Poesia

Cláudia Lucas Chéu: Confissão


1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Confissão»?

R- Confissão, é o meu primeiro (e quiçá último) livro de poesia confessional. Depois de ter escrito e de terem sido publicados livros meus em vários cânones (dramaturgia, poesia, novela e contos), surgiu esta forma. Talvez o conteúdo me tenha levado a outro estilo. “Verdadeiramente, é o estilo que importa. O estilo escolhe o enredo.” A frase é de Susan Sontag, mas julgo que ambos (estilo e enredo) se contaminam reciprocamente. Este livro representa um objecto distinto no conjunto dos meus onze livros publicados — com uma voz próxima das minhas memórias de infância e um estilo entre a poesia, a prosa ficcional e a dramaturgia. Está catalogado como poesia confessional, embora seja um híbrido.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia inicial foi a de registar fragmentos de uma infância num ambiente violento e miserável e entrar num registo autobiográfico poético e narrativo. Cá está, a forma surgiu durante a escrita, não foi definida previamente. Julgo que este livro só podia ter sido escrito depois da maternidade e depois de ter entrado na casa dos 40 anos (com sorte significa que vamos, mais ou menos, a meio da viagem).

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Conto agora terminar de escrever o meu mais recente romance e acabar de organizar o meu livro de poesia. Talvez daqui a 40 anos volte a registar novas confissões.
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Cláudia Lucas Chéu
Confissão
Companhia das Ilhas  10€
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Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão … estou perdido.

José de Almada Negreiros
“A Invenção do Dia Claro”

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