AAVV | Caos e Complexidade

1- De que trata este vosso livro “Caos e Complexidade: Novos
Conceitos para a Gestão das Organizações”?
R- O livro tem como principal objetivo despertar a
curiosidade dos gestores e alunos das áreas da gestão de recursos humanos e
comportamento organizacional para a volatilidade do meio que nos rodeia.
Sensibilizá-los para que a assunção de que a linearidade de fenómenos é algo
que se encontra desatualizado. Não existem receitas mágicas e recorrentes,
existe a necessidade de nos apercebermos da particularidade de cada situação. O
livro surge neste contexto e pretende abarcar temas pertinentes como: quando o
caos chega às organizações, o caso particular da complexidade na gestão das
organizações, o que se espera dos colaboradores na era do caos e da
complexidade, as práticas que se podem utilizar no caos indo ao encontro da
ordem na complexidade e, por último, explorar o conceito de simulações
computacionais como uma forma de abordar a complexidade nas organizações.
2- De forma resumida, qual a principal ideia que esperam
conseguir transmitir aos vossos leitores?
R- Acima de tudo, que regras simples poderão ser resposta
para situações complexas e caóticas. A ideia de que a forma como as coisas
acontecem no dia a dia das organizações é não-linear e que, como consequência
dessa mesma não-linearidade, não é possível ter controlo sobre todas as variáveis
que são determinantes para o sucesso organizacional. Os comportamentos das
pessoas e dos sistemas dependem mais de interações de baixo nível entre eles do
que de planos e metas. Pequenas decisões que tomamos num momento vão conduzir a
outras pequenas decisões, que por sua vez conduzem a outras pequeníssimas
decisões, mas que ao fim de um período de tempo mais largo vão ter
consequências de grande impacto na nossa vida. Quando olhamos para trás, teria
sido impossível prever o sítio onde chegámos analisando as condições iniciais.
É isto que, de certa forma, é um comportamento caótico. No contexto mais geral
temos a complexidade: o comportamento integrado das várias regras simples a
baixo nível conduz a comportamentos do sistema como um todo de uma forma não trivial.
O todo não é derivável a partir da soma das partes.
3- O que parece ser mais difícil: gerir no caos ou gerir em
situações complexas?
R- Quando se fala em gerir no caos não estamos a referir-nos
ao sentido mais popular da palavra caos, como algo terrível. Por vezes é até o
oposto. Um sistema ser caótico, no sentido que aqui tratamos, não é
obrigatoriamente um sistema desorganizado. Um sistema ser caótico significa ter
uma propriedade fundamental que é ter uma resposta não-linear. Isso significa
que alterando o sistema ligeiramente num determinado sítio ou numa determinada
situação pode levar a alterações enormes em todo o sistema ou por tempo
indeterminado. Neste sentido, podemos falar em imprevisibilidade do sistema.
Juntamente com isso existe a questão da complexidade, como referido
anteriormente. Sendo uma organização tipicamente um sistema complexo, isso
significa que procurar soluções de problemas localizados a partir de uma
análise de parte da organização pode, muitas vezes, não ser suficiente. Assim,
talvez a pergunta não faça muito sentido, uma vez que o cariz caótico e
complexo estão presentes simultaneamente. O difícil, e também o importante, é
precisamente procurar uma abordagem que permita não negligenciar as várias
partes do sistema nem a resposta não-linear quando se implementam alterações na
organização. Se os gestores tiverem pelo menos a noção destas duas
caraterísticas, isso só por si já pode ser facilitador.
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Luís Curral/Pedro Marques-Quinteiro/Pedro Lind/Catarina
Gomes
Caos e Complexidade: Novos Conceitos para a Gestão das Organizações
RH Editora, 12,50€