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Joana Amaral Dias | Psicopatas Portugueses

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro "Psicopatas Portugueses"?
R-Enquanto clínica, o profiling e a avaliação psíquica são o meu quotidiano. Entre o meu consultório, as peritagens em tribunal e as minhas crónicas criminais na televisão, a psicologia forense está sempre presente. Sucede que certo dia dei conta que, em Portugal, não havia um único trabalho clínico e de divulgação científica sobre os maiores homicidas portugueses. Ao contrários de outros países, onde crime-rei é a estrela entre documentários e séries (o poder de decidir sobre a vida do outro é um poder divino , naturalmente altamente sedutor) por cá, havia um enorme vazio. Assim, Psicopatas Portugueses conta 13 histórias reais de grandes assassinos portugueses. Todos mataram, pelo menos, 3 pessoas e ilustram praticamente todo o espectro clínico dos homicidas: há sociopatas, narcisistas malignos, psicóticos, assassinos em série, assassinos em onda, assassinos em massa e exterminadores.

2-O que a mais surpreendeu durante a pesquisa dos treze caso relatados?
R-Surpreenderam-me, sobretudo, os casos esquecidos da memória colectiva, os grandes homicidas ocultados pelo tempo e por uma identidade nacional ficcionada que se julga impermeável ao crime violento. Assim, foi com algum espanto que descobri, por exemplo, a história do assassino em massa na Ajuda em Lisboa. Fala-se tanto dos tiroteios em liceus nos EUA ou no Brasil quando, afinal, nos anos 80, tivemos uma caso tão exemplar em Portugal- um jovem adulto armado até aos dentes que dispara sobre 300 pessoas, mata várias e acaba por cometer suicídio no próprio local. Outra história impressionante é a de Luísa de Jesus (oriunda de Coimbra) que matou mais de 30 bebés. Um Anjo da Morte que compara internacionalmente com os piores assassinos custodiantes (homicidas que matam quem têm a seu cargo- enfermeiros, amas, etc). É, realmente, um caso de alto perfil. Já Joe Barbosa foi descrito por Edgar Hoover (que dirigiu o FBI) como o mais perigoso de todos. Era um cão de fila da máfia italiana, um franco atirador sem escrúpulos, uma máquina de matar que arrancava pedaços das suas vítimas à dentada caso fosse necessário. Acabou por denunciar a Cosa Nostra, foi quem inaugurou o programa de testemunhas nos EUA e, no fim, ainda tramou a própria polícia. Era o Bárbaro de Boston ou o Animal Tuga mas ainda é pouco conhecido pelos  portugueses. 

3-Um  país de brandos costumes afinal também tem psicopatas?
Portugal dos brandos costumes foi um mito criado por Salazar e a sua ditadura que queriam, por motivos óbvios, um povo fosse subserviente. Se os portugueses tivessem a crença de que, no coração da sua identidade, estavam os brandos costumes, se interiorizassem essa auto-conceito de docildade, a probalidade de se comportarem como rebanho servil e pacifista seria maior. O povo é sereno, não é? Enfim, todas as ditaduras  (e até muitos regimes democráticos) apostaram na reescrita da história, na releitura do calendário, ao fim e ao cabo, na reinvenção do espaço e do tempo. O Estado Novo salazarento não foi excepção. Contudo, os tempos da Inquisição e a época dos linchamentos na rua de pessoas suspeitas de “jacobinismo" foram sinistros. Depois, só nos séculos XIX e XX contam-se por milhares os mortos em guerras civis e revoluções. Desde o regicídio de 1908, passando a guerra civil de 1919,  até às vésperas do regime ditatorial amordaçar o país esvaiu-se em sangue. Portanto, temos crime violento como qualquer outro país, não somos uma nação de eunucos, anjinhos papudos, fadas, santos, virgens e puros. De resto, num crime particularmente hediondo, o assassinato de mulheres no contexto de violência de doméstica, no qual o homicida habita o coração do círculo de intimidade e confiança da vítima, somos recordistas. Reparem que temos muito mais mulheres assassinadas do que Espanha -que tem quatro vezes mais população- ou até mais do que, proporcionalmente, o Brasil, país com uma taxa de homicídios insana.
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Joana Amaral Dias
Psicopatas Portugueses-13 Histórias Reais de Morte, Perversão e Horror
Oficina do Livro.  17,90€

Gandhi: uma fotobiografia

Gandhi é unanimemente considerado como uma das figuras mais marcantes dado século XX: pelo seu exemplo, pela sua obra, pelos seus princípios e pelos resultados da sua acção no contexto da história da Índia.
A fotobiografia escrita por Pramod Kapoor percorre com detalhe a vida de Gandhi ao longo de cinco fases que culminaram, em 1948, no seu assassínio. Ao longo da viagem ao passado, conhecemos não só a figura do biografado mas também as suas interligações pessoais, sociais, familiares, afectivas, políticas e internacionais. 
Curiosamente, Kapoor confessa que "quando comecei, pouco sabia sobre Gandhi, excepto o que tinha aprendido na escola ou nas histórias contadas pelos membros da minha família que o apoiaram no seu movimento pela liberdade", pelo que "lancei-me ao trabalho há alguns anos, seguindo o meu instinto de editor". E o resultado é muito positivo. 
Finalmente, uma das vantagens desta edição reside no facto de a obra aliar o rigor do texto a um muito cuidado grafismo e recorrendo a inúmeras fotografias (e ilustrações) da época.
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Pramod Kapoor
Gandhi Fotobiografia
Bizâncio  27,50€

