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Jorge Mateus | Urso

1- Qual a ideia que esteve na base da criação deste livro «Urso»?
R- O Paulo Caetano convidou-me para fazer um livro de BD que teria por base um outro livro -“Urso-Pardo em Portugal – Crónica de uma extinção”, que criara com o Miguel Brandão Pimenta.  Uma ideia que achei um pouco bizarra, mas que também me despertou curiosidade. Assim como a ideia que estes dois autores e eu próprio nos tornaríamos personagens deste relato. No fundo a transformação de livro científico num outro com uma linguagem díspar e em que pretendia, igualmente, que tivesse uma identidade própria foi o mote deste trabalho.

2- Como funcionou esta parceria de três autores? 
R- É uma pergunta pertinente, dado que ao trabalhar com duas pessoas as cedências são maiores, o que não é fácil visto que em dada altura se perde algo que se desejaria manter. Eu e o Paulo juntamo-nos para decidir os temas a abordar. De seguida realizei um argumento, os textos e desenhei as páginas. A partir daí começou-se a afinar o livro e esta foi a altura mais tensa, em que , naturalmente, houve divergências quando se acrescentaram algumas páginas ou elementos, se supriram outros ou se alteraram alguns textos. Entretanto houve também, por parte dos outros dois autores, uma revisão científica. Mas creio que correu bem, estamos todos inteiros e penso que satisfeitos com o resultado desta obra.

3- O formato de novela gráfica permitirá alcançar outro tipo de leitores para os sensibilizar para o tema?
R- De certa forma esta resposta também se enquadra na sua primeira pergunta. Uma edição de um livro científico e de uma novela gráfica não tem necessariamente os mesmos leitores, Naturalmente há uma faixa etária mais jovem que lerá preferencialmente a BD. Nesse sentido a ideia de realizar este livro também foi a de chegar a este publico a importância da conservação da natureza.
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Jorge Mateus
Urso 
Bizâncio  12,50€

Ricardo Gil Soeiro | O Enigma Claro da Matéria

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro "O Enigma Claro da Matéria"?
R-O que me animou foi procurar demonstrar em que medida é possível surpreender na poética de W. Szymborska um posicionamento pós-humanista que se plasma no modo multifacetado como as composições poéticas da autora polaca ensaiam e põem em cena uma profunda revisão da cesura antropocêntrica que se instaura entre esfera humana e esfera não-humana. Subjaz ao livro o argumento segundo o qual a sensibilidade pós-humanista da poesia de Szymborska não visa um dogmático aniquilamento da ideia de humanismo. O que os seus poemas nos vêm, afinal de contas, mostrar é quão importante se afigura o subversivo riso nietzschiano, quão necessária é uma celebração dos mundos em contacto e das zonas em contágio, quão urgente é desafiar as cesuras incessantes de que falava Agamben. A reflexão parte essencialmente da leitura pormenorizada das seguintes obras: Paisagem com Grão de Areia (1998), Alguns Gostam de Poesia (2004) e Instante (2006). Trata-se da concretização de um fascínio que me tem acompanhado há já algum tempo. Levou-me algum tempo a materializar o deslumbramento com esta poesia. O interesse é já antigo e manifestou-se igualmente, numa outra esfera e num outro registo, na publicação da obra colectiva O Nada Virado do Avesso (com Teresa Fernandes Swiatkiewicz, editado pela Poética). O título desse volume toma de empréstimo um dos mais sugestivos versos de Szymborka e assume uma inegável ressonância existencial. Poder-se-ia dizer que perspectivar, com Szymborska, “o nada virado do avesso” seria, muito simplesmente, delinear um modo privilegiado de subverter o normal horizonte das expectativas que projectamos sobre o mundo, equacionando no tecido do ser outras possibilidades de existência.

2-Depois do estudo aprofundado da obra, qual o lugar que Wislawa Szymborska merece ocupar na poesia mundial? O que mais o surpreendeu na autora ao longo do processo de escrita do livro?
R- Um lugar cimeiro, naturalmente. Szymborska sempre foi amplamente reconhecida como uma das mais singulares e cativantes vozes da poesia polaca do pós-guerra, mas foi, de facto, por ocasião da atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1996 que a escritora polaca suscitou o unânime aplauso internacional. Terá sido a partir desse momento decisivo que a notoriedade de Szymborska enquanto poetisa maior se terá consolidado de forma irrevogável, configurando actualmente um inegável fenómeno de popularidade a nível mundial. Constata-se em Portugal uma tendência semelhante e faço notar um conjunto assinalável de volumes e antologias da autora polaca: Paisagem com grão de areia (Trad. J. S. Gomes), Lisboa, Relógio D’Água, 1998; W. Szymborska e C. Miłosz, Alguns gostam de poesia (Trad. E. Milewska e S. Neves), Lisboa, Cavalo de Ferro, 2004; Instante (Trad. E. Milewska e S. Neves), Lisboa, Relógio D’Água, 2006; Um passo da arte eterna (Trad. T. F. Swiatkiewicz), Lisboa. Esfera do Caos, 2013 e, mais recentemente, Uma Noite de Insónia. Antologia temática, bestiário poético ecocrítico ilustrado (Trad. T. F. Swiatkiewicz), Lisboa, Manufactura, 2019. Apesar dos traços distintivos do seu timbre poético, a marca universal da sua escrita confere-lhe um cunho intemporal que eleva a sua obra para além do contexto histórico-social da época em que inicialmente brotou. Os seus poemas revelam, de facto um inusitado cuidado formal e uma assinalável depuração de meios, tendo-lhe sido atribuído o epíteto de Mozart da poesia. Uma tal exigência revela-se, de forma sintomática, no título do poema que assinala a sua estreia como poetisa, “Procuro a palavra”, facto que pode ajudar a explicar a escassez da sua produção poética. Na verdade, foi essa escassez que mais me surpreendeu: em 57 anos de escrita, Szymborska publicou apenas cerca de 350 poemas, o que indicaria uma produção média de 6 poemas por ano…

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Neste momento estou a preparar a edição da obra Magma, que me ocupou os últimos oito anos. A verdade é que não sei muito bem definir este livro estranho. O próprio título – Magma – aponta para uma mistura inextricável de diferentes matérias discursivas. Desde muito cedo, tive a percepção de que seria algo intersticial, um emaranhado de diferentes géneros: prosa poética, aforismos, ensaio, poesia, ficção… Estou a falar de questões formais, como é óbvio; mas a forma, o esqueleto formal, é apenas a via escolhida para se chegar àquilo que, a meu ver, a literatura guarda de mais essencial: um modo privilegiado de captar o que irrompe da fissura e do assombro. São 5 volumes que, muito em breve, serão publicados pela Abysmo: Tomo I: Tratado das Confidências; Tomo II: Caosmos; Tomo III: O Fulgor Volúvel do Devir; Tomo IV: Breviário Clandestino das Extravagâncias e Tomo V: Súmula das Aporias.
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Ricardo Gil Soeiro
O Enigma Claro da Memória
Abysmo  15€
Ricardo Gil Soeiro na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Maria Joelle | Espiritualidade 4.0

