Diga não ao cruel comércio da morte.

Dia Mundial da Criança | 2019


Este fim de semana, a Wook oferece 20% de desconto em todas as compras de livros infantis e juvenis.
Mais informação em www.wook.pt

Clube de Leytura: uma nova aposta para captar novos leitores


O Clube de Leytura é o primeiro clube português de subscrição de livros infantis e juvenis e estará disponível no Dia Internacional da Criança, na Feira do Livro de Lisboa. Segundo a Leya, o objectivo é “contribuir para desenvolver bons hábitos de leitura e para a criação da primeira biblioteca em casa a um preço muito acessível e com toda a comodidade”.
O clube funcionará de forma simples, bastando apenas um registo em clubedeleytura.com. Com esse registo, crianças e jovens receberão, todos os meses, dois livros, que serão selecionados por editores, escritores, ilustradores, professores e outros especialistas, que formarão o colectivo de curadores do Clube de Leytura.
Com esta nova iniciativa, o grupo editorial LeYa pretende “reforçar hábitos de leitura, dar a conhecer autores e obras de referência, com particular relevância para autores portugueses, e recriar tempo de qualidade entre pais e filhos”. 
O universo de obras disponíveis envolve livros das editoras da LeYa e de outras editoras do mercado.
O Clube de Leytura está organizado para cinco faixas etárias, entre os 0 e os 13 anos. Todos os meses os subscritores receberão, por e-mail, informação sobre os dois livros recomendados, podendo então optar por estes ou em alternativa por um vasto catálogo. Na primeira semana do mês seguinte receberão, por correio, uma caixa com os seus dois livros para a faixa etária em que se registaram bem como um conjunto de surpresas. O preço da subscrição será de 9,90€ por mês (portes incluídos). 
No primeiro mês, os escritores Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, António Mota e Alice Vieira, e a editora de literatura infantil e juvenil, Carla Teixeira Pinheiro, são os curadores “de serviço” que irão transmitir aos subscritores os critérios das suas escolhas.

PRIMEIRAS ESCOLHAS
Os dez primeiros livros serão: 
-0 a 3 anos -“Pinguim”, de Polly Dunbar e “Parabéns”, da DK
-4 a 5 anos- “A Menina que Sorria a Dormir”, de Isabel Zambujal e “Adivinha o Quanto eu Gosto de Ti…Todo o ano”, de Sam McBratney
-6 a 8 anos- “A Joaninha Vaidosa”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, e “O Alfabeto dos Bichos” de José Jorge Letria
-9 a 10 anos- “Diário de uma Totó – Volume 1”, de Rachel Renée Russell, e “O Principezinho”, de Antoine de Saint-Éxupéry
-11 a 13 anos-“O Rapaz do Pijama às Riscas”, de John Boyne, e “As Gémeas no Colégio de Santa Clara”, de Enid Blyton

Para Tiago Morais Sarmento, Administrador da LeYa, «o Clube de Leytura pretende ser um serviço prestado à comunidade e uma resposta do Grupo à clara necessidade de criar hábitos de leitura nas crianças e famílias portuguesas. Para além da facilidade e comodidade do serviço, permite ainda adquirir livros para a sua primeira biblioteca com um desconto de cerca de 40% face ao valor de capa o que representa também uma vantagem económica muito relevante». 
Os primeiros curadores do Clube reforçam esta ideia. Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada sublinham que o Clube de LeYtura “é uma iniciativa muito louvável e inovadora”, reforçando aquilo em que cientistas que estudam o cérebro são unânimes: “a prática da leitura é o fator mais importante para o desenvolvimento intelectual das crianças e dos jovens”. 
António Mota, destaca a emoção que as crianças irão sentir ao “abrir a caixa do correio” e ao verem “que os livros que estavam dentro ganharão novos leitores”. Alice Vieira refere que «só com boas histórias os mais novos se tornam grandes leitores.»
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Clube de Leytura: www.clubedeleytura.com

Helena Briosa e Mota sobre “Páginas Esquecidas" de Agostinho da Silva

1-Qual a ideia que esteve na origem deste livro «Páginas Esquecidas» de Agostinho da Silva?
R- Honrar – porque honra é devida a quem a merece – e não deixar esquecer a espantosa obra empreendida por Agostinho da Silva em Portugal entre 1938 e 1947, de que mal se fala e a que poucos atribuem importância. Numa época de profunda iliteracia e clamoroso analfabetismo (das 750 mil crianças em idade escolar só cerca de 200 mil sabiam ler; entre iletrados adolescente e adultos, 800 mil ainda estavam em idade de aprender), Agostinho empreendeu uma campanha de educação popular e de divulgação cultural em Portugal, de norte a sul do país, com reduzidíssimos apoios. Praticamente sozinho, durante os anos 30 e 40, difundiu a cultura em associações, agremiações e clubes populares, respondendo aos apelos e pedidos que das mais variadas formas lhe chegavam; escrevendo, palestrando, montando exposições, promoveu e valorizou a recuperação de práticas ancestrais em vias de desaparecimento. E, sobretudo, publicou e divulgou, a expensas próprias, cerca de três mil páginas de Cadernos de Divulgação Cultural de que se dá nota nestas «Páginas Esquecidas», numa selecção de 450. Escritos para crianças, jovens, e para a população em geral, nestes cadernos procurou Agostinho estabelecer os alicerces de uma cultura geral, dando informação quanto possível certa e objectiva «sobre o que no mundo significa progresso».  Eis o seu mote, os seus intuitos, e por que me rendo perante este homem coerente, de conduta exemplar, em defesa do interesse comunitário, a quem ficamos a dever a campanha que, sendo de divulgação cultural, acabou por se tornar numa efectiva campanha de elevação pessoal. Em defesa do direito de cada um ao saber e à cultura. Embora por algum tempo visse o seu nome enlameado, e estivesse inclusive privado da liberdade (durante 19 dias na cadeia do Aljube), não desistiu, porque a sua consciência assim lho ordenava. Todos, sem excepção, mesmo que não tenhamos consciência disso, estamos em dívida para com este homem: pela obra colossal que empreendeu, pela forma exemplar como a desenvolveu, pelo espólio que nos legou. Honra, por conseguinte, lhe é devida. E agradeço à Quetzal e ao Francisco José Viegas pelo desafio, pela coragem, e também pelo baptismo da obra: preciosas, estas Páginas não poderiam continuar Esquecidas. Seria um crime de lesa-cultura.