Muro de Berlim: 30 anos depois

1989 foi um ano decisivo para a história do nosso tempo. Apenas uns meses antes, os mais cépticos diriam que a queda do muro era impossível. Havia em muitas cabeças uma cristalização história e o muro de Berlim era uma das peças que contribuía para essa realidade que se julgava imutável.
Mas, quase de repente, em poucos meses, o improvável aconteceu. Este livro é um contributo sério para conhecer e compreender esse período em que a história mudou.
O historiador Ricardo Martin de la Guardia escreve um livro com um cunho e um estilo próximos do jornalismo de investigação o que permite uma leitura envolvente e esclarecedora.
Podemos conhecer não só a sequência dos acontecimentos e, ao mesmo tempo, pensar nas suas consequências: as imediatas e as que perduraram no tempo até hoje.
Em 1989 (9 de Novembro), "iniciar-se-ia uma nova era na história de Berlim, da Alemanha, da Europa e do Mundo". Este livro é um excelente ensaio para a sua compreensão e enquadramento.
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Ricardo Martin de la Guardia
A Queda do Muro de Berlim
A Esfera dos Livros  22,90€

Reler um clássico da gestão

Chester I. Barnard pode não ser um autor muito conhecido nos nosso dias mas a reedição de "As Funções do Executivo" pode (e deve) motivar uma redobrada atenção pois não é todos os dias que podemos contactar e considerar um livro ainda actual apesar de ter sido publicado em 1938.
Mas este manual continua a ser reeditado e lido. Em 1968, na edição especial do seu 30º aniversário, Kenneth R. Andrews escreveu no prefácio: "este livro perdura não só porque tem sido influente na literatura sobre organizações que se lhe seguiu, mas sobretudo porque continua a oferecer intenções reconhecidamente importantes". 
E acrescente que a obra de Barnard "ainda é uma autoridade porque a sua sabedoria provém de uma combinação de intelecto e experiência". 
Reler os clássicos faz sentido mesmo na área da gestão em que também tem havido uma grade evolução. Ou sobretudo por isso.
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Chester I. Barnard
As Funções do Executivo
Edições Sílabo

Planeta exterminado

Peter Brannen escreveu um livro ao mesmo tempo preocupante e ameaçador pelo rigor e realismo como descreve os "cinco momentos em que a vida animal foi praticamente destruída em extermínios súbitos à escala planetária".
Não se trata aqui de nenhuma teoria da conspiração sobre o fim do mundo. Antes, um documentado e exaustivo estudo que descreve com base em dados de investigação cuidada as circunstâncias em que essas extinções em massa ocorreram e quais as explicações plausíveis para o sucedido.
Claro que este livro é muito oportuno, sobre tudo por nós estarmos a viver um período tão crítico, designadamente com as crescentes  evidências dos problemas associados às alterações climáticas.
Para os que julgam que tudo está garantido e que tudo se resolverá, vale bem a pena ler, compreender e aprender com o passado.
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Peter Brannen
Os Fins do Mundo
Bizâncio  19,50€

O amigo mais antigo

O cão é, sem sombra de dúvidas, um dos mais antigos amigos do homem. As histórias sobre cães e com cães percorrem a literatura universal sobre múltiplas formas.
Em "O Pequeno Livro dos Cães mais Famosos", Cláudia Cabaço conta-nos a história de alguns cães que se tornaram famosos. E aqui encontramos a Lassie da conhecida série televisiva e Bo, o cão de água português que entrou na Casa Branca e na vida da família Obama.
As histórias dos cães podem passar-se no Japão ou nos Estados Unidos, na antiga União Soviética ou na Alemanha. Em comum, e independentemente da época e das circunstâncias, o que encontramos são relatos de generosidade, de amizade e de um inabalável sentido apoio altruísta e sincero.
Indispensável para quem gosta de cães (pelo menos...).
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Cláudia Cabaço
O Pequeno Livro dos Cães Mais Famosos
Guerra e Paz  13,90€

Questionando a II Grande Guerra: 1000 Respostas

A II Grande Guerra (1939-45) foi, sem dúvida, um período muito difícil e com imensos factos e episódios. Kieran Whitworth construiu um conjunto de questionários sobre as diversas facetas da história.
Trata-se, por isso, de uma obra de referência e que, ao mesmo tempo, nos vai elucidar, de forma simples e desafiante, sobre factos, protagonistas, batalhas e muitos outros factos. Cumpre, neste contexto, uma função de informar, formar e documentar.
Algumas perguntas podem ter respostas surpreendentes porque inesperadas. O livro está organizado em 10 capítulos, cada um com 100 perguntas: desde "Antes do Início da Guerra" (capítulo 1) até "Acções Finais e Consequências" (capítulo 10) e passando por outros tópicos como: a resistência, os pontos de viragem ou os líderes supremos.
Uma aposta completa e esclarecedora com mais de mil respostas.
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Kieran Whitworth
O Grande livro de Perguntas e Respostas da II Guerra Mundial
Matéria-Prima Edições  16€

Baseado numa história verídica...