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Espiritualidade 4.0»?
R- A ideia deste “pequeno livro” é divulgar um conceito novo/recente em Portugal.  O ponto de partida foi a tese de doutoramento que fiz na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sobre a Espiritualidade nas organizações. As conversas que fui tendo ao longo deste percurso, sugestões que recebi estão na origem do “Espiritualidade 4.0”. Este livro tem o propósito de divulgar o conceito da espiritualidade em contexto organizacional e empresarial, as suas raízes, uma Métrica de gestão (GSW) e os efeitos nas organizações e na sociedade. Oferece orientação prática a gestores e líderes organizacionais, para a qual têm contribuído vários estudiosos e gestores ao longo do tempo, de diferentes partes do mundo.

2-Do seu ponto de vista, como é que a espiritualidade pode ajudar a gerir melhor e desenvolver as organizações?
R- Para responder a esta questão, começo for referir a página 21 do livro, na qual se pode ler a seguinte citação de Fahri Karakas “ (…) the growing interest in spirituality is evidente in corporations, corporate meeting rooms, and the business world as well. For exemple, a growing number of organizations, including large corporations such as Intel, Coca-Cola, Boeing, and Sears, are reported to have incorporated spirituality in their workplaces, strategies, or cultures (…)”Existe uma clara sintonia entre o mundo académico e empresarial em torno de preocupações que são de cariz global (trabalho infantil, fome, riscos psicossociais, falta de confiança nas entidades governamentais, preocupações com o próprio Planeta Terra…). E, em torno destas preocupações e das preocupações de entidades internacionais, há um apelo para que sejam criadas novas abordagens, novas metodologias que consigam ajudar. E, os negócios, as empresas, os líderes têm o poder de influenciar a sociedade e torná-la mais pacífica. A espiritualidade nas organizações surge como uma abordagem holística, ou seja, uma ferramenta de gestão que atua em diferentes níveis organizacionais, de acordo com os objetivos estratégicos e propósito social, estabelecidos pelos líderes organizacionais. Ou seja, vai de encontro ao conceito “empresa social” divulgado no Deloitte Global Human Capital Trends (2018).

3-Neste domínio da espiritualidade no trabalho, qual é a situação de Portugal: está mais ou menos avançado em relação aos restantes países?
R-Está ainda muito pouco avançado. As nossas organizações e líderes ainda não estabeleceram o diálogo com esta metodologia. Cá é muito novo! O que significa que temos muito a fazer. E, em primeiro lugar, é fundamental o esclarecimento. O “Espiritualidade 4.0” traz consigo este papel, esclarecer, contextualizar e até desmistificar a palavra espiritualidade na Gestão. O mentor da pirâmide das necessidades humanas – Maslow (1970) – referiu a responsabilidade da humanidade, de todos nós, de contribuirmos para a construção deste conceito. E, neste sentido, temos muito a fazer.
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Maria Joelle
Espiritualidade 4.0
Editora RH  13,75€

Itamar Vieira Junior | Torto Arado

1-Como recebeu a atribuição do Prémio Leya 2018 ao seu livro «Torto Arado»?
R- Com surpresa e emoção. O prémio é uma distinção para o mundo lusófono, a de maior valor monetário e com uma grande projeção. Tem sido muito bom acompanhar o maravilhoso trabalho da editora e o apreço dos leitores portugueses, que acompanham com interesse os livros premiados. Eu havia publicado dois livros de contos no Brasil por pequenas editoras, o último teve certa projeção depois de ser finalista do Prêmio Jabuti. Creio que para qualquer autor que pouco conhece as editoras e o mercado editorial, e que viva no Nordeste brasileiro, o que aconteceu comigo foi excepcional, porque agora sou publicado por duas grandes casas editoriais, em Portugal e no Brasil, pelo mérito que o livro teve e que só foi possível porque havia o prémio.

2-Depois de uma antologia de contos («Dias»), surge o romance agora premiado: qual a ideia que esteve na origem deste novo livro?
R- A ideia de escrevê-lo surgiu há muitos anos, justamente quando eu era apresentado aos escritores Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto. Porém, naquele momento, apesar da vontade de escrevê-lo – e cheguei a escrever 80 páginas – não havia a vivência, a experiência, a minha educação na terra para narrar a história. Eu nasci na cidade e só muito mais tarde fui trabalhar no campo. O primeiro momento foi de choque; os romances e as obras que havia lido sobre o sertão tinham mais de cinquenta anos, mas pouca coisa havia se modificado no campo brasileiro: a estrutura fundiária, a miséria e a violência eram as mesmas. Foi lá que tive contato com os mais pobres, os que não tinham terra e viviam em acampamentos; os pequenos agricultores; os quilombolas e outras populações tradicionais. Foi com eles que me eduquei, aprendi sobre a terra e sobre suas histórias. O romance cresceu em mim novamente e pude contá-lo a partir de uma perspectiva que se aproximasse da vida dessas pessoas.

3-Tendo experimentado o conto e agora o romance, consegue dizer por onde irá a sua escrita no futuro?
R- Depois de “Torto arado” continuei a escrever contos. Tenho projetos para escrever romances. Acho que seguirei no caminho da literatura.
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Itamar Vieira Junior
Torto Arado 
(Prémio Leya 2018)
Leya  15,50€

Carolina Machado/J. Paulo Davim | MBA para Gestores e Engenheiros

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «MBA para Gestores e Engenheiros»?
R- A ideia foi, a partir do contributo de um conjunto de experts das diferentes áreas da Gestão, escreverem um livro que servisse de suporte para todos aqueles que, a desempenharem funções de gestão / direção nos diferentes tipos de organização, pretendem renovar e/ou adquirir novos e mais profundos conhecimentos das principais matérias que recentemente se têm vindo a trabalhar no campo da gestão. Efetivamente, hoje em dia, profissionais / dirigentes dos níveis intermédio e topo, anseiam por obter um MBA o qual, na sua essência, lhes permite alcançar níveis de saber  e competências dotadas de maior atualidade e pertinência no mundo dos negócios. Seguindo a mesma filosofia, ao colocarmos a designação “MBA”, o princípio aqui subjacente foi o de, através de uma leitura “simples” e bastante acessível, todos os potenciais leitores poderem, de algum modo, absorver o que de mais atual, se tem vindo a desenvolver no campo da gestão. Desde a Estratégia, Marketing, Contabilidade e Finanças, passando também pela Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Projetos, Governação Empresarial e Sustentabilidade, os diferentes leitores têm, neste livro, a oportunidade de apreenderem o que de melhor e mais atual se faz na construção de organizações cada vez mais competitivas.