2-De que forma os textos que reuniu nesta antologia permitem conhecer melhor as ideias de Agostinho da Silva?
R- Os textos que aqui se reúnem constituem, a meu ver, o proto pensamento de Agostinho da Silva. Porque em si encerram a base do pensamento que, consistentemente, ao longo da vida, irá desenvolver e consolidar. 
Comecemos pela ideia de mundo que tem em mente: um mundo melhor, onde pessoas e povos sejam mais realizados, mais conscientes do que querem e liminarmente rejeitam. Deu-lhe muitos nomes, de «mundo novo», «mundo da cidade planetária», ou «Reino do Espírito Santo»; mas o sonho, a ideia para esta «era» que tanto propalou, nunca deixou de ser a de um mundo em que há respeito, liberdade, igualdade e fraternidade; em que há comida, educação e saúde para todos; em que se respeita e dá liberdade à criança de escolher a sua via; em que se cuida do ambiente e dos animais que com os humanos coabitam; em que o trabalho, que se deseja seja criativo e fonte de realização é visto como fonte de prazer e não como castigo; em que existe tempo para a criação, o tal tempo de ócio e de liberdade em que será possível criar. Em liberdade se poderá criar: criar saber, criar cultura, criar beleza, criar alegria e bem-estar.  Agostinho não sonhou este mundo para si próprio; muito menos, em exclusivo, para os seus, a quem queria e amava: sonhou-o para todos os que connosco habitam o planeta. Que deseja mais fraterno, porque desapossado de preconceitos, sejam religiosos – nestas Páginas Esquecidas temos o quadro geral das bases do pensamento ecuménico agostiniano –, sejam discriminatórios. É um mundo de respeito e defesa dos direitos humanos; governado por dirigentes de qualidade moral e intelectual excepcional, que têm como desígnio garantir a felicidade aos seus governados; que difundem a compreensão e promovem uma efectiva cooperação inter-povos. Mundo, sobretudo, onde as pessoas são educadas para pensar pela sua cabeça, onde se recusam a ser manipuladas e não aceitam doutrinas sem as discutir ou questionar.  Pouco se tem falado do pensamento político de Agostinho. Há que o ler. E espantar-nos-emos com a actualidade desse pensamento, com o teor revolucionário do seu conteúdo: «… para que possa, melhorando-se, melhorar também os outros, o homem precisa de ser livre; as liberdades essenciais são três: liberdade de cultura, liberdade de organização social, liberdade económica…». Há que o ler, repito. E, da sua leitura, continuarmos na acção por ele proposta: reunirmo-nos, juntarmo-nos, para conversar, debater, discutir… Outra ideia basilar em Agostinho é a do amor pela Língua Portuguesa. Porque elo de comunhão entre povos; de comunhão, de elevação e de libertação… Curiosamente, é nos textos que escreve para a mocidade e a juventude que se conseguem entrever as ideias mais íntimas, as grandes convicções de Agostinho. Há que os ler. Poderia continuar. Cansaria os leitores. Mais que lerem o que eu ou quem quer que seja possa dizer sobre Agostinho, há que ler a palavra do próprio Agostinho!

3-Estas páginas esquecidas são peças inéditas e avulsas: que outras áreas (eventualmente menos conhecidas mas importantes) podem ser exploradas do pensamento de Agostinho da Silva?
R- Insistiria na necessidade de dar a conhecer o que permanece «esquecido» desta obra comeniana de divulgação do saber, verdadeiro contributo para a educação permanente, onde são oferecidas as bases do que se considerava (e continua) ser o conhecimento necessário. E fá-lo para todos, tratando diferentes assuntos, das artes às ciências, das literaturas às religiões, das vidas de grandes modelos da humanidade (sejam inventores, descobridores, escritores, místicos, poetas, professores) às aventuras que galvanizaram a História e a que devemos o nosso actual bem-estar: porque nos foi trazido pelo esforço e pela coragem desses indómitos aventureiros que se ultrapassaram em prol de um sonho e de uma causa. Exemplos a seguir. Onde, em regra, descobrimos mais uma (nova) faceta de Agostinho. Estou segura que, depois de conhecidas as mais de 2500 páginas que permanecem, ainda, esquecidas, muito se evoluirá no conhecimento e compreensão do pensamento, mas também da vida de Agostinho da Silva.
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Agostinho da Silva
Páginas Esquecidas
(Helena Briosa e Mota: Organização, fixação do texto, selecção, introdução e notas)
Quetzal  19,90€