A II Grande Guerra Mundial foi, certamente, um dos acontecimentos mais importantes do século XX e muito se tem escrito sobre o Holocausto e os imensos dramas que foram vividos naquela época.
Nós Tivemos Sorte não é, felizmente, apenas mais um livro sobre esse período negro da história da humanidade.
Ao longo do livro, vamos conhecendo a vida da família Kurc que, como muitas outras, vai sofrer com os horrores da guerra: a separação, o exílio, a prisão e a morte. É uma obra recheada de muitas histórias vividas pelos diversos familiares de Georgia Hunter. Histórias que cruzam diversas cidades e muitas dificuldades. Contudo, os protagonistas nunca perdem a esperança. Bem pelo contrário, a esperança é o verdadeiro motor para continuar a viagem e chegar a bom porto.
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Georgia Hunter
Nós Tivemos Sorte
Minotauro  20,90€

Clássicos de Harvard

A Actual editora possui um percurso editorial muito consistente na área da gestão tendo editado alguns dos mais importantes manuais e ensaios sobre as diversas facetas do mundo dos negócios.
Mais recentemente, tem vindo a publicar com regularidade livros da conceituada Universidade de Harvard, designadamente em três colecções: "Clássicos Harvard Business Review",  "HBR 10 Artigos Essenciais" e "Inteligência Emocional".
Peter Drucker e Daniel Goleman são dois dos autores mais recentes e em dois pequenos livros (verdadeiros livros de bolso), podemos encontrar importantes textos que merecem ser (re)lidos.
Drucker aborda a teoria do negócio e Goleman escreve sobre resiliência no contexto da "sua" inteligência emocional.
Para estudantes e profissionais, vale a pena ler estas obras que são duas boas oportunidades de pensar as organizações e os comportamento das pessoas.
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Peter Drucker
A Teoria do Negócio
Actual Editora  8,90€

Daniel Goleman
Inteligência Emocional-Resiliência
Actual Editora  11,90€

Jorge Mateus | Urso

1- Qual a ideia que esteve na base da criação deste livro «Urso»?
R- O Paulo Caetano convidou-me para fazer um livro de BD que teria por base um outro livro -“Urso-Pardo em Portugal – Crónica de uma extinção”, que criara com o Miguel Brandão Pimenta.  Uma ideia que achei um pouco bizarra, mas que também me despertou curiosidade. Assim como a ideia que estes dois autores e eu próprio nos tornaríamos personagens deste relato. No fundo a transformação de livro científico num outro com uma linguagem díspar e em que pretendia, igualmente, que tivesse uma identidade própria foi o mote deste trabalho.

2- Como funcionou esta parceria de três autores? 
R- É uma pergunta pertinente, dado que ao trabalhar com duas pessoas as cedências são maiores, o que não é fácil visto que em dada altura se perde algo que se desejaria manter. Eu e o Paulo juntamo-nos para decidir os temas a abordar. De seguida realizei um argumento, os textos e desenhei as páginas. A partir daí começou-se a afinar o livro e esta foi a altura mais tensa, em que , naturalmente, houve divergências quando se acrescentaram algumas páginas ou elementos, se supriram outros ou se alteraram alguns textos. Entretanto houve também, por parte dos outros dois autores, uma revisão científica. Mas creio que correu bem, estamos todos inteiros e penso que satisfeitos com o resultado desta obra.

3- O formato de novela gráfica permitirá alcançar outro tipo de leitores para os sensibilizar para o tema?
R- De certa forma esta resposta também se enquadra na sua primeira pergunta. Uma edição de um livro científico e de uma novela gráfica não tem necessariamente os mesmos leitores, Naturalmente há uma faixa etária mais jovem que lerá preferencialmente a BD. Nesse sentido a ideia de realizar este livro também foi a de chegar a este publico a importância da conservação da natureza.
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Jorge Mateus
Urso 
Bizâncio  12,50€

Ricardo Gil Soeiro | O Enigma Claro da Matéria

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro "O Enigma Claro da Matéria"?
R-O que me animou foi procurar demonstrar em que medida é possível surpreender na poética de W. Szymborska um posicionamento pós-humanista que se plasma no modo multifacetado como as composições poéticas da autora polaca ensaiam e põem em cena uma profunda revisão da cesura antropocêntrica que se instaura entre esfera humana e esfera não-humana. Subjaz ao livro o argumento segundo o qual a sensibilidade pós-humanista da poesia de Szymborska não visa um dogmático aniquilamento da ideia de humanismo. O que os seus poemas nos vêm, afinal de contas, mostrar é quão importante se afigura o subversivo riso nietzschiano, quão necessária é uma celebração dos mundos em contacto e das zonas em contágio, quão urgente é desafiar as cesuras incessantes de que falava Agamben. A reflexão parte essencialmente da leitura pormenorizada das seguintes obras: Paisagem com Grão de Areia (1998), Alguns Gostam de Poesia (2004) e Instante (2006). Trata-se da concretização de um fascínio que me tem acompanhado há já algum tempo. Levou-me algum tempo a materializar o deslumbramento com esta poesia. O interesse é já antigo e manifestou-se igualmente, numa outra esfera e num outro registo, na publicação da obra colectiva O Nada Virado do Avesso (com Teresa Fernandes Swiatkiewicz, editado pela Poética). O título desse volume toma de empréstimo um dos mais sugestivos versos de Szymborka e assume uma inegável ressonância existencial. Poder-se-ia dizer que perspectivar, com Szymborska, “o nada virado do avesso” seria, muito simplesmente, delinear um modo privilegiado de subverter o normal horizonte das expectativas que projectamos sobre o mundo, equacionando no tecido do ser outras possibilidades de existência.