2-O que diferencia esta obra dos vários manuais de gestão já disponíveis nas livrarias?
R- A grande diferença deste livro, por comparação aos manuais já existentes, é que a sua leitura permite transportar todos os potenciais interessados para o que de mais próximo de um curso de MBA podemos ter sem que o leitor tenha de despender de grandes investimentos financeiros e de conjugação da sua disponibilidade temporal e profissional. Escritos por diferentes experts, e abordando as mais críticas e relevantes matérias da área da Gestão, cada capítulo pode ser interpretado como uma “unidade curricular”, onde após a análise e discussão das temáticas respetivas, coloca à prova o leitor o qual é desafiado a testar os conhecimentos adquiridos no final de cada capítulo, e desta forma mais eficazmente assimilar a diversidade de conteúdos promotores de níveis de saber e competências cada vez mais elevados, compatíveis com uma maior capacidade crítica.

3-Porque sentiram a necessidade de orientar este manual especificamente para gestores e engenheiros. Se para gestores é compreensível, menos claro é o «para engenheiros»: têm os engenheiros uma abordagem diferente da gestão?
R- Grande parte das nossas organizações têm como gestores engenheiros de formação de base. Engenheiros estes que, ainda que a desenvolverem funções de gestão, muito frequentemente “sentem necessidade” de adquirir conhecimentos específicos da gestão. Não é por acaso que um número muito significativo de pós-graduações e mestrados na área da gestão, de MBAs, entre outros, são largamente frequentados por profissionais com formação de base em engenharia. Neste sentido, e sem qualquer pretensão de substituir aqueles cursos, o lançamento deste livro, de grande acessibilidade e adequabilidade para todo o tipo de leitores, tem como públicos muito direcionados os gestores e engenheiros. Os primeiros, porque procuram atualizar os seus conhecimentos com o que de mais atual e pertinente se tem vindo a desenvolver ao nível da gestão; os segundos, porque pretendem adquirir as especificidades próprias da gestão, as quais se encontram perfeitamente plasmadas na diversidade, pertinência e aplicabilidade das múltiplas temáticas que são trabalhadas ao longo dos diferentes capítulos. De realçar que, quando referimos gestores e engenheiros nos reportamos não só aos profissionais já detentores de graus académicos, como também aqueles que se encontram ainda a adquirir a sua formação – estudantes de gestão e de engenharia – que um dia pretendem vir a ocupar funções de gestão nas organizações, mas também ao cidadão comum que anseia por obter os mais diversos e atuais conhecimentos das diferentes matérias conducentes a organizações dinâmicas e cada vez mais competitivas.
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Carolina Machado/J. Paulo Davim (coord.)
MBA para Gestores e Engenheiros
Edições Sílabo  31,90€

António Covas | A Crítica da Razão Europeia

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «A Crítica da Razão Europeia. Uma Breve História do Futuro»?
R- A ideia na origem do livro é a eleição para o Parlamento Europeu e, sobretudo, o crescimento dos movimentos radicais de índole nacionalista, protecionista e xenófoba. É necessária mais e melhor informação e sobretudo uma informação mais distanciada.

2-A reflexão que fez sobre o futuro da Europa permitiu-lhe chegar a conclusões pessimistas ou optimistas?
R-Não estou muito otimista, mas acredito na resiliência das instituições europeias que têm um mérito indiscutível, a saber, transformam problemas graves em problemas crónicos e estes em problemas resolúveis.

3-Depois de um percurso longo e de um presente com sinais de incerteza, o que faz falta à União Europeia?
R- A política dos pequenos passos e uma grande paciência, saber esperar pelo momento apropriado, mesmo que isso enerve os mais ansiosos, fazem parte da arte da governação europeia.
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António Covas
A Crítica da Razão Europeia. Uma Breve História do Futuro
Edições Sílabo  13,50€

António Ramos Pires | Estatística para a Qualidade

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Estatística para a Qualidade»?
R- A nossa experiência nas áreas da consultoria, auditoria e formação profissional permitiu-nos identificar uma tendência negativa de abandono generalizado do uso das técnicas estatísticas, incluindo as mais simples. Esta situação é paradoxal quando todas as organizações têm acesso mais fácil a mais dados e se advoga a importância dos chamados Big Data e do seu tratamento para melhorar os produtos, serviços e processos. Também é largamente reconhecido que para responder de forma eficaz e segura a envolventes complexas e incertas é necessário elevar os níveis de conhecimento e usar mais técnicas e métodos e mais sofisticados.  Mas, sem conhecer os mais simples e entender os conceitos fundamentais, aquela tarefa surge difícil de conseguir. Assim, a obra foi concebida para colmatar esta lacuna.

2-O que distingue esta sua obra dos outros manuais à venda nas livrarias?
R- Este livro introduz as técnicas e métodos estatísticos mais simples de forma aplicada e próxima das práticas mais necessárias ao controlo e melhoria dos produtos, serviços e processos, através de muitos exemplos resolvidos e explicados.

3-A qualidade numa organização é mensurável de forma segura?
R- A qualidade assume dimensões mais fáceis de medir e/ou avaliar, como são as especificações técnicas e funcionais, e outras mais difíceis, como são as perceções e interações emocionais com os produtos e os prestadores dos serviços. Mas, todas as dimensões são possíveis se medir e/ou avaliar, se se usarem as técnicas adequadas. Se não se objetivar a qualidade, então não se pode controlar, medir e/ou avaliar.
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António Ramos Pires
Estatística para a Qualidade
Sílabo Edições  17,70€

Vergílio Alberto Vieira | EX PO EX

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro "EX PO EX"?
R-Admitindo que cada livro que se escreve é o reflexo (seria excessivo dizer brilho) de uma luz, que o antecede, todo o esforço criador deverá constituir aquela mais-valia, que permite ir além do risco do poeta se tornar apenas reprodutivo, incapaz, portanto, de contribuir para que o estro fundador transforme a projecção em imagem real, e o devir em retórica profunda. Assim sendo, há que fazer de cada livro, não mero capítulo da obra, mas activação de meios (linguagem, estilo, sentido ontológico, atenção crítica) que (e)levem o sujeito ao limite, quando não à fidelidade original, ao desejo de comprometer o que, para Ludwig Wittgenstein, se apresentava como qualidade de valor acrescentado ao processo de escrita, e pensamento.