LEONOR XAVIER


Leonor Xavier continua com imensa actividade de escrita como jornalista e como escritora.
Escreveu ficção crónicas e biografias, tendo publicado até agora  mais de 10 livros. 
Recebeu o Prémio Máxima de Literatura 2010 com uma autobiografia (Casas Contadas) e o Prémio Frei Bento Domingues 2016.
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1. O que é para si a felicidade absoluta?
R- A Paz
2. Qual considera ser o seu maior feito?
R- Viver com atenção
3. Qual a sua maior extravagância?
R- Comprar livros que não conseguirei ler
4. Que palavra ou frase mais utiliza?
R- Acredito que…
5. Qual o traço principal do seu carácter?
R- Ser afirmativa
6. O seu pior defeito?
R- Dar opinião dispensável sobre situações concretas
7. Qual a sua maior mágoa?
R- Entre algumas, Não sei qual é a maior. Talvez seja a saudade e a falta dos meus mortos.
8. Qual o seu maior sonho?
R- Que tempo que tenho para viver seja fértil e bom
9. Qual o dia mais feliz da sua vida?
R- O nascimento da minha primeira filha
10. Qual a sua máxima preferida? 
R- O milagre é a vida, o mistério é a morte
11. Onde (e como) gostaria de viver?
R- Em Lisboa, tal como hoje vivo.
12. Qual a sua cor preferida?
R- Azul
13. Qual a sua flor preferida?
R- papoila no campo
14. O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Cão
15. Que compositores prefere?
R- Bach
16. Pintores de eleição?
R- Conforme os meus tempos interiores
17. Quais são os seus escritores favoritos?
R- Impossível, imensa. Desde a Ilíada, aos poetas do Cancioneiro de Resende, aos clássicos franceses e espanhóis do séc. XVII, aos clássicos russos, aos contemporâneos brasileiros e portugueses. Grandes livros: Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar, Dom Quixote de la Mancha de Cervantes, Grande Sertão Veredas de João Guimarães Rosa, Poesia e crónicas de Carlos Drummond de Andrade e Obra de Agustina Bessa-Luis.
19.O que mais aprecia nos seus amigos?
R- A cumplicidade
20. Quais são os seus heróis?
R- Fernão Mendes Pinto, padre António Vieira
21. Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- o imperador Adriano no livro de marguerite yourcenar
22. Qual a sua personagem histórica favorita?
R- rei d. sebastião
23. E qual é a sua personagem favorita na vida real?
R-  O Papa Francisco
24. Que qualidade(s) mais aprecia num homem?
R- A inteligência, o charme
25. E numa mulher?
R- A beleza, a força de caráter
26.Que dom da natureza gostaria de possuir?
R- Mais 10 cm de altura e menos 10 kg de peso
27. Qual é para si a maior virtude?
R- Coragem e bom-senso
28. Como gostaria de morrer?
R- A dormir.
29. Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser? 
R- Eu própria, com mais 10cm de altura e menos 10 kg de peso.
30. Qual é o seu lema de vida?
R- O que disse na resposta 10 e é de minha autoria.
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Leonor Xavier na "Novos Livros" | Entrevistas

João Moita | Uma Pedra sobre a Boca

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «Uma Pedra sobre a Boca»?
R- Com este livro faço o balanço e fecho a tudo o que escrevi: ele é a minha obra. Nele refundo os meus dois primeiros livros, reduzidos em dois terços e trabalhados até à deformação, e reedito, também com alterações, inclusões e exclusões, o meu terceiro livro, Fome, que teve duas edições de pequena tiragem, entretanto esgotadas. Este momento fixa o que fui capaz de escrever e ainda não rejeitei, e daqui por diante só concebo que este corpo diminua, até se tornar essencial, isto é, pura potencialidade. Significará que me tornei melhor e mais insatisfeito leitor.

2-Qual a ideia que esteve na origem do livro?
R- Como poeta póstumo a mim mesmo, com escassa obra inencontrável, queria uma última oportunidade para estabelecer o meu corpus, procedendo às elisões e ajustes que considerava necessários, ao mesmo tempo que lhe assegurava uma exposição que, justa ou injustamente – é o que veremos –, nunca teve.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Deixei de escrever. Nunca nada me satisfez, e chega de humilhação.
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João Moita
Uma Pedra sobre a Boca
Guerra e Paz  €

Almeida Maia | A Viagem de Juno

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro «A Viagem de Juno»?
R- Este romance é uma primeira incursão minha na ficção científica, uma espécie de viagem a um possível futuro em que as condições climáticas alteraram drasticamente o nosso país e o mundo. Mantendo algumas características do thriller psicológico, que caracterizaram os livros anteriores, coloco as personagens perante dilemas daquele ano de 2049, que terão de ser resolvidos. O cenário a que me refiro contempla questões como a possibilidade de a União Europeia perder outros países além do Reino Unido, o aumento populacional ou mesmo a criopreservação. O tema principal é uma vertiginosa subida dos níveis dos mares, o que deu origem à criação fictícia da Rede Tubular Subaquática, por onde circulam confortáveis comboios magnéticos.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R- A ideia surgiu de um desafio que me foi lançado em 2013 por Terry Costa, da MiratecArts, aquando da apresentação do meu segundo romance “Capítulo 41: A Redescoberta da Atlântida” na ilha do Pico, nos Açores. A rede subaquática de comboios teve inspiração no projeto para a construção do Túnel Transatlântico, que ligaria Londres a Nova Iorque, discutido por Michel Verne (filho de Júlio Verne), em 1888. No fundo, esta história é uma aventura, que tanto ensina como diverte. Juno é um rapaz de nove anos, que acompanha o avô numa odisseia pelo mundo, procurando respostas. Ao mesmo tempo, um geólogo Islandês “acorda” na Rússia, depois de trinta anos em criopreservação. Encontrou o planeta totalmente mudado, em que as calotas polares derreteram. Além de se tratar de uma aventura e de uma viagem estimulantes, este livro é igualmente uma chamada de atenção para possíveis mudanças climáticas, uma causa cada vez mais premente. Estou certo de que suscitará muita curiosidade junto dos leitores.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Será lançada em breve a Antologia de Contos do Centro de Estudos Mário Cláudio 2018, para a qual foi selecionado o meu conto “O Galheteiro de Prata” e outros nove de autores nacionais. Outra novidade será a minha estreia na escrita de guião, com a apresentação de uma curta-metragem que ambiciona ser o começo de uma série de televisão. No meu próximo romance, recuarei a 1960 e centrarei a ação na ilha de Santa Maria, para a história de um jovem que tenta emigrar ilegalmente, colocando-se dentro do vão da roda de um avião. Uma história fascinante!
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Almeida Maia
A Viagem de Juno
Letras Lavadas  14,27€

Carlos Manuel de Oliveira | Brand Management na era Digital e Humana

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Brand Management na era Digital e Humana»?
R-1º Disponibilizar um manual compreensivo - isto é, que abrangesse todas as áreas - da construção e gestão de marcas; 2º Aplicar uma mesma metodologia à análise comparativa da identidade de marcas, nacionais e estrangeiras, de diversos sectores de actividade; 3º Assumir e defender a necessidade de uma estratégia integrada de construção e gestão de marcas, online e offline, acentuando o factor indispensável do ser humano, no centro de todas as actividades de marketing.