2-Depois do estudo aprofundado da obra, qual o lugar que Wislawa Szymborska merece ocupar na poesia mundial? O que mais o surpreendeu na autora ao longo do processo de escrita do livro?
R- Um lugar cimeiro, naturalmente. Szymborska sempre foi amplamente reconhecida como uma das mais singulares e cativantes vozes da poesia polaca do pós-guerra, mas foi, de facto, por ocasião da atribuição do Prémio Nobel da Literatura em 1996 que a escritora polaca suscitou o unânime aplauso internacional. Terá sido a partir desse momento decisivo que a notoriedade de Szymborska enquanto poetisa maior se terá consolidado de forma irrevogável, configurando actualmente um inegável fenómeno de popularidade a nível mundial. Constata-se em Portugal uma tendência semelhante e faço notar um conjunto assinalável de volumes e antologias da autora polaca: Paisagem com grão de areia (Trad. J. S. Gomes), Lisboa, Relógio D’Água, 1998; W. Szymborska e C. Miłosz, Alguns gostam de poesia (Trad. E. Milewska e S. Neves), Lisboa, Cavalo de Ferro, 2004; Instante (Trad. E. Milewska e S. Neves), Lisboa, Relógio D’Água, 2006; Um passo da arte eterna (Trad. T. F. Swiatkiewicz), Lisboa. Esfera do Caos, 2013 e, mais recentemente, Uma Noite de Insónia. Antologia temática, bestiário poético ecocrítico ilustrado (Trad. T. F. Swiatkiewicz), Lisboa, Manufactura, 2019. Apesar dos traços distintivos do seu timbre poético, a marca universal da sua escrita confere-lhe um cunho intemporal que eleva a sua obra para além do contexto histórico-social da época em que inicialmente brotou. Os seus poemas revelam, de facto um inusitado cuidado formal e uma assinalável depuração de meios, tendo-lhe sido atribuído o epíteto de Mozart da poesia. Uma tal exigência revela-se, de forma sintomática, no título do poema que assinala a sua estreia como poetisa, “Procuro a palavra”, facto que pode ajudar a explicar a escassez da sua produção poética. Na verdade, foi essa escassez que mais me surpreendeu: em 57 anos de escrita, Szymborska publicou apenas cerca de 350 poemas, o que indicaria uma produção média de 6 poemas por ano…

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R- Neste momento estou a preparar a edição da obra Magma, que me ocupou os últimos oito anos. A verdade é que não sei muito bem definir este livro estranho. O próprio título – Magma – aponta para uma mistura inextricável de diferentes matérias discursivas. Desde muito cedo, tive a percepção de que seria algo intersticial, um emaranhado de diferentes géneros: prosa poética, aforismos, ensaio, poesia, ficção… Estou a falar de questões formais, como é óbvio; mas a forma, o esqueleto formal, é apenas a via escolhida para se chegar àquilo que, a meu ver, a literatura guarda de mais essencial: um modo privilegiado de captar o que irrompe da fissura e do assombro. São 5 volumes que, muito em breve, serão publicados pela Abysmo: Tomo I: Tratado das Confidências; Tomo II: Caosmos; Tomo III: O Fulgor Volúvel do Devir; Tomo IV: Breviário Clandestino das Extravagâncias e Tomo V: Súmula das Aporias.
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Ricardo Gil Soeiro
O Enigma Claro da Memória
Abysmo  15€
Ricardo Gil Soeiro na "Novos Livros" | ENTREVISTAS

Maria Joelle | Espiritualidade 4.0

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Espiritualidade 4.0»?
R- A ideia deste “pequeno livro” é divulgar um conceito novo/recente em Portugal.  O ponto de partida foi a tese de doutoramento que fiz na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sobre a Espiritualidade nas organizações. As conversas que fui tendo ao longo deste percurso, sugestões que recebi estão na origem do “Espiritualidade 4.0”. Este livro tem o propósito de divulgar o conceito da espiritualidade em contexto organizacional e empresarial, as suas raízes, uma Métrica de gestão (GSW) e os efeitos nas organizações e na sociedade. Oferece orientação prática a gestores e líderes organizacionais, para a qual têm contribuído vários estudiosos e gestores ao longo do tempo, de diferentes partes do mundo.

2-Do seu ponto de vista, como é que a espiritualidade pode ajudar a gerir melhor e desenvolver as organizações?
R- Para responder a esta questão, começo for referir a página 21 do livro, na qual se pode ler a seguinte citação de Fahri Karakas “ (…) the growing interest in spirituality is evidente in corporations, corporate meeting rooms, and the business world as well. For exemple, a growing number of organizations, including large corporations such as Intel, Coca-Cola, Boeing, and Sears, are reported to have incorporated spirituality in their workplaces, strategies, or cultures (…)”Existe uma clara sintonia entre o mundo académico e empresarial em torno de preocupações que são de cariz global (trabalho infantil, fome, riscos psicossociais, falta de confiança nas entidades governamentais, preocupações com o próprio Planeta Terra…). E, em torno destas preocupações e das preocupações de entidades internacionais, há um apelo para que sejam criadas novas abordagens, novas metodologias que consigam ajudar. E, os negócios, as empresas, os líderes têm o poder de influenciar a sociedade e torná-la mais pacífica. A espiritualidade nas organizações surge como uma abordagem holística, ou seja, uma ferramenta de gestão que atua em diferentes níveis organizacionais, de acordo com os objetivos estratégicos e propósito social, estabelecidos pelos líderes organizacionais. Ou seja, vai de encontro ao conceito “empresa social” divulgado no Deloitte Global Human Capital Trends (2018).