2-Neste livro, assume uma aposta de carácter muito mais visual (e experimental) da sua poesia: razões para esta nova via de escrita?
R-Decorrido meio século sobre a edição de Na margem do silêncio (1971), livro de estreia, urge aferir se da experiência acumulada (à custa de tantos desaires quanto de desafios) será possível, não tirar proveito (isso seria obsceno, descambaria para a “pornografia da insignificância” tão cara a George Steiner), mas engenho para que o manuseio da lente (da lucidez poética) faça convergir o foco, a intensidade solar sobre a “ferida aberta” - na imagética de René Char - ao ponto de curar pelo fogo. Esta incursão nos domínios da poesia experimental, por um lado, e no campo da visualidade poética, por outro, não pretende, no que me diz respeito, outra coisa que não seja levar o concretismo, que lhes subjaz, a um patamar de complementarização (de enraizamento, de cosmopolitismo) decorrente dessa singularidade qualquer agambeniana que elege, como prova de vida, o arco de que a flecha é alvo ainda antes de o atingir. Arte inaugural, entre nós assinada por arqueiros de primeira escolha como E.M. de Melo e Castro, Ana Hatherly e José Alberto Marques, que insiste em provar ter sido quem, por cá, deu o tiro de partida do que seria a tão meritória, quanto subavaliada, olimpíada experimental da segunda metade do séc. XX.

3-Pensando no futuro: o que anda a escrever por estes dias?
R-Sem esperança de que o futuro se possa lembrar alguma vez de mim – não fosse Lisboa o país do “sem plò nem plu” aquela douta intelligentsia que passa pelo centenário do nascimento de Jorge de Sena como o gato pelas brasas – é chegada a hora de calar. De volta ao poeta de Abandono Vigiado (1960), direi nada, à chocarrice do meio artístico português, reconhecimento que nem sequer me entristece, nem me absolve de ter ajudado a enterrar duas vezes os obreiros da pátria, hoje vandalizada por ícones, continuamente abonados por aduladores de/ao serviço; como uma vez disse Raduán Nassar: despudoradamente “graduados no biscate”. Ah, mas a pergunta, se não me engano, ia noutra direcção, é isso? Para não insistir em chatear o frequentador de “Novos Livros”, e porque, quando de livros se fala, é quase sempre para chatear o indígena, informo o hypocrite lecteur que dei por finda a jornada com um título musiliano ajustado ao cair do pano: Ainda não e no entanto já – daqui em diante, talvez me reste dar como adquirida a lição do cínico, quando reconheceu que a saída era: agradar a uns, ladrar a outros, morder os maus.
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Vergílio Alberto Vieira
EX PO EX
Quarto Crescente

Joana Carido/Cláudia Estanislau | Manual para Alimentar, Treinar e Cuidar do Melhor Cão do Mundo

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Manual para Alimentar, Treinar e Cuidar do Melhor Cão do Mundo»?
R-Joana Carido:  Hoje em dia muitos cães fazem parte das famílias portuguesas, no entanto ao longo dos anos a trabalhar com estes animais tenho-me vindo a aperceber que a maioria das pessoas não compreende nem conhece verdadeiramente o cão que tem em casa. Vejo cada vez mais cães doentes e desequilibrados, mesmo quando os tutores querem fazer o melhor para eles. Este livro pretende ajudar esses mesmos donos a melhorar a qualidade e quantidade de vida do seu cão, na medida em que, por um lado explica como melhorar a alimentação - escolhendo uma ração mais adequada, melhorando-a com pequenos aditivos ou até mesmo optando pela alimentação natural - e por outro passando conceitos de comportamento e treino do cão, fundamentais para uma convivência saudável no dia-a-dia.

2-Uma boa ideia é começar por escolher um animal adequado que, pelas características, não se torne rapidamente um problema e motive tantas vezes o seu abandono. Pela sua experiência, que conselhos daria a quem deseja escolher o melhor cão do mundo para viver?
R-Cláudia Estanislau: O comportamento do cão torna-se um problema quando os tutores não sabem educar ou treinar adequadamente e adaptar esse treino à personalidade do cão que está com eles. Alguns conselhos que daria a quem pensa adotar um cão para a sua família, são: (1) Pense se um cachorro é o ideal. Toda a gente ama cachorros e toda a gente quer um cachorro porque assume que este por ser bebé se vai adaptar melhor à vida com a nova família, mas isto não é verdade. Muitos cães adultos e idosos, adaptam-se perfeitamente às regras e rotinas numa nova família, e não apresentam os desafios que um cachorro apresenta. Educar e treinar um cachorro é desgastante e dá muito trabalho. É extremamente exigente. A maioria das pessoas ao não colocar o tempo e treino suficiente com a vivência de um cachorro acaba por ter um cão adulto com problemas comportamentais. (2) No seguimento, contemplar nos gastos normais, aulas de treino. Os tutores por mais cães que tenham tido durante a vida nunca sabem tanto quanto um bom profissional qualificado. Este último será essencial especialmente se for um cachorro e até que o cão atinja a idade adulta para ajudar no treino e educação do mesmo evitando o aparecimento de problemas comportamentais. (3) Não obtenha um cão baseado apenas no seu aspecto físico. Os cães são todos indivíduos e o aspecto físico do cão não oferece informação sobre o comportamento do mesmo. Conheça o cão, veja o nível de energia do mesmo, se se adapta a si, veja o tamanho se é o que procura, veja o temperamento, se é o que espera. E depois treine bastante porque no treino e na educação reside a chave para uma vida livre de problemas. (4) Peça ajuda a profissionais qualificados assim que o seu cão apresentar um comportamento que considere problemático. Ainda sou contactada por pessoas cujos cães apresentam comportamentos problemáticos anos antes que procurem ajuda. Outra curiosidade é que as pessoas pedem ajuda a estranhos, na internet, ou ao veterinário e acabam por protelar a ajuda profissional necessária, e a tentar durante muito tempo coisas que não só não resultam como podem piorar o comportamento. (5) Passeie com o seu cão fora de casa todos os dias, mesmo que ele tenha um jardim gigante. Todos os cães precisam de passear muito, conhecer o mundo e contactar com a nossa sociedade. Quanto mais isolados, mais problemas os cães irão apresentar. Divirta-se com o seu cão!