2-Num mundo global como o nosso, ainda há espaço para empresas mais pequenas apostarem (e terem sucesso) na criação e afirmação das suas marcas?
R-O mercado é um espaço concorrencial e global, acentuado pelo meio digital, sem limites, sempre em crescimento e evolução, onde o factor dimensão nem sempre é relevante. A base na criação de uma marca vencedora é ter-se uma visão presente e futura das necessidades dos consumidores, antevendo-as assim, como analisar e incorporar no negócio as grandes tendências previstas para o mercado.

3-Na pesquisa que realizou, que novas tendências puderam identificar que vão marcar a gestão da marca nos próximos anos?
R-A gestão de uma marca, já no presente, e no futuro, terá de ser caracterizada por uma crescente personalização e humanização, tornando-a próxima, relevante, fazendo parte da vida - lifestyle - de cada elemento do seu alvo. Complementarmente, e em suma, uma marca tem de: Ter uma forte Identidade, Diferenciada da sua concorrência; Ser Flexível e Ágil, ouvir e ter capacidade de resposta, em tempo real, adaptando-se aos interesses evolutivos e cambiantes dos seus clientes; Criar Confiança, ter um Propósito e ser Socialmente Responsável; Criar Intimidade e uma Relação Humanizada; Criar Experiências Memoráveis nos consumidores e seus clientes. Dando suporte a tudo isto, a Marca tem de ser a Base da Estratégia, do Modelo de Negócio e da Organização Empresarial, disponibilizando uma oferta de Produtos ou Serviços, da forma mais adequada e adaptada às exigências e interesses dos seus clientes.
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Carlos Manuel de Oliveira
Band Management na Era Digital e Humana
Actual Editora  36,90€

Artur Azul | Mente e Consciência

1. Como podemos conciliar Filosofia e Neurociência?
R- Ainda que, por vezes, alguns cientistas pensem que a Filosofia não lhes interessa em nada para o seu trabalho específico, a verdade é que, como diz o filósofo e cientista Daniel Dennett, «não há tal coisa como ciência livre de filosofia; há apenas ciência cuja bagagem filosófica é tomada a bordo sem examinação». Tem de se esclarecer, à partida, que à filosofia não cabe o papel de se substituir à ciência; é a esta que cabe a função de investigar, produzir conhecimento objetivo sobre o domínio que investiga e verificar empiricamente a validade desse conhecimento. À filosofia não lhe cabe a função de produzir conhecimento ao nível empírico. No entanto, a filosofia tem o direito de se situar “aquém” e “além” da ciência: (1) “aquém” no sentido em que não se faz ciência sem um fundo de pressuposições e orientações que a filosofia tem o direito de questionar e procurar esclarecer (por exemplo, os conceitos utilizados pela ciência, a adequação dos métodos empregues, face aos objetivos visados, etc.); e (2) “além” no sentido em que, após a obtenção dos conhecimentos científicos, há de novo lugar para a intervenção da filosofia, relacionando esses conhecimentos com outras áreas dos saberes e atividades humanas (questões éticas, socioculturais, etc.) e procurando perspetivas mais abrangentes. Portanto, entre filosofia e neurociência, não se trata de obter uma conciliação no sentido em que ambas estejam de acordo ou que cheguem às mesmas conclusões; no entanto, podemos falar de uma ação complementar entre essas duas disciplinas do pensamento.

2. Que ideias estão na origem da reflexão e escrita deste livro?
R-Como digo no Prefácio do livro, «o presente trabalho teve, como ponto de partida, algumas ideias ou conceções que foram surgindo, de forma embrionária, na sequência de algumas leituras prévias nos domínios filosófico e científico sobre a mente e a consciência». As funções ou faculdades de uma mente consciente – perceção, emoção, memória, volição, pensamento, etc. – são, para mim, uma temática fascinante, pois representam o domínio central do nosso ser enquanto pessoas. A minha formação filosófica levou-me a procurar obras de filosofia nessa área e verifiquei que existiam muito poucas publicações em português. Os principais filósofos contemporâneos da mente e da consciência situam-se no espaço geográfico habitualmente designado por “mundo de fala inglesa” e há pouquíssimas traduções das suas obras para português. Por outro lado, temos o neurocientista português, António Damásio, que é uma referência a nível mundial no domínio da neurociência. Daí, o reforço do meu interesse por esta disciplina que, nas últimas décadas tem sido bastante falada, sobretudo devido às múltiplas descobertas sobre o funcionamento do cérebro humano e possíveis explicações sobre a consciência. Após alguns anos de leituras e pesquisas nestes dois domínios – filosofia e neurociência –, constatei que não havia praticamente nada publicado em português que conjugasse estas duas áreas disciplinares. Daí, que tenha encarado o desafio de escrever um trabalho sobre a mente e a consciência que abordasse ao mesmo tempo as perspetivas da filosofia e da neurociência.

