João Pedro Mésseder: “Um raio-x poético”

CRÓNICA
| Jaqueline Conte

Um pouco de João, um pouco de José.
Um pouco de Pedro, um pouco de António.
Um pouco de professor-investigador, um muito de poeta.
Um olhar sobre o mundo adulto, um sonhar pelo mundo da infância.
Um pouco de leite, um pouco de vinho.
Esse é o múltiplo João Pedro Mésseder (ou José António Gomes, como diz o registro de nascimento e os documentos acadêmicos que ele firma, sendo professor do ensino superior e investigador na área dos Estudos Literários).
Mésseder é autor de poesia, contos breves e de muitas obras para a infância e juventude. Seu trabalho rendeu-lhe distinção com o Prêmio Literário “Maria Amália Vaz de Carvalho de Poesia”, no ano 2000; com o Prêmio “Bissaya Barreto de Literatura para a Infância”, em 2014; e com a premiação de melhor livro de literatura para a infância produzido em 2016, no “Prêmio Autores 2017”, da Sociedade Portuguesa de Autores. Este com a obra “De umas coisas nascem outras”.
E como de uma de uma coisa nascem outras, suas publicações portuguesas foram traduzidas para o castelhano, o galego, o francês… e textos seus compõem antologias na Argentina, na Áustria, no Brasil, na Colômbia, para além do país natal.
Esse “Elucidário” de formas poéticas curtas, organizado em ordem alfabética, que hoje é motivo do nosso encontro aqui em Coimbra, já nasceu premiado. “Estação dos Líquidos” foi publicado como resultado da trigésima edição do Prêmio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres, neste ano. Trazido à vida material pela Elefante Editores, esses 126 poemas líquidos agora começam a sulcar a terra dos leitores, iniciando seu próprio trajeto.
Neste projeto, Mésseder faz um raio-x poético de palavras, ideias e imagens de alguma forma ligadas ao que é líquido. É como se o poeta se sentasse em frente a uma imagem com uma peneira, invisível e muito fina, e peneirasse cada imagem, cada vocábulo, a alma de cada ideia, para então palavrá-la em uma dança que balança e se funde entre as formas do haiku, do provérbio, do aforismo, da notação de dicionário. Ou, para uma metáfora mais líquida, é como se o poeta decantasse cada tema, até que a impureza resultante fosse, ela mesma, a substância fulcral do poema.
Para resumir, Mésseder nos serve num livro o líquido da síntese poética.
Termino essa breve apresentação com uma das primeiras e com a última entrada desse elucidário. Com “Árvore” e com “Vulcão em erupção”.

Árvore

Vertical lugar
de fusão d ´água, luz e ar
e canto de aves

Vulcão em erupção

Terra acesa,
toda anseio
de ser água

(Texto lido na apresentação do livro na Livraria Lápis de Memórias, em Coimbra: 7.Dez.2021)

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ENTREVISTA | João Pedro Mésseder