3-Já lá vai o tempo em que os cães da casa comiam os restos que sobravam: quais as vantagens de, hoje, haver uma crescente preocupação com as regras de nutrição dos animais?
R-Joana Carido: Tal como nós humanos, o cão também é aquilo que come, também pode ter cancro, diabetes, dislipidémias, hipertensão arterial e obesidade, também pode “viver” com medicação e viagens ao médico constantes. No entanto, sabe-se hoje em dia que a alimentação é o maior input que podemos fazer na saúde dos nossos cães, é algo que depende exclusivamente de nós e que conseguimos controlar totalmente. Através de uma alimentação equilibrada e nutrição adequada ao cão, tendo a sua idade, actividade física e necessidades fisiológicas em conta, conseguimos um cão mais saudável, com uma vida mais longa e com maior qualidade.
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Joana Carido/Cláudia Estanislau
Manual para Alimentar, Treinar e Cuidar do Melhor Cão do Mundo
Publicações D. Quixote  15,50€

José Milhazes | Os Blumthal

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Os Blumthal»?
R- A vida atribulada e trágica dos avós da minha esposa Siiri, que lutaram pelo comunismo e acabaram sendo vítimas desse regime extremista. Depois, alarguei a história às famílias dos avós.

2-De que forma a vida desta família nos pode ajudar a conhecer e compreender a história do século XX?
R- Trata-se de famílias que mostram claramente o que é a vida em regimes totalitários: comunismo e nazismo, num pequeno país entre a URSS e a Alemanha. Um bom exemplo da tragédia que foi o séc. XX.

3-Quais são os aspectos mais importantes que a sua pesquisa evidenciou e que eram desconhecidos ou menos conhecidos?
R- O desconhecido era a história de tantos mártires dos totalitarismo em duas famílias, que, de alguma forma, já são minhas. A reacção dos meus filhos que foi de total apoio à investigação.
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José Milhazes
Os Blumthal
Oficina do Livro  14,90€
José Milhazes na "Novos Livros" | ENTREVISTAS 

Bruno Ferreira Costa | Quo Vadis Europa

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Quo Vadis Europa. A Encruzilhada Europeia»?
R- A obra nasce por um interesse específico em refletir sobre a construção do projeto europeu e decorre do foco da minha investigação académica na área da Ciência Política e das Relações Internacionais, bem como da cada vez maior influência da União Europeia sobre as políticas nacionais, num caminho elogiado pelos setores mais federalistas e contestado pelos setores mais intergovernamentalistas. Representa, de forma objetiva, uma reflexão pessoal sobre os grandes desafios que a União Europeia enfrenta nos dias de hoje e procura traçar alguns caminhos para a clarificação do projeto comunitário. Num momento em que se verifica um crescimento dos extremismos na Europa e se volta a duvidar sobre as conquistas alcançadas nos últimos 60 anos, senti a necessidade de dar o meu contributo para o debate em torno da Europa que pretendemos continuar a construir. A questão que dá título ao livro encaminha-nos, precisamente, para esse debate, num rasgar entre o romantismo em torno da fundação do projeto comunitário e a análise da realidade burocrática europeia.

2-A reflexão que fez sobre o futuro da Europa permitiu-lhe chegar a conclusões pessimistas ou optimistas?
R- A questão central continua por responder, ou seja, que modelo de União Europeia se pretende construir e quais os passos que têm de ser dados para alcançar esse desiderato. O período que vivemos acarreta um grau de incerteza considerável, pelo que existem sinais mais pessimistas, nomeadamente a paralisação das instituições europeias, o foco dado às negociações europeias em torno de lugares, as diferenças acentuadas ao nível do desenvolvimento e do crescimento ou a existência de um bloco cada vez maior em defesa de uma visão mais "utilitarista" da União, em detrimento de uma visão mais humanista. No entanto, não se pode deixar de reconhecer a Europa e, mais concretamente, a União Europeia como palco de conquistas assinaláveis na defesa dos direitos humanos e no respeito pelo exercício das liberdades individuais. O projeto comunitário está em constante construção, com avanços e recuos, próprios da estrutura das sociedades e resultado das opções políticas dos cidadãos. O medo não pode comandar a construção e a defesa da União Europeia.

3-Depois de um percurso longo e de um presente com sinais de incerteza, o que faz falta à União Europeia?
R- A União Europeia vive um período de incerteza, resultado da ausência de verdadeiras lideranças políticas. Nos últimos 20 anos que líderes políticos europeus conseguiram deixar a sua marca na construção de uma visão mais humanista e solidária? Que decisões foram tomadas e contribuíram para uma maior coesão social e territorial? Ao atual modelo da União Europeia falta, essencialmente, a solidariedade efetiva entre os povos, entre os Estados e o desenvolvimento de uma política que garanta uma maior democraticidade, através da participação dos cidadãos, bem como dos Estados com menor dimensão. O projeto só será verdadeiramente comum se for partilhado por todos os membros.
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Bruno Ferreira Costa
Quo Vadis Europa
Edições Sílabo  13,80€

João Carlos Melo | Nascemos Frágeis e Recebemos Ordens para Sermos Fortes

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Nascemos Frágeis e Recebemos Ordens para Sermos Fortes»?
R- A principal ideia e motivação foi partilhar com os leitores uma série de reflexões sobre o narcisismo e a autoestima. Ao contrário da abordagem mais clássica, que vê no narcisismo um comportamento ou uma doença, a visão apresentada no livro considera-o uma dimensão do funcionamento mental presente em todas as pessoas. São numerosas e variadas as situações que ferem o nosso orgulho: críticas, reparos, humilhações e todas as situações que afetam a nossa autoestima e nos fazem sentir diminuídos, ridicularizados, envergonhados ou desvalorizados. Ora, é a forma como cada um se defende e reage a essas feridas que determina o seu tipo de funcionamento narcísico, mais saudável ou mais patológico. O foco incide sobretudo nos indivíduos e suas relações, mas o livro olha também para o povo português e para a dimensão mais vasta do ser humano enquanto espécie. Neste ponto é salientada a ideia de que, como espécie, nascemos indefesos, dependentes de cuidados e com necessidades especificamente humanas: sermos únicos, especiais, reconhecidos e ocupando um lugar privilegiado no coração das pessoas que nos são significativas. Estas necessidades são denominadas narcísicas e a sua suficiente satisfação contribui para o desenvolvimento de uma boa autoestima. E elas são tão profundas que, quando não suficientemente satisfeitas, determinam, ao longo da vida, comportamentos de busca incessante da sua satisfação. Os conceitos de narcisismo e a autoestima são, desse modo, articulados com aquilo que se pode considerar como fazendo parte da condição humana. São também abordados aspetos intrínsecos ao tema, como o orgulho, a vaidade, a inveja, a empatia, a humildade, o reconhecimento e o amor.