3. A mente humana é, ainda, um enorme desafio ou estamos a começar a descobrir cada vez mais elementos concretos e esclarecedores?
R-A mente humana abrange uma grande diversidade de funções ou faculdades, desde as perceções e emoções, até aos pensamentos mais complexos e sublimes, passando pela memória, imaginação, crenças, desejos, intenções, etc. Além disso, acompanhando todas essas funções temos, em maior ou menor grau, a consciência. A consciência é aquilo que mais direta e intimamente conhecemos, pois é, por definição, a nossa própria presença, sentida, percebida ou projetada, que acompanha os nossos estados e eventos mentais. No entanto, a consciência e a mente em geral representam efetivamente um enorme desafio para as ciências da mente, designadamente, para a neurociência. A razão disso reside no facto de a consciência, assim como muitas funções mentais, ocorrerem na interioridade de cada um, sendo diretamente acessíveis apenas ao próprio sujeito em que ocorrem (subjetividade e perspetiva de primeira pessoa), ao passo que a ciência exige a objetividade e a perspetiva de terceira pessoa (observação de um ponto de vista exterior ou intersubjetivo). O conhecimento do funcionamento do cérebro tem aumentado muito com as investigações neurocientíficas. Por exemplo, sabe-se que, quando ocorrem certos tipos de emoções, quando falamos ou estamos atentos, quando resolvemos problemas ou quando planeamos ações, certas regiões ou órgãos do cérebro entram em atividade (aumentando o fluxo sanguíneo, interagindo com outras regiões ou órgãos, segregando certos tipos de substâncias, etc.). A neurociência investiga os processos neurofisiológicos do cérebro e procura estabelecer relações ou correlações desses processos com as funções da mente consciente – os chamados “correlatos neurais da consciência”. No entanto, esses correlatos não são ainda uma explicação da consciência. Ainda não temos uma explicação científica completa de como, a partir dos constituintes físicos, biológicos e neurofisiológicos do cérebro se chega a uma mente que funciona do modo como estamos familiarizados e com uma consciência subjetiva e qualitativa. Esse é um desafio que alguns estão convencidos de que virá a ser alcançado, enquanto outros acham que nunca isso nunca será possível, dada a natureza específica da consciência, perante os métodos objetivos da investigação científica.
Voltando ainda à questão das ideias na origem deste livro, acrescentaria que um dos principais objetivos foi o de procurar esclarecer certos “mal entendidos” e dogmas que ainda predominam quer na filosofia quer na neurociência acerca da consciência. Um desses dogmas surge da parte de alguns neurocientistas das últimas gerações, que assumem que a neurociência deve adotar uma posição fisicalista reducionista – o que os leva à convicção de que a consciência é completamente explicável a partir dos processos neurofisiológicos do cérebro. Contra esse dogma eu procuro esclarecer que a consciência tem uma natureza irredutível a esses processos neurofisiológicos e, por isso, tem de se admitir a necessidade de uma perspetiva diferente. A consciência tem dois níveis de emergência: o senciente e o pensante. Cada um desses níveis resulta do domínio biológico subjacente, mas com a emergência de propriedades ou características inteiramente novas: as sensações, perceções, emoções, volições – no domínio senciente; e o pensamento, a linguagem, a comunicação verbal e simbólica – no domínio da consciência pensante (que continua a ter uma dimensão senciente, mas que também é capaz de autoconsciência e de desenvolver uma memória autobiográfica). E isto implica uma abordagem filosófica, com uma nova perspetivação ontológica – que é a proposta da terceira e última parte do livro.
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Artur Azul
Mente e Consciência
Guerra e Paz  19€

ALEXANDRE ANDRADE


Alexandre Andrade já editou seis livros de ficção, tendo-se afirmado como uma dos grandes contistas portugueses da actualidade. Com um estilo muito próprio e procurando sempre novos caminhos.
Na sua obra mais recente "quis escrever contos sobre as cores e a maneira como afectam a vida das pessoas". Um autor a seguir com toda a atenção. 
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1. O que é para si a felicidade absoluta?
R- Só depender de si mesmo para alcançar os objectivos.
2.  Qual considera ser o seu maior feito?
R- Nem sequer consigo começar a imaginar que critério poderia aplicar para hierarquizar os meus “feitos”.
3. Qual a sua maior extravagância?
R- Deixo a colher dentro da caneca enquanto bebo o leite.
4. Que palavra ou frase mais utiliza?
R- “Dantes é que era bom”.
5. Qual o traço principal do seu carácter?
R- O gosto pelo papel de observador.
6. O seu pior defeito?
R- Falta de disciplina.
7. Qual a sua maior mágoa?
R- Não vou responder a esta.
8. Qual o seu maior sonho?
R- Ver pergunta nº 2.
9. Qual o dia mais feliz da sua vida?
R- 24/4/2006.
10. Qual a sua máxima preferida? 
R- “Segue sempre os teus sonhos e não te esqueças de usar fio dental”. (Do filme “Boyhood”, de Richard Linklater.) 
11. Onde (e como) gostaria de viver?
R- Paris, com um rendimento fixo que evitasse a penúria, empregado por conta própria e com muito tempo livre.
12. Qual a sua cor preferida?
R- Verde e azul.
13. Qual a sua flor preferida?
R- Rosa.
14. O animal que mais simpatia lhe merece?
R- Gato.
15.Que compositores prefere?
R- Schubert, Bach, Debussy, entre outros.
16. Pintores de eleição?
R- Degas, Courbet, Bonnard, Vermeer, Veronese, Barnett Newman, entre outros.
17. Quais são os seus escritores favoritos?
R- Joyce, Proust, Beckett, Kafka, Donald Barthelme, Agustina Bessa-Luís, entre outros.
18. Quais os poetas da sua eleição?
R- Hopkins, Apollinaire, Berryman, Fiama H.P. Brandão, entre outros.
19. O que mais aprecia nos seus amigos?
R- Sentido de humor.
20. Quais são os seus heróis?
R- Aqueles que não cedem à adversidade e mantêm a cabeça erguida.
21.Quais são os seus heróis predilectos na ficção?
R- Murphy (Beckett), o comissário Maigret, Margarita (Bulgakov), Adrian Mole (Sue Townsend), entre outros.
22. Qual a sua personagem histórica favorita?
R- Afonso Costa.
23. E qual é a sua personagem favorita na vida real?
R- Não percebo a pergunta.
24. Que qualidade(s) mais aprecia num homem?
R- A atenção ao próximo.
25. E numa mulher?
R- A atenção ao próximo.
26. Que dom da natureza gostaria de possuir?
R- Uma memória mais fiável.
27. Qual é para si a maior virtude?
R- A compaixão.
28. Como gostaria de morrer?
R- Quando penso neste assunto vem-me sempre à memória uma citação de M. Yourcenar. «Quero morrer lentamente para sentir o processo a ganhar terreno dentro de mim» (citado de memória).
29. Se pudesse escolher como regressar, quem gostaria de ser? 
R- Para quê perder tempo com uma pergunta sobre um acontecimento que, para além de impossível, é (mais grave ainda) conceptualmente inverosímil? Se alguma vez “regressasse”, seria eu mesmo; se fosse outra coisa, já não “regressaria”.
30. Qual é o seu lema de vida?
R- As coisas que têm de ser feitas merecem ser bem feitas.
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Alexandre Andrade na Novos Livros | Entrevistas

