porque “as respostas de Cunhal, que outros camaradas subscreviam, vinham sempre marcadas por um sentencioso cepticismo, com os velhos preconceitos e receios do putschismo”. Retorcia-se, claro, porque, como recorda, “o que estava a acontecer com as forças armadas correspondia ao que tinha sido previsto e teorizado pelo partido (pessoalmente por ele, Cunhal)”.
Não foi caso único, esta contradição, este tipo de choques que é assinalado em diversas situações e conjunturas. De outro modo, aí fica, também, o registo do desaire eleitoral do PCP nas primeiras eleições realizadas depois do 25 de Abril (para a Assembleia Constituinte), quando na sede do partido os resultados caíam e Cunhal “não sossegava”. “Deslocava-se agitado e mudo entre os postos de recolha, esperando uma milagrosa reviravolta”. É claro que o líder aparece aqui censurado por não ter previsto a situação, numa campanha desadequada, como Brito exemplifica ao acentuar intervenções de Cunhal em comícios: “Os discursos do secretário-geral que serviam de matriz à campanha eram demasiado ideológicos, como alguns de nós na direcção fomos percebendo, à medida que a campanha decorria”.
Mas o líder ressurgia, recuperava, dava a volta a essas dificuldades, engendrava saídas políticas – aquilo a que Brito chama “fôlegos do combatente”, e que vai descrevendo até aos sete do título.
Há por todo o livro sinais de como o PCP foi vivendo, da clandestinidade aos tempos em que se tornou aos olhos de todos a força que tudo controlava, ou queria controlar. Afinal, percebe-se, muitas vezes viu passar o poder ao lado, fez tentativas de domínio, consolidação, infrutíferas. E nem sempre, sequer, alguns chavos têm correspondência com a realidade que o autor deixa.
Por exemplo Vasco Gonçalves, que, afinal, fica como não seguidor das directivas do PCP, ou do próprio José Saramago e a linha que imprimiu ao Diário de Notícias, em 1975, a “mando dos comunistas” como insiste a direita caluniosa (pelos vistos): “Esta linha do jornal chocava-se muitas vezes com a linha conciliatória e as posições do partido a favor de um processo negocial entre as facções desavindas do MFA”, explica Carlos Brito. Como nota curiosa assinale-se que, apesar de tudo, foi o PCP que lhe aplanou o terreno para fixar-se no Alentejo a preparar o seu primeiro grande êxito literário, Levantados do Chão.
Muita matéria para repensar ideias feitas, portanto. Até pela descrição daquela espécie de implosão a seguir à queda do muro de Berlim, quando as vozes reformadoras encontraram forças para encetarem uma guerra contra o velho líder (pelo tempo que exerceu, pela idade que já tinha) já esvaziado de reservas para um oitavo fôlego. Um processo em que o autor, ele próprio, acabou por ser envolvido e que acabou por levá-lo à saída. Mas, mesmo assim, esta é uma memória sem rancores.
_________________________
Carlos Brito
Álvaro Cunhal sete fôlegos de um combatente
Edições Nelson de Matos, 25€