2-Na reflexão que desenvolveu, narcisismo e autoestima são duas faces da mesma moeda?
R- A relação que se estabelece entre o narcisismo e a autoestima é, a meu ver, a seguinte: o funcionamento narcísico consiste na ação de um conjunto de mecanismos que regulam a autoestima. Esses mecanismos são geralmente postos em ação de uma forma automática quando a autoestima é baixa e sempre que ela é afetada. Se a autoestima é boa e eles atuam de forma harmoniosa, o funcionamento narcísico revela-se saudável. Se a autoestima for baixa ou se ela sofrer ataques que a debilitem, os mecanismos que entram em ação para restabelecer o equilíbrio perdido são mais radicais e acentuados, levando a modos de funcionamento e comportamentos que entram já no campo da patologia. De uma forma simples, podemos considerar a autoestima como a apreciação que uma pessoa faz sobre o seu valor e o grau de satisfação que tem consigo própria. Elogios, aprovação, reconhecimento e apreciações positivas são exemplos de estímulos que elevam a autoestima. Pelo contrário, críticas, reparos, rejeições e atitudes de desvalorização fazem-na baixar e ferir. Uma pessoa com uma boa autoestima e um modo saudável de funcionamento narcísico é confiante, aceita-se como é, sente orgulho em si próprio e tem humildade para admitir as suas limitações e defeitos. Quando a autoestima é baixa ou é ferida, emergem mecanismos que determinam comportamentos e modos de funcionamento e relação com os outros de dois grandes tipos (com muitas variantes e graus). Num deles, as pessoas apresentam sentimentos de inferioridade, vergonha e um medo angustiante de serem expostas, ridicularizados e humilhadas. Procuram passar despercebidas e agradar aos outros, mesmo à custa da própria subjugação ou anulação. No outro tipo, os indivíduos são arrogantes, vaidosos e autocentrados. Precisam de brilhar e ser o centro das atenções, não suportando quando não o são. Nesses casos, reagem com frustração e raiva, diminuindo, desvalorizando e atacando os outros nos seus pontos fracos.

3-Como estamos nós, portugueses, a viver os complexos tempos actuais: com baixa autoestima ou com um olhar narcísico e optimista?
R- Costuma dizer-se que, como povo, somos “bipolares”: ora estamos eufóricos e nos consideramos os melhores, ora caímos em depressão e achamos que os outros é que são bons. Se me for permitido este exercício abusivo de extrapolar para um povo as características e modos de funcionamento mental próprias de indivíduos, o que digo é: não somos bipolares, mas sim narcísicos. Penso que, como povo, acreditamos e não acreditamos no nosso valor e nas nossas capacidades e qualidades. Queremos acreditar que somos os melhores, mas, ao mesmo tempo, não possuímos uma confiança convicta no nosso valor. Estamos convencidos de que somos bons, mas somos traídos por um profundo sentimento de inferioridade que trabalha nos subterrâneos, insidiosamente, e nos faz sentirmo-nos destroçados perante certos fracassos. Temos, em resumo, uma baixa autoestima, que se traduz ora em sentimentos de inferioridade em relação a outros países, ora em fantasias, geralmente secretas, de grandiosidade. Apesar desta ideia, acredito também que a nossa autoestima tem vindo a melhorar, facto que nos deve encher de orgulho. E acredito que, para além de muitos outros portugueses, o contributo do nosso atual Presidente da República, tem sido notável para esse resultado. Ao colocar-se ao nível dos cidadão anónimos, com um afeto fraterno e, ao mesmo tempo, parental, Marcelo Rebelo de Sousa faz cada um de nós sentir-se valorizado, importante e elevado ao nível em que o vemos situado.
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João Carlos Melo
Nascemos Frágeis e Recebemos Ordens para Sermos Fortes
Bertrand  15,50€

Orlando Gomes | A Economia em 160 Citações

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «A Economia em 160 Citações»?
R-Com este livro pretendeu-se fundamentalmente oferecer uma visão abrangente sobre o que é a Economia, os assuntos que esta ciência trata, e o modo como tais assuntos são abordados pelos cientistas neste campo do saber. Com este propósito, foram recolhidos 160 excertos de texto, que têm por proveniência essencialmente artigos publicados no passado recente nas mais reputadas revistas científicas na área por alguns dos mais proeminentes economistas da atualidade. Os referidos excertos são acompanhados, cada um deles, por um comentário que contextualiza e explica os diversos argumentos apresentados, possibilitando assim ao leitor ganhar uma visão de conjunto sobre os temas da Economia e respetiva abordagem do ponto de vista académico.

2-No imenso universo da Economia, quais os critérios que presidiram a escolha das 27 áreas temáticas escolhidas para configurarem o livro?
R-A seleção das 160 citações obedeceu a diversos critérios, sendo um dos principais a diversidade e abrangência dos respetivos assuntos tratados, de modo a que a obra pudesse oferecer uma panorâmica geral sobre quais são os principais objetos de reflexão desta ciência. Neste sentido, os textos recolhidos foram organizados em 27 áreas temáticas que englobam, de modo genérico, a quase integralidade dos assuntos que interessa estudar neste campo científico. Os primeiros temas focam-se na macroeconomia (globalização, crescimento económico, desigualdades de rendimento, ciclos económicos, impacto das alterações climáticas); evolui-se em seguida para as questões da política económica, da regulação pública e das liberdades individuais; posteriormente, diversas áreas temáticas concentram-se na organização dos mercados, na concorrência, nas trocas, na atividade empresarial e no emprego; havendo ainda espaço, na parte final, para algumas notas de relevo sobre escolhas individuais e questões comportamentais, e sobre aspetos metodológicos e de evolução da abordagem científica aos fenómenos económicos.

3-E para a escolha dos autores presentes?
R-A seleção dos autores a incluir na obra obedeceu basicamente a dois critérios: o conteúdo das citações e a reputação dos autores. Na generalidade dos casos, os excertos de texto foram recolhidos a partir de artigos científicos publicados por alguns dos mais reputados economistas da atualidade, incluindo alguns prémios Nobel, o que permite ganhar consciência sobre os problemas que ocupam algumas das mais brilhantes mentes da atualidade. Outros textos, não correspondendo necessariamente a trabalho publicado por académicos de primeira grandeza, valem sobretudo pelo conteúdo das afirmações e pela forma como esse conteúdo permite contextualizar alguns assuntos de extrema relevância.
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Orlando Gomes
A Economia em 160 Citações
Sílabo Editora  24,90€

Dia Mundial da Criança | 2019


Este fim de semana, a Wook oferece 20% de desconto em todas as compras de livros infantis e juvenis.
Mais informação em www.wook.pt