Isabel Nery | Sophia de Mello Breyner Andresen



1-Como foi investigar e descobrir o percurso Sophia?
R- Foi uma bela aventura, que me levou até à Grécia, ao Algarve, à Granja e ao Porto, mas também a ouvir cerca de 60 testemunhos. Desde alguma família, grandes amigos, como Manuel Alegre e Graça Morais, até tradutores e especialistas na obra, assim como o pescador José Muchacho ou empregados dos restaurantes que Sophia frequentava. Ou ainda historiadores da ilha de Föhr (antes Dinamarca, hoje Alemanha) de onde o bisavô de Sophia, Jan Andresen, veio para Portugal. Foi um trabalho profundo, de investigação, por isso, a somar ao que já referi, pesquisei arquivos, como os da PIDE, na Torre do Tombo, ou os arquivos da Presidência da República, o espólio da Biblioteca Nacional, assim como artigos de jornal e textos escritos sobre Sophia. O objetivo era chegar a uma visão o mais abrangente possível da autora, que me permitisse revelar uma Sophia completa, nas suas diferentes facetas (criança, mulher, mãe, amiga, poeta, política).

2-Durante a sua pesquisa sobre Sophia de Mello Breyner Andresen, ficou surpreendida com algum aspecto da sua vida?
R- Talvez o mais surpreendente, porque completamente desconhecido até aqui, seja o facto de Sophia ter entrado na Faculdade de Letras de Lisboa (em Filologia Clássica) com uma média relativamente baixa de 12 valores. O génio literário que lhe é reconhecido levaria a pensar que poderíamos estar perante uma aluna genial. No entanto, este dado é, ao mesmo tempo, coerente com a personalidade de Sophia, desde sempre avessa a formalismos e formatações, especialmente aqueles que a escola impunha no tempo da ditadura. Por outro lado, este detalhe é também muito interessante por revelar o rigor na sua postura pública. Ao tornar-se deputada da Assembleia Constituinte, a informação que consta na ficha parlamentar indica nas habilitações literárias: «primeiro ano incompleto». 

3-A biografia que escreveu é, também, um livro sobre a história de Portugal que Sophia viveu e em que se empenhou?
R- Foi uma decisão que tomei relativamente cedo no processo de biografar Sophia. Pareceu-me difícil entregar aos leitores da biografia uma poeta descontextualizada do seu tempo, ou até do tempo que a precedeu. Como poderíamos compreender uma autora se não notássemos que nasceu um ano depois da primeira Guerra Mundial, que cresceu num país pobre e analfabeto e se fez adulta desejando a liberdade num território sujeito à ditadura e à guerra colonial?
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Isabel Nery
Sophia de Mello Breyner Andresen
Esfera dos Livros  22€

Pedro Quelhas Brito | Distribuição-Gestão de Pontos de Venda e de Retalho

1- Qual a ideia que esteve na origem deste vosso livro «Distribuição-Gestão de Pontos de Venda e de Retalho»?
R-A ideia inicial para a elaboração deste livro passou pela constatação de que fazia falta. Fazia falta aos gestores, colaboradores e estudantes dos setores do Retalho, Distribuição e Gestão Comercial.  Só em Portugal, há cerca de 220 mil empresas e 770 mil pessoas que trabalham diretamente no setor do comércio por grosso e a retalho, segundo dados da Pordata. E nas dez maiores empresas empregadoras estão três empresas de retalho: Pingo Doce, Modelo Continente (Grupo SONAE), e Jumbo/Auchan Portugal. Para além disso, aumentou consideravelmente o número de lojas nos últimos anos, estando já previstas muitas aberturas para os próximos anos. Para além destes números “diretos”, temos outros setores relacionados com o comércio de forma indireta, tais como as indústrias agro-alimentares e de bens de grande consumo, e as atividades de transporte e armazenagem, entre outras, que também necessitam de acompanhar os últimos desenvolvimentos do retalho, para se manterem atualizadas.