3-Neste domínio da espiritualidade no trabalho, qual é a situação de Portugal: está mais ou menos avançado em relação aos restantes países?
R-Está ainda muito pouco avançado. As nossas organizações e líderes ainda não estabeleceram o diálogo com esta metodologia. Cá é muito novo! O que significa que temos muito a fazer. E, em primeiro lugar, é fundamental o esclarecimento. O “Espiritualidade 4.0” traz consigo este papel, esclarecer, contextualizar e até desmistificar a palavra espiritualidade na Gestão. O mentor da pirâmide das necessidades humanas – Maslow (1970) – referiu a responsabilidade da humanidade, de todos nós, de contribuirmos para a construção deste conceito. E, neste sentido, temos muito a fazer.
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Maria Joelle
Espiritualidade 4.0
Editora RH  13,75€

Itamar Vieira Junior | Torto Arado

1-Como recebeu a atribuição do Prémio Leya 2018 ao seu livro «Torto Arado»?
R- Com surpresa e emoção. O prémio é uma distinção para o mundo lusófono, a de maior valor monetário e com uma grande projeção. Tem sido muito bom acompanhar o maravilhoso trabalho da editora e o apreço dos leitores portugueses, que acompanham com interesse os livros premiados. Eu havia publicado dois livros de contos no Brasil por pequenas editoras, o último teve certa projeção depois de ser finalista do Prêmio Jabuti. Creio que para qualquer autor que pouco conhece as editoras e o mercado editorial, e que viva no Nordeste brasileiro, o que aconteceu comigo foi excepcional, porque agora sou publicado por duas grandes casas editoriais, em Portugal e no Brasil, pelo mérito que o livro teve e que só foi possível porque havia o prémio.

2-Depois de uma antologia de contos («Dias»), surge o romance agora premiado: qual a ideia que esteve na origem deste novo livro?
R- A ideia de escrevê-lo surgiu há muitos anos, justamente quando eu era apresentado aos escritores Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Jorge Amado e João Cabral de Melo Neto. Porém, naquele momento, apesar da vontade de escrevê-lo – e cheguei a escrever 80 páginas – não havia a vivência, a experiência, a minha educação na terra para narrar a história. Eu nasci na cidade e só muito mais tarde fui trabalhar no campo. O primeiro momento foi de choque; os romances e as obras que havia lido sobre o sertão tinham mais de cinquenta anos, mas pouca coisa havia se modificado no campo brasileiro: a estrutura fundiária, a miséria e a violência eram as mesmas. Foi lá que tive contato com os mais pobres, os que não tinham terra e viviam em acampamentos; os pequenos agricultores; os quilombolas e outras populações tradicionais. Foi com eles que me eduquei, aprendi sobre a terra e sobre suas histórias. O romance cresceu em mim novamente e pude contá-lo a partir de uma perspectiva que se aproximasse da vida dessas pessoas.

3-Tendo experimentado o conto e agora o romance, consegue dizer por onde irá a sua escrita no futuro?
R- Depois de “Torto arado” continuei a escrever contos. Tenho projetos para escrever romances. Acho que seguirei no caminho da literatura.
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Itamar Vieira Junior
Torto Arado 
(Prémio Leya 2018)
Leya  15,50€

Carolina Machado/J. Paulo Davim | MBA para Gestores e Engenheiros

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «MBA para Gestores e Engenheiros»?
R- A ideia foi, a partir do contributo de um conjunto de experts das diferentes áreas da Gestão, escreverem um livro que servisse de suporte para todos aqueles que, a desempenharem funções de gestão / direção nos diferentes tipos de organização, pretendem renovar e/ou adquirir novos e mais profundos conhecimentos das principais matérias que recentemente se têm vindo a trabalhar no campo da gestão. Efetivamente, hoje em dia, profissionais / dirigentes dos níveis intermédio e topo, anseiam por obter um MBA o qual, na sua essência, lhes permite alcançar níveis de saber  e competências dotadas de maior atualidade e pertinência no mundo dos negócios. Seguindo a mesma filosofia, ao colocarmos a designação “MBA”, o princípio aqui subjacente foi o de, através de uma leitura “simples” e bastante acessível, todos os potenciais leitores poderem, de algum modo, absorver o que de mais atual, se tem vindo a desenvolver no campo da gestão. Desde a Estratégia, Marketing, Contabilidade e Finanças, passando também pela Gestão de Recursos Humanos, Gestão de Projetos, Governação Empresarial e Sustentabilidade, os diferentes leitores têm, neste livro, a oportunidade de apreenderem o que de melhor e mais atual se faz na construção de organizações cada vez mais competitivas.

2-O que diferencia esta obra dos vários manuais de gestão já disponíveis nas livrarias?
R- A grande diferença deste livro, por comparação aos manuais já existentes, é que a sua leitura permite transportar todos os potenciais interessados para o que de mais próximo de um curso de MBA podemos ter sem que o leitor tenha de despender de grandes investimentos financeiros e de conjugação da sua disponibilidade temporal e profissional. Escritos por diferentes experts, e abordando as mais críticas e relevantes matérias da área da Gestão, cada capítulo pode ser interpretado como uma “unidade curricular”, onde após a análise e discussão das temáticas respetivas, coloca à prova o leitor o qual é desafiado a testar os conhecimentos adquiridos no final de cada capítulo, e desta forma mais eficazmente assimilar a diversidade de conteúdos promotores de níveis de saber e competências cada vez mais elevados, compatíveis com uma maior capacidade crítica.