Clube de Leytura: uma nova aposta para captar novos leitores


O Clube de Leytura é o primeiro clube português de subscrição de livros infantis e juvenis e estará disponível no Dia Internacional da Criança, na Feira do Livro de Lisboa. Segundo a Leya, o objectivo é “contribuir para desenvolver bons hábitos de leitura e para a criação da primeira biblioteca em casa a um preço muito acessível e com toda a comodidade”.
O clube funcionará de forma simples, bastando apenas um registo em clubedeleytura.com. Com esse registo, crianças e jovens receberão, todos os meses, dois livros, que serão selecionados por editores, escritores, ilustradores, professores e outros especialistas, que formarão o colectivo de curadores do Clube de Leytura.
Com esta nova iniciativa, o grupo editorial LeYa pretende “reforçar hábitos de leitura, dar a conhecer autores e obras de referência, com particular relevância para autores portugueses, e recriar tempo de qualidade entre pais e filhos”. 
O universo de obras disponíveis envolve livros das editoras da LeYa e de outras editoras do mercado.
O Clube de Leytura está organizado para cinco faixas etárias, entre os 0 e os 13 anos. Todos os meses os subscritores receberão, por e-mail, informação sobre os dois livros recomendados, podendo então optar por estes ou em alternativa por um vasto catálogo. Na primeira semana do mês seguinte receberão, por correio, uma caixa com os seus dois livros para a faixa etária em que se registaram bem como um conjunto de surpresas. O preço da subscrição será de 9,90€ por mês (portes incluídos). 
No primeiro mês, os escritores Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, António Mota e Alice Vieira, e a editora de literatura infantil e juvenil, Carla Teixeira Pinheiro, são os curadores “de serviço” que irão transmitir aos subscritores os critérios das suas escolhas.

PRIMEIRAS ESCOLHAS
Os dez primeiros livros serão: 
-0 a 3 anos -“Pinguim”, de Polly Dunbar e “Parabéns”, da DK
-4 a 5 anos- “A Menina que Sorria a Dormir”, de Isabel Zambujal e “Adivinha o Quanto eu Gosto de Ti…Todo o ano”, de Sam McBratney
-6 a 8 anos- “A Joaninha Vaidosa”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e “O Alfabeto dos Bichos” de José Jorge Letria
-9 a 10 anos- “Diário de uma Totó – Volume 1”, de Rachel Renée Russell, e “O Principezinho”, de Antoine de Saint-Éxupéry
-11 a 13 anos-“O Rapaz do Pijama às Riscas”, de John Boyne, e “As Gémeas no Colégio de Santa Clara”, de Enid Blyton

Para Tiago Morais Sarmento, Administrador da LeYa, «o Clube de Leytura pretende ser um serviço prestado à comunidade e uma resposta do Grupo à clara necessidade de criar hábitos de leitura nas crianças e famílias portuguesas. Para além da facilidade e comodidade do serviço, permite ainda adquirir livros para a sua primeira biblioteca com um desconto de cerca de 40% face ao valor de capa o que representa também uma vantagem económica muito relevante». 
Os primeiros curadores do Clube reforçam esta ideia. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada sublinham que o Clube de LeYtura “é uma iniciativa muito louvável e inovadora”, reforçando aquilo em que cientistas que estudam o cérebro são unânimes: “a prática da leitura é o fator mais importante para o desenvolvimento intelectual das crianças e dos jovens”. 
António Mota, destaca a emoção que as crianças irão sentir ao “abrir a caixa do correio” e ao verem “que os livros que estavam dentro ganharão novos leitores”. Alice Vieira refere que «só com boas histórias os mais novos se tornam grandes leitores.»
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Clube de Leytura: www.clubedeleytura.com

Helena Briosa e Mota sobre “Páginas Esquecidas" de Agostinho da Silva

1-Qual a ideia que esteve na origem deste livro «Páginas Esquecidas» de Agostinho da Silva?
R- Honrar – porque honra é devida a quem a merece – e não deixar esquecer a espantosa obra empreendida por Agostinho da Silva em Portugal entre 1938 e 1947, de que mal se fala e a que poucos atribuem importância. Numa época de profunda iliteracia e clamoroso analfabetismo (das 750 mil crianças em idade escolar só cerca de 200 mil sabiam ler; entre iletrados adolescente e adultos, 800 mil ainda estavam em idade de aprender), Agostinho empreendeu uma campanha de educação popular e de divulgação cultural em Portugal, de norte a sul do país, com reduzidíssimos apoios. Praticamente sozinho, durante os anos 30 e 40, difundiu a cultura em associações, agremiações e clubes populares, respondendo aos apelos e pedidos que das mais variadas formas lhe chegavam; escrevendo, palestrando, montando exposições, promoveu e valorizou a recuperação de práticas ancestrais em vias de desaparecimento. E, sobretudo, publicou e divulgou, a expensas próprias, cerca de três mil páginas de Cadernos de Divulgação Cultural de que se dá nota nestas «Páginas Esquecidas», numa selecção de 450. Escritos para crianças, jovens, e para a população em geral, nestes cadernos procurou Agostinho estabelecer os alicerces de uma cultura geral, dando informação quanto possível certa e objectiva «sobre o que no mundo significa progresso».  Eis o seu mote, os seus intuitos, e por que me rendo perante este homem coerente, de conduta exemplar, em defesa do interesse comunitário, a quem ficamos a dever a campanha que, sendo de divulgação cultural, acabou por se tornar numa efectiva campanha de elevação pessoal. Em defesa do direito de cada um ao saber e à cultura. Embora por algum tempo visse o seu nome enlameado, e estivesse inclusive privado da liberdade (durante 19 dias na cadeia do Aljube), não desistiu, porque a sua consciência assim lho ordenava. Todos, sem excepção, mesmo que não tenhamos consciência disso, estamos em dívida para com este homem: pela obra colossal que empreendeu, pela forma exemplar como a desenvolveu, pelo espólio que nos legou. Honra, por conseguinte, lhe é devida. E agradeço à Quetzal e ao Francisco José Viegas pelo desafio, pela coragem, e também pelo baptismo da obra: preciosas, estas Páginas não poderiam continuar Esquecidas. Seria um crime de lesa-cultura.