2 - A distribuição é uma das áreas que mais se alterou nos últimos 20 anos: que balanço se pode fazer, hoje, desse processo?
Desde 1990, o número de empresas do setor do comércio por grosso e a retalho passou de cerca de 560 mil para 770 mil colaboradores, e de 173 mil para 220 mil empresas. Isso representa um aumento superior a 35% em colaboradores, e superior a 25% no número de empresas. Associados a estes números, temos uma história com diversos marcos e inovações no retalho em Portugal nos últimos anos, das quais destacamos:
a) Chegada dos discounts ao mercado português (por exemplo com as primeiras lojas da insígnia Dia em 1993, e Lidl em 1995), que vieram reformular o panorama competitivo do setor; b) Reforço da importância dos atributos de proximidade e conveniência, na escolha do consumidor sobre o local onde efetuam as suas compras (que gera oportunidades para os formatos de menor dimensão e maior proximidade); c) Desenvolvimento de programas de fidelização, recorrendo cartões e aplicações digitais (por exemplo o Cartão Continente tem hoje mais de 3 milhões e 500 mil utilizadores, e a aplicação tem mais de 600 mil utilizadores, segundo informação transmitida pela empresa); d) Maior peso das vendas com Promoções – associadas a folhetos constantes (com periodicidade geralmente semanal), e sistemas de fidelização dos clientes. Destacam-se ainda diversos marcos como as campanhas de 50% do Continente (desde 2003), ou as ações do dia 1 de maio geralmente efetuadas pelo Pingo Doce, que se iniciaram em 2012; e) Maior preocupação com o detalhe nas operações e logística, em busca de eficiência acrescida; f) Centralização logística (entregas dos fornecedores ocorrem em centros de distribuição do retalhista e não nas lojas, na maior parte dos casos); g) Ações de responsabilidade social e de cidadania empresarial das cadeias retalhistas; h) Ofertas direcionadas para turistas e residentes estrangeiros (por exemplo com lojas de souvenirs, e de produtos locais e regionais, bem como produtos e marcas originárias do local de onde os turistas nos visitam); i) Preocupações crescentes com a complexificação do sortido de produtos, devido à multiplicação de produtos e marcas existentes que concorrem pelo seu espaço no linear, pois geram complexidade e custos acrescidos para a operação dos retalhistas; j) Reformulação dos conceitos de loja da maior parte das grandes cadeias retalhistas, para melhorar a experiência de compra dos clientes e a eficiência operacional, bem como para maximizar a produtividade das áreas de venda; k) Crescente importância do e-commerce, retalho omnicanal e fenómenos como o webrooming e showroomingl) Fecho de lojas e de algumas cadeias menos eficientes (veja-se por exemplo as dificuldades que o grupo Dia / Minipreço enfrenta atualmente); m) Consumidor cada vez mais preocupado com a sua saúde e com questões ecológicas e de sustentabilidade (o que tem levado à reformulação da oferta dos retalhistas, com produtos biológicos, “light”, com menos açúcar, sal e gorduras; e ecológicos); m) Tecnologias diversas que alteram o interface com os clientes, a experiência de compra e os processos dos retalhistas (Apps, Scan and Go, Self checkouts, prateleiras inteligentes, softwares para análise de filas de espera, novos métodos de pagamento, a “big data” facilmente operacionalizável; entre outras); n) Passagem duma comunicação e promoções de vendas massificadas para todos os consumidores, para uma comunicação e promoções de vendas cada vez mais personalizadas, em função dos hábitos, preferências e localização dos consumidores.
Em resumo, podemos dizer que hoje em dia os consumidores estão mais informados, conscientes e exigentes com os retalhistas (devido a terem um maior acesso a informação dos vários retalhistas, partilharem informação, e a estarem ligados 24 horas por dia); há um reforço da importância da experiência de compra (que obriga a que as lojas físicas se reformulem para continuarem relevantes e “combaterem” o fenómeno do e-commerce); há uma concorrência crescente (inerente às diversas cadeias internacionais que se instalaram em Portugal); há uma aceleração da digitalização do retalho (com diversas inovações tecnológicas e de processos); e imperativos crescentes de produtividade para garantir que o retalhista continua a ser eficiente (com maior pressão concorrencial, os retalhistas têm vindo a reduzir as suas margens de rentabilidade, o que obriga a que se tornem mais eficientes nas suas operações).

3 - Na pesquisa que realizaram, que novas tendências puderam identificar que vão marcar a distribuição em Portugal?
A distribuição está, e vai continuar a mudar muito nos próximos anos em Portugal e no mundo. Destacamos as inovações em termos de produtos, marketing, canais de distribuição e pontos de venda, bem como nas operações e logística. Ao nível das inovações de produtos, destacamos uma alteração do sortido de produtos dos retalhistas relacionada com o reforço das marcas exclusivas dos distribuidores (em produtos orgânicos e biológicos; produtos relacionados com saúde e bem-estar; menos sal, açúcar e gorduras; produtos sem glúten; produtos com proteínas criadas em laboratório e com proteínas vegetais; produtos proporcionadores de beleza para pele e cabelos), e processos de fabrico avançados (que permitem a redução dos timings de produção, e a oferta de produtos personalizados, nomeadamente nos setores da moda, vestuário e calçado).
Ao nível do marketing, canais de distribuição e pontos de venda, as lojas do futuro terão uma abordagem omnicanal (podendo ser mesmo vistas como centros de distribuição das encomendas online) e a serem mais tecnológicas do que hoje em dia (com robots, chatbots, assistentes virtuais, mecanismos de realidade virtual e aumentada, utilização de QR Codes em larga escala, utilização de tecnologia e algoritmos para minimizar os tempos em filas de espera, alterações nos meios de pagamento aceites, checkouts automáticos; utilização de marketing de proximidade com ofertas em tempo real para os clientes baseadas na sua localização e históricos de consumo – mesmo dentro dos pontos de venda físicos); pontos de venda físicos alternativos (nomeadamente com lojas virtuais em zonas de elevado tráfego como estações de metro, paragens de autocarro e mesmo hospitais); e uma maior utilização de lojas pop-up como forma de testar novos conceitos de negócio. Existirão ainda assistentes virtuais em casa (como hoje já temos o Alexa da Amazon), que permitirão que façamos as compras por voz, sem sairmos de casa. Ao nível das operações e logística, perspetivamos uma maior utilização da tecnologia RFID, a entrega de encomendas de forma autónoma associada ao e-commerce, a robotização dos centros de distribuição e armazéns dos pontos de venda, a utilização da blockchain na cadeia de abastecimento, a existência de embalagens otimizadas para e-commerce, e as embalagens conectadas através da Internet of Things, entre outras inovações. Ao nível dos custos, no modelo de negócio do retalho no futuro, perspetivamos um aumento nos custos dos sistemas de informação e comunicação (inerentes às novas tecnologias e “big data”), na distribuição dos produtos (associados ao fenómeno da “última milha do retalho” e ao aumento do e-commerce), e ao nível e stocks (na medida em que os produtos originários de economias emergentes vão ficar mais caros, devido ao aumento dos custos laborais nessas economias). Perspetivamos ainda um decréscimo nos custos relacionados com o marketing e comunicação (que passará duma abordagem massificada, para uma abordagem personalizada, low-cost e predominantemente digital); e com a propriedade dos pontos de venda físicos (inerentes à otimização do parque de lojas e reformulação inerente ao retalho omnicanal). Perspetivamos ainda uma alteração nos custos com os colaboradores, com um decréscimo no número de colaboradores dos pontos de venda físicos, e um aumento de colaboradores “especialistas” que apoiam as operações dos pontos de venda, como analistas de dados e especialistas em sistemas de informação. O setor da distribuição é assim marcado por um sistema de inovação aberto, podendo as inovações serem replicadas pelos diversos retalhistas num curto espaço de tempo. Os fenómenos de monitorização e benchmarking permanente, a imitação e adaptação das diversas propostas de valor dos retalhistas será assim disseminada facilmente pelos vários retalhistas ao longo do tempo. No mercado português, em específico, teremos a instalação do líder de mercado do retalho alimentar em Espanha, a Mercadona. Veremos como a estratégia “every day low price” será aceite em Portugal, e como é que os concorrentes já instalados irão reagir a este concorrente. Em jeito de conclusão, diríamos que as alterações no retalho passam pelos consumidores (e respetivas preferências, tendências sociais e económicas); pelos concorrentes (através da monitorização e benchmarking permanente associada a um setor de “inovação aberta”); proposta de valor (com estratégias de pricing, sortido de produtos, serviço ao cliente, balanceamento de formatos e conceitos de loja e procura de eficiência nas operações e logística dos diversos operadores), e uma predisposição para a mudança permanente dos retalhistas (para adaptarem a proposta de valor que apresentam aos seus clientes, e efetuarem as alterações necessárias nos processos e tecnologias que a suportam).
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Joaquim Monteiro Pratas/Pedro Quelhas Brito
Distribuição-Gestão de Pontos de Venda e de Retalho
Actual Editora  32,90€

