Ensaio

Joaquim Vieira | História Libidinosa de Portugal

1-Qual a ideia que esteve na origem deste livro «História Libidinosa de Portugal»?
R-A ideia surgiu-me há quatro anos, quando tive a necessidade de estudar toda a História de Portugal para publicar um outro livro e então me apercebi da influência que o sexo tivera no curso de certos acontecimentos históricos. Escrevi entretanto outros três livros em relação aos quais já tinha assinado contrato, e quando surgiu a oportunidade falei da ideia a um editor de LeYa, que imediatamente me disse que queria levar o projeto para a frente. E assim surgiu este volume.

2-Em que época da história de Portugal, o sexo lhe parece ter influenciado mais o poder e as suas decisões?
R-Creio que na época medieval, quando as questões dinásticas se colocavam com muita acuidade, ao ponto de originarem guerras civis pela disputa do trono. Na raiz da crise nacional de 1383-1385, estiveram também factos de natureza sexual (ou pelo menos foram aproveitados como pretexto para o desencadeamento de ações históricas determinantes), e daí resultou a nascimento da Segunda Dinastia, aquela que, com a expansão marítima, mais contribuiu para modelar o país que é Portugal.

3-Ao longo da sua investigação, que episódios (ou actores) mais o surpreenderam?
R-Eu diria que me surpreendeu sobretudo o comportamento de D. Pedro IV, o monarca que foi fundamental para o estabelecimento de um regime liberal em Portugal e que no entanto revelou um comportamento absolutamente predador no campo sexual. Basta dizer que a quantidade de filhos bastardos que teve foi calculada, consoante os historiadores, entre 17 e 43, e a própria circunstância de esse número ser tão incerto prova a multiplicidade de relações sexuais soltas e ocasionais que foi tendo ao longo da sua curta vida de adulto. Mas poderia mencionar muitos outros atores, como D. Afonso III, D. Dinis, D. João V (e, na verdade, a maioria dos Braganças) ou, já em regime republicano, Manuel Teixeira Gomes e o mistério da sua atração pelos corpos adolescentes. Quanto a episódios, eu destacaria um em particular: a longa história dos “meninos de Palhavã”, filhos bastardos de D. João V.
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Joaquim Vieira
História Libidinosa de Portugal. Sexo e Poder. Da Fundação aos Nossos Dias
Oficina do Livro  18€
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“Eu devo dizer que acho a televisão muito educativa. No momento em que alguém liga a televisão, eu vou à biblioteca e leio um livro.”

Groucho Marx

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