2-De que forma os textos que reuniu nesta antologia permitem conhecer melhor as ideias de Agostinho da Silva?
R- Os textos que aqui se reúnem constituem, a meu ver, o proto pensamento de Agostinho da Silva. Porque em si encerram a base do pensamento que, consistentemente, ao longo da vida, irá desenvolver e consolidar. 
Comecemos pela ideia de mundo que tem em mente: um mundo melhor, onde pessoas e povos sejam mais realizados, mais conscientes do que querem e liminarmente rejeitam. Deu-lhe muitos nomes, de «mundo novo», «mundo da cidade planetária», ou «Reino do Espírito Santo»; mas o sonho, a ideia para esta «era» que tanto propalou, nunca deixou de ser a de um mundo em que há respeito, liberdade, igualdade e fraternidade; em que há comida, educação e saúde para todos; em que se respeita e dá liberdade à criança de escolher a sua via; em que se cuida do ambiente e dos animais que com os humanos coabitam; em que o trabalho, que se deseja seja criativo e fonte de realização é visto como fonte de prazer e não como castigo; em que existe tempo para a criação, o tal tempo de ócio e de liberdade em que será possível criar. Em liberdade se poderá criar: criar saber, criar cultura, criar beleza, criar alegria e bem-estar.  Agostinho não sonhou este mundo para si próprio; muito menos, em exclusivo, para os seus, a quem queria e amava: sonhou-o para todos os que connosco habitam o planeta. Que deseja mais fraterno, porque desapossado de preconceitos, sejam religiosos – nestas Páginas Esquecidas temos o quadro geral das bases do pensamento ecuménico agostiniano –, sejam discriminatórios. É um mundo de respeito e defesa dos direitos humanos; governado por dirigentes de qualidade moral e intelectual excepcional, que têm como desígnio garantir a felicidade aos seus governados; que difundem a compreensão e promovem uma efectiva cooperação inter-povos. Mundo, sobretudo, onde as pessoas são educadas para pensar pela sua cabeça, onde se recusam a ser manipuladas e não aceitam doutrinas sem as discutir ou questionar.  Pouco se tem falado do pensamento político de Agostinho. Há que o ler. E espantar-nos-emos com a actualidade desse pensamento, com o teor revolucionário do seu conteúdo: «… para que possa, melhorando-se, melhorar também os outros, o homem precisa de ser livre; as liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica…». Há que o ler, repito. E, da sua leitura, continuarmos na acção por ele proposta: reunirmo-nos, juntarmo-nos, para conversar, debater, discutir… Outra ideia basilar em Agostinho é a do amor pela Língua Portuguesa. Porque elo de comunhão entre povos; de comunhão, de elevação e de libertação… Curiosamente, é nos textos que escreve para a mocidade e a juventude que se conseguem entrever as ideias mais íntimas, as grandes convicções de Agostinho. Há que os ler. Poderia continuar. Cansaria os leitores. Mais que lerem o que eu ou quem quer que seja possa dizer sobre Agostinho, há que ler a palavra do próprio Agostinho!

3-Estas páginas esquecidas são peças inéditas e avulsas: que outras áreas (eventualmente menos conhecidas mas importantes) podem ser exploradas do pensamento de Agostinho da Silva?
R- Insistiria na necessidade de dar a conhecer o que permanece «esquecido» desta obra comeniana de divulgação do saber, verdadeiro contributo para a educação permanente, onde são oferecidas as bases do que se considerava (e continua) ser o conhecimento necessário. E fá-lo para todos, tratando diferentes assuntos, das artes às ciências, das literaturas às religiões, das vidas de grandes modelos da humanidade (sejam inventores, descobridores, escritores, místicos, poetas, professores) às aventuras que galvanizaram a História e a que devemos o nosso actual bem-estar: porque nos foi trazido pelo esforço e pela coragem desses indómitos aventureiros que se ultrapassaram em prol de um sonho e de uma causa. Exemplos a seguir. Onde, em regra, descobrimos mais uma (nova) faceta de Agostinho. Estou segura que, depois de conhecidas as mais de 2500 páginas que permanecem, ainda, esquecidas, muito se evoluirá no conhecimento e compreensão do pensamento, mas também da vida de Agostinho da Silva.
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Agostinho da Silva
Páginas Esquecidas
(Helena Briosa e Mota: Organização, fixação do texto, selecção, introdução e notas)
Quetzal  19,90€

LEONOR XAVIER


Leonor Xavier continua com imensa actividade de escrita como jornalista e como escritora.
Escreveu ficção crónicas e biografias, tendo publicado até agora  mais de 10 livros. 
Recebeu o Prémio Máxima de Literatura 2010 com uma autobiografia (Casas Contadas) e o Prémio Frei Bento Domingues 2016.
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1. O que é para si a felicidade absoluta?
R- A Paz
2. Qual considera ser o seu maior feito?
R- Viver com atenção
3. Qual a sua maior extravagância?
R- Comprar livros que não conseguirei ler
4. Que palavra ou frase mais utiliza?
R- Acredito que…
5. Qual o traço principal do seu carácter?
R- Ser afirmativa
6. O seu pior defeito?
R- Dar opinião dispensável sobre situações concretas
7. Qual a sua maior mágoa?
R- Entre algumas, Não sei qual é a maior. Talvez seja a saudade e a falta dos meus mortos.
8. Qual o seu maior sonho?
R- Que tempo que tenho para viver seja fértil e bom
9. Qual o dia mais feliz da sua vida?
R- O nascimento da minha primeira filha
10. Qual a sua máxima preferida? 
R- O milagre é a vida, o mistério é a morte
11. Onde (e como) gostaria de viver?
R- Em Lisboa, tal como hoje vivo.
12. Qual a sua cor preferida?
R- Azul
13. Qual a sua flor preferida?
R- papoila no campo
14. O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Cão
15. Que compositores prefere?
R- Bach
16. Pintores de eleição?
R- Conforme os meus tempos interiores
17. Quais são os seus escritores favoritos?
R- Impossível, imensa. Desde a Ilíada, aos poetas do Cancioneiro de Resende, aos clássicos franceses e espanhóis do séc. XVII, aos clássicos russos, aos contemporâneos brasileiros e portugueses. Grandes livros: Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar, Dom Quixote de la Mancha de Cervantes, Grande Sertão Veredas de João Guimarães Rosa, Poesia e crónicas de Carlos Drummond de Andrade e Obra de Agustina Bessa-Luis.
19.O que mais aprecia nos seus amigos?
R- A cumplicidade
20. Quais são os seus heróis?
R- Fernão Mendes Pinto, padre António Vieira
21. Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- o imperador Adriano no livro de marguerite yourcenar
22. Qual a sua personagem histórica favorita?
R- rei d. sebastião
23. E qual é a sua personagem favorita na vida real?
R-  O Papa Francisco
24. Que qualidade(s) mais aprecia num homem?
R- A inteligência, o charme
25. E numa mulher?
R- A beleza, a força de caráter
26.Que dom da natureza gostaria de possuir?
R- Mais 10 cm de altura e menos 10 kg de peso
27. Qual é para si a maior virtude?
R- Coragem e bom-senso
28. Como gostaria de morrer?
R- A dormir.
29. Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser? 
R- Eu própria, com mais 10cm de altura e menos 10 kg de peso.
30. Qual é o seu lema de vida?
R- O que disse na resposta 10 e é de minha autoria.
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Leonor Xavier na "Novos Livros" | Entrevistas