José António Rodrigues Pereira | Homens do Mar

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Homens do Mar»?
R- Depois da publicação de Grandes Batalhas Navais Portuguesas (2009/2013) e Grandes Naufrágios Portugueses (2013), a Esfera dos Livros desafiou-me a escrever sobre personalidades, Homens do Mar numa perspectiva alargada. 

2-O seu livro conta a história de 50 homens do mar desde o tempo de D. Afonso Henriques até à 1ª Grande Guerra Mundial: temos mesmo sido um país de marinheiros?
R- Dos 50 biografados há seis que se distinguiram depois do final da Grande Guerra (1914-1918), homens que viveram já na segunda metade do Século XX. Fomos efectivamente um país de marinheiros apesar de, a partir dos meados do Século XIX, termos deixado de ser uma potência marítima tornando-nos apenas num povo marítimo.

3-Ao escrever este livro, qual o homem do mar que se revelou mais surpreendente?
R- Julgo que a figura do Padre António Vieira nesta lista deve surpreender muita gente. Mas ele foi o estratega da Guerra da Restauração (1640-1668), nomeadamente quanto à necessidade do nosso reequipamento em navios (de comércio e de guerra). Também foi ele que planeou a retirada do monarca para o Brasil em caso de desastre militar na Península; depois de várias ameaças no reinados de D. João V e D. José I, esta acção viria a ser levada a cabo, em 1807 pelo Príncipe Regente, face à invasão de Portugal pelos exércitos napoleónicos.
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José António Rodrigues Pereira
Homens do Mar
Esfera dos Livros  23€

André Rodrigues | Números que Contam Histórias

Fotografia: FOTOLOOK
1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Números que Contam Histórias»?
R-O livro é, no fundo, a adaptação de uma parte dos mais de 400 episódios da rubrica “O Mundo em Três Dimensões”, que passa todos os dias na Renascença. O objetivo do programa é ajudar a compreender, em três minutos de rádio, os muitos números que fazem parte do nosso quotidiano. Esta ideia pode assustar à primeira vista, sobretudo aqueles que se acham um «zero à esquerda» em matéria de contas. Mas este não é um livro de matemática. É, essencialmente, um livro com factos e histórias curiosas, uma tentativa de prestar um serviço de cultura geral ao leitor.

2-Os números aparentam quase sempre rigor ou um esforço nesse sentido: mas, por vezes, os números podem mentir?
R-Os números não mentem, porque não merecem discussão. 2 + 2 = 4, ponto final. O problema são as pessoas e as intenções que se escondem atrás de um determinado resultado. Gostamos muito de dizer que as pessoas não são números. E, de facto não são. Mas precisamos dos números para nos organizarmos enquanto sociedade, para perceber quem somos, onde estamos e para onde é que o futuro nos leva. No fundo, precisamos deles para mitigar a nossa complexidade intrínseca de seres humanos. O problema está no risco da manipulação dos números. É aí que a intencionalidade interfere com a objetividade, procurando impor-nos uma determinada leitura dos factos. No limite, pode ser uma leitura enviesada da realidade, desde que sirva determinados objetivos. Sejam eles comerciais ou políticos. Num ano com três eleições, devemos estar particularmente atentos.

3-Dos números que apresenta no livro, qual o mais surpreendente?
R-É difícil identificar um número que seja o mais surpreendente de todos. Na verdade, sempre que me lanço à pesquisa para novos episódios, acabo por ser confrontado com elementos que me surpreendem: atualmente, o planeta tem aproximadamente 8.000 milhões de pessoas à volta do mundo. Todos os dias, em média, 19 milhões de pessoas celebram o seu dia de aniversário. A Rússia tem mais de 17 milhões de quilómetros quadrados, 11 fusos horários, faz fronteira com 14 países, da Noruega à Coreia do Norte. A Espanha tem mais cabeças de gado suíno (50 milhões) do que seres humanos (46,5 milhões). O Presidente da República português recebe um salário bruto inferior ao de qualquer estagiário de um dos gigantes tecnológicos de Silicon Valley, na Califórnia. Um simples par de calças de ganga que usamos diariamente consome 8.000 litros de água, desde o campo de algodão até aos acabamentos na fábrica. A União Europeia custa 0,48€ por dia aos contribuintes portugueses. E a lista de números surpreendentes podia continuar indefinidamente. Afinal, eles estão presentes em tudo.
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André Rodrigues
Números que Contam Histórias
Contraponto  15,50€