3-Porque sentiram a necessidade de orientar este manual especificamente para gestores e engenheiros. Se para gestores é compreensível, menos claro é o «para engenheiros»: têm os engenheiros uma abordagem diferente da gestão?
R- Grande parte das nossas organizações têm como gestores engenheiros de formação de base. Engenheiros estes que, ainda que a desenvolverem funções de gestão, muito frequentemente “sentem necessidade” de adquirir conhecimentos específicos da gestão. Não é por acaso que um número muito significativo de pós-graduações e mestrados na área da gestão, de MBAs, entre outros, são largamente frequentados por profissionais com formação de base em engenharia. Neste sentido, e sem qualquer pretensão de substituir aqueles cursos, o lançamento deste livro, de grande acessibilidade e adequabilidade para todo o tipo de leitores, tem como públicos muito direcionados os gestores e engenheiros. Os primeiros, porque procuram atualizar os seus conhecimentos com o que de mais atual e pertinente se tem vindo a desenvolver ao nível da gestão; os segundos, porque pretendem adquirir as especificidades próprias da gestão, as quais se encontram perfeitamente plasmadas na diversidade, pertinência e aplicabilidade das múltiplas temáticas que são trabalhadas ao longo dos diferentes capítulos. De realçar que, quando referimos gestores e engenheiros nos reportamos não só aos profissionais já detentores de graus académicos, como também aqueles que se encontram ainda a adquirir a sua formação – estudantes de gestão e de engenharia – que um dia pretendem vir a ocupar funções de gestão nas organizações, mas também ao cidadão comum que anseia por obter os mais diversos e atuais conhecimentos das diferentes matérias conducentes a organizações dinâmicas e cada vez mais competitivas.
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Carolina Machado/J. Paulo Davim (coord.)
MBA para Gestores e Engenheiros
Edições Sílabo  31,90€

António Covas | A Crítica da Razão Europeia

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «A Crítica da Razão Europeia. Uma Breve História do Futuro»?
R- A ideia na origem do livro é a eleição para o Parlamento Europeu e, sobretudo, o crescimento dos movimentos radicais de índole nacionalista, protecionista e xenófoba. É necessária mais e melhor informação e sobretudo uma informação mais distanciada.

2-A reflexão que fez sobre o futuro da Europa permitiu-lhe chegar a conclusões pessimistas ou optimistas?
R-Não estou muito otimista, mas acredito na resiliência das instituições europeias que têm um mérito indiscutível, a saber, transformam problemas graves em problemas crónicos e estes em problemas resolúveis.

3-Depois de um percurso longo e de um presente com sinais de incerteza, o que faz falta à União Europeia?
R- A política dos pequenos passos e uma grande paciência, saber esperar pelo momento apropriado, mesmo que isso enerve os mais ansiosos, fazem parte da arte da governação europeia.
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António Covas
A Crítica da Razão Europeia. Uma Breve História do Futuro
Edições Sílabo  13,50€

António Ramos Pires | Estatística para a Qualidade

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Estatística para a Qualidade»?
R- A nossa experiência nas áreas da consultoria, auditoria e formação profissional permitiu-nos identificar uma tendência negativa de abandono generalizado do uso das técnicas estatísticas, incluindo as mais simples. Esta situação é paradoxal quando todas as organizações têm acesso mais fácil a mais dados e se advoga a importância dos chamados Big Data e do seu tratamento para melhorar os produtos, serviços e processos. Também é largamente reconhecido que para responder de forma eficaz e segura a envolventes complexas e incertas é necessário elevar os níveis de conhecimento e usar mais técnicas e métodos e mais sofisticados.  Mas, sem conhecer os mais simples e entender os conceitos fundamentais, aquela tarefa surge difícil de conseguir. Assim, a obra foi concebida para colmatar esta lacuna.

2-O que distingue esta sua obra dos outros manuais à venda nas livrarias?
R- Este livro introduz as técnicas e métodos estatísticos mais simples de forma aplicada e próxima das práticas mais necessárias ao controlo e melhoria dos produtos, serviços e processos, através de muitos exemplos resolvidos e explicados.

3-A qualidade numa organização é mensurável de forma segura?
R- A qualidade assume dimensões mais fáceis de medir e/ou avaliar, como são as especificações técnicas e funcionais, e outras mais difíceis, como são as perceções e interações emocionais com os produtos e os prestadores dos serviços. Mas, todas as dimensões são possíveis se medir e/ou avaliar, se se usarem as técnicas adequadas. Se não se objetivar a qualidade, então não se pode controlar, medir e/ou avaliar.
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António Ramos Pires
Estatística para a Qualidade
Sílabo Edições  17,70€

Vergílio Alberto Vieira | EX PO EX

1-O que representa, no contexto da sua obra, o livro "EX PO EX"?
R-Admitindo que cada livro que se escreve é o reflexo (seria excessivo dizer brilho) de uma luz, que o antecede, todo o esforço criador deverá constituir aquela mais-valia, que permite ir além do risco do poeta se tornar apenas reprodutivo, incapaz, portanto, de contribuir para que o estro fundador transforme a projecção em imagem real, e o devir em retórica profunda. Assim sendo, há que fazer de cada livro, não mero capítulo da obra, mas activação de meios (linguagem, estilo, sentido ontológico, atenção crítica) que (e)levem o sujeito ao limite, quando não à fidelidade original, ao desejo de comprometer o que, para Ludwig Wittgenstein, se apresentava como qualidade de valor acrescentado ao processo de escrita, e pensamento.

