Dinis Carmo e a memória dos Açores

1-Ilhas Perdidas é sua primeira obra não técnica nem científica: como espera poder olhar para ela daqui a 20 anos?
R-Sim, Ilhas Perdidas não é uma obra de ficção. Bem pelo contrário, é uma obra de não-ficção, baseada inteiramente em factos reais, muitos deles documentados com recurso às notícias dos jornais locais da época. Tendo em conta a minha idade, é altamente provável que, daqui a vinte anos, se olhar para o livro Ilhas Perdidas já nem me recorde de que fui eu quem o escreveu. Aliás, é bem possível que, nessa altura, já nem esteja cá para o confirmar.

2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?
R-Em janeiro de 1977, eu e a minha esposa, oferecemo-nos para exercer medicina nos Açores, num período pós-revolucionário marcado por profundas transformações políticas e sociais — em grande parte desconhecidas das novas gerações. As ilhas revelavam então um subdesenvolvimento estrutural significativo, cuja dimensão se tornou especialmente evidente através do contacto com a presença norte-americana na Base das Lajes, na ilha Terceira. Simultaneamente, tivemos a surpresa de constatar que o hospital regional (onde realizámos o internato) dispunha de alguns clínicos de elevada competência que — talvez por não serem jogadores de futebol — permanecem como “ilustres desconhecidos”, quando bem mereciam ser “conhecidos ilustres”. Este livro nasce, assim, do propósito de preservar essa memória e dar visibilidade a acontecimentos decisivos para a compreensão da região e do país.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?
R-Sem querer e sem saber, fui demasiado prolífico na minha escrita. Mas a verdade é que os episódios descritos não se repetem… Neste momento estou a proceder à revisão dos volumes restantes da trilogia “Ilhas Perdidas”, com vista à sua  publicação,  eventualmente no decurso do ano que agora se inicia.

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Dinis Carmo
Ilhas Perdidas (vol. 1)
Astrolábio Edições  18€

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