2-Neste livro, assume uma aposta de carácter muito mais visual (e experimental) da sua poesia: razões para esta nova via de escrita?
R-Decorrido meio século sobre a edição de Na margem do silêncio (1971), livro de estreia, urge aferir se da experiência acumulada (à custa de tantos desaires quanto de desafios) será possível, não tirar proveito (isso seria obsceno, descambaria para a “pornografia da insignificância” tão cara a George Steiner), mas engenho para que o manuseio da lente (da lucidez poética) faça convergir o foco, a intensidade solar sobre a “ferida aberta” - na imagética de René Char - ao ponto de curar pelo fogo. Esta incursão nos domínios da poesia experimental, por um lado, e no campo da visualidade poética, por outro, não pretende, no que me diz respeito, outra coisa que não seja levar o concretismo, que lhes subjaz, a um patamar de complementarização (de enraizamento, de cosmopolitismo) decorrente dessa singularidade qualquer agambeniana que elege, como prova de vida, o arco de que a flecha é alvo ainda antes de o atingir. Arte inaugural, entre nós assinada por arqueiros de primeira escolha como E.M. de Melo e Castro, Ana Hatherly e José Alberto Marques, que insiste em provar ter sido quem, por cá, deu o tiro de partida do que seria a tão meritória, quanto subavaliada, olimpíada experimental da segunda metade do séc. XX.

3-Pensando no futuro: o que anda a escrever por estes dias?
R-Sem esperança de que o futuro se possa lembrar alguma vez de mim – não fosse Lisboa o país do “sem plò nem plu” aquela douta intelligentsia que passa pelo centenário do nascimento de Jorge de Sena como o gato pelas brasas – é chegada a hora de calar. De volta ao poeta de Abandono Vigiado (1960), direi nada, à chocarrice do meio artístico português, reconhecimento que nem sequer me entristece, nem me absolve de ter ajudado a enterrar duas vezes os obreiros da pátria, hoje vandalizada por ícones, continuamente abonados por aduladores de/ao serviço; como uma vez disse Raduán Nassar: despudoradamente “graduados no biscate”. Ah, mas a pergunta, se não me engano, ia noutra direcção, é isso? Para não insistir em chatear o frequentador de “Novos Livros”, e porque, quando de livros se fala, é quase sempre para chatear o indígena, informo o hypocrite lecteur que dei por finda a jornada com um título musiliano ajustado ao cair do pano: Ainda não e no entanto já – daqui em diante, talvez me reste dar como adquirida a lição do cínico, quando reconheceu que a saída era: agradar a uns, ladrar a outros, morder os maus.
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Vergílio Alberto Vieira
EX PO EX
Quarto Crescente

Joana Carido/Cláudia Estanislau | Manual para Alimentar, Treinar e Cuidar do Melhor Cão do Mundo

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Manual para Alimentar, Treinar e Cuidar do Melhor Cão do Mundo»?
R-Joana Carido:  Hoje em dia muitos cães fazem parte das famílias portuguesas, no entanto ao longo dos anos a trabalhar com estes animais tenho-me vindo a aperceber que a maioria das pessoas não compreende nem conhece verdadeiramente o cão que tem em casa. Vejo cada vez mais cães doentes e desequilibrados, mesmo quando os tutores querem fazer o melhor para eles. Este livro pretende ajudar esses mesmos donos a melhorar a qualidade e quantidade de vida do seu cão, na medida em que, por um lado explica como melhorar a alimentação - escolhendo uma ração mais adequada, melhorando-a com pequenos aditivos ou até mesmo optando pela alimentação natural - e por outro passando conceitos de comportamento e treino do cão, fundamentais para uma convivência saudável no dia-a-dia.

2-Uma boa ideia é começar por escolher um animal adequado que, pelas características, não se torne rapidamente um problema e motive tantas vezes o seu abandono. Pela sua experiência, que conselhos daria a quem deseja escolher o melhor cão do mundo para viver?
R-Cláudia Estanislau: O comportamento do cão torna-se um problema quando os tutores não sabem educar ou treinar adequadamente e adaptar esse treino à personalidade do cão que está com eles. Alguns conselhos que daria a quem pensa adotar um cão para a sua família, são: (1) Pense se um cachorro é o ideal. Toda a gente ama cachorros e toda a gente quer um cachorro porque assume que este por ser bebé se vai adaptar melhor à vida com a nova família, mas isto não é verdade. Muitos cães adultos e idosos, adaptam-se perfeitamente às regras e rotinas numa nova família, e não apresentam os desafios que um cachorro apresenta. Educar e treinar um cachorro é desgastante e dá muito trabalho. É extremamente exigente. A maioria das pessoas ao não colocar o tempo e treino suficiente com a vivência de um cachorro acaba por ter um cão adulto com problemas comportamentais. (2) No seguimento, contemplar nos gastos normais, aulas de treino. Os tutores por mais cães que tenham tido durante a vida nunca sabem tanto quanto um bom profissional qualificado. Este último será essencial especialmente se for um cachorro e até que o cão atinja a idade adulta para ajudar no treino e educação do mesmo evitando o aparecimento de problemas comportamentais. (3) Não obtenha um cão baseado apenas no seu aspecto físico. Os cães são todos indivíduos e o aspecto físico do cão não oferece informação sobre o comportamento do mesmo. Conheça o cão, veja o nível de energia do mesmo, se se adapta a si, veja o tamanho se é o que procura, veja o temperamento, se é o que espera. E depois treine bastante porque no treino e na educação reside a chave para uma vida livre de problemas. (4) Peça ajuda a profissionais qualificados assim que o seu cão apresentar um comportamento que considere problemático. Ainda sou contactada por pessoas cujos cães apresentam comportamentos problemáticos anos antes que procurem ajuda. Outra curiosidade é que as pessoas pedem ajuda a estranhos, na internet, ou ao veterinário e acabam por protelar a ajuda profissional necessária, e a tentar durante muito tempo coisas que não só não resultam como podem piorar o comportamento. (5) Passeie com o seu cão fora de casa todos os dias, mesmo que ele tenha um jardim gigante. Todos os cães precisam de passear muito, conhecer o mundo e contactar com a nossa sociedade. Quanto mais isolados, mais problemas os cães irão apresentar. Divirta-se com o seu cão!

3-Já lá vai o tempo em que os cães da casa comiam os restos que sobravam: quais as vantagens de, hoje, haver uma crescente preocupação com as regras de nutrição dos animais?
R-Joana Carido: Tal como nós humanos, o cão também é aquilo que come, também pode ter cancro, diabetes, dislipidémias, hipertensão arterial e obesidade, também pode “viver” com medicação e viagens ao médico constantes. No entanto, sabe-se hoje em dia que a alimentação é o maior input que podemos fazer na saúde dos nossos cães, é algo que depende exclusivamente de nós e que conseguimos controlar totalmente. Através de uma alimentação equilibrada e nutrição adequada ao cão, tendo a sua idade, actividade física e necessidades fisiológicas em conta, conseguimos um cão mais saudável, com uma vida mais longa e com maior qualidade.
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Joana Carido/Cláudia Estanislau
Manual para Alimentar, Treinar e Cuidar do Melhor Cão do Mundo
Publicações D. Quixote  15,50€

José Milhazes | Os Blumthal

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Os Blumthal»?
R- A vida atribulada e trágica dos avós da minha esposa Siiri, que lutaram pelo comunismo e acabaram sendo vítimas desse regime extremista. Depois, alarguei a história às famílias dos avós.

2-De que forma a vida desta família nos pode ajudar a conhecer e compreender a história do século XX?
R- Trata-se de famílias que mostram claramente o que é a vida em regimes totalitários: comunismo e nazismo, num pequeno país entre a URSS e a Alemanha. Um bom exemplo da tragédia que foi o séc. XX.

3-Quais são os aspectos mais importantes que a sua pesquisa evidenciou e que eram desconhecidos ou menos conhecidos?
R- O desconhecido era a história de tantos mártires dos totalitarismo em duas famílias, que, de alguma forma, já são minhas. A reacção dos meus filhos que foi de total apoio à investigação.
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José Milhazes
Os Blumthal
Oficina do Livro  14,90€
José Milhazes na "Novos Livros" | ENTREVISTAS 

Bruno Ferreira Costa | Quo Vadis Europa

1-Qual a ideia que esteve na origem deste seu livro «Quo Vadis Europa. A Encruzilhada Europeia»?
R- A obra nasce por um interesse específico em refletir sobre a construção do projeto europeu e decorre do foco da minha investigação académica na área da Ciência Política e das Relações Internacionais, bem como da cada vez maior influência da União Europeia sobre as políticas nacionais, num caminho elogiado pelos setores mais federalistas e contestado pelos setores mais intergovernamentalistas. Representa, de forma objetiva, uma reflexão pessoal sobre os grandes desafios que a União Europeia enfrenta nos dias de hoje e procura traçar alguns caminhos para a clarificação do projeto comunitário. Num momento em que se verifica um crescimento dos extremismos na Europa e se volta a duvidar sobre as conquistas alcançadas nos últimos 60 anos, senti a necessidade de dar o meu contributo para o debate em torno da Europa que pretendemos continuar a construir. A questão que dá título ao livro encaminha-nos, precisamente, para esse debate, num rasgar entre o romantismo em torno da fundação do projeto comunitário e a análise da realidade burocrática europeia.

2-A reflexão que fez sobre o futuro da Europa permitiu-lhe chegar a conclusões pessimistas ou optimistas?
R- A questão central continua por responder, ou seja, que modelo de União Europeia se pretende construir e quais os passos que têm de ser dados para alcançar esse desiderato. O período que vivemos acarreta um grau de incerteza considerável, pelo que existem sinais mais pessimistas, nomeadamente a paralisação das instituições europeias, o foco dado às negociações europeias em torno de lugares, as diferenças acentuadas ao nível do desenvolvimento e do crescimento ou a existência de um bloco cada vez maior em defesa de uma visão mais "utilitarista" da União, em detrimento de uma visão mais humanista. No entanto, não se pode deixar de reconhecer a Europa e, mais concretamente, a União Europeia como palco de conquistas assinaláveis na defesa dos direitos humanos e no respeito pelo exercício das liberdades individuais. O projeto comunitário está em constante construção, com avanços e recuos, próprios da estrutura das sociedades e resultado das opções políticas dos cidadãos. O medo não pode comandar a construção e a defesa da União Europeia.

3-Depois de um percurso longo e de um presente com sinais de incerteza, o que faz falta à União Europeia?
R- A União Europeia vive um período de incerteza, resultado da ausência de verdadeiras lideranças políticas. Nos últimos 20 anos que líderes políticos europeus conseguiram deixar a sua marca na construção de uma visão mais humanista e solidária? Que decisões foram tomadas e contribuíram para uma maior coesão social e territorial? Ao atual modelo da União Europeia falta, essencialmente, a solidariedade efetiva entre os povos, entre os Estados e o desenvolvimento de uma política que garanta uma maior democraticidade, através da participação dos cidadãos, bem como dos Estados com menor dimensão. O projeto só será verdadeiramente comum se for partilhado por todos os membros.
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Bruno Ferreira Costa
Quo Vadis Europa
Edições Sílabo  13,80€