Jorge Rodrigues | Família Empresária

1-Qual a ideia que esteve na origem deste livro «Família Empresária: Estrutura, Recursos e Poder»?
R- É muito mais o que não se sabe do que aquilo que se sabe sobre a família empresária, devido á habitual discrição dos membros destas famílias. O conceito de família tem sofrido uma série de transformações e as mudanças continuam a acontecer. E o modo como se define a família afeta significativamente os resultados dos estudos empíricos e a própria formulação das políticas públicas respetivas. O conceito de família com base nas relações de parentesco obtidas através da consanguinidade e do casamento colapsou. A realidade do Séc. XXI mostra um declínio do casamento, um aumento dos divórcios, múltiplos arranjos conjugais e novos laços de parentesco, em combinatórias sempre originais, a caminho do nomadismo conjugal, bem como o recurso a padrões culturais diversificados, complexos e moventes. Portanto, todas estas modificações, em conjunto, irão gerar impactos significativos no tecido empresarial e no bem-estar económico, social e ambiental em todas as Sociedades, os quais urge compreender, por antecipação.

2-De que forma se distingue uma «Família Empresária» de uma «Empresa Familiar»?
R- Por família empresária entenda-se um conjunto de pessoas, com vínculos familiares formais ou informais, entre elas, que promovem a implementação de boas práticas e o desenvolvimento de vantagens competitivas nos negócios de que são proprietários, no pressuposto de estes serem ou virem a ser a fonte de criação de riqueza para todos. Logo, a família empresária será um sistema aberto, intergeracional, com um perímetro de geometria variável, com fluxos de entrada e de saída no sistema, seja por causas naturais (nascimento e morte) seja por razões de ordem social (adoção, casamento, divórcio), gerando combinatórias sempre originais, podendo torná-la potencialmente disfuncional e geradora de conflitos entre os seus membros e/ou entre clãs da mesma. As definições de empresa familiar são múltiplas e heterogéneas, com os critérios mais utilizados para classificar a empresa como familiar a estarem relacionados com a propriedade do negócio, com a tradição e valores familiares – as formas de estar e viver da família –, com o controlo familiar, com a influência da família empresária na gestão e com o controlo da sucessão. Em princípio, a empresa familiar, na sua identidade como empresa, apresenta as mesmas características que qualquer outra empresa; a diferença essencial reside na sua ligação com um grupo familiar que possui uma influência direta no seu governo e na sua gestão.

3-Focando no caso de Portugal, quais as principais conclusões da sua pesquisa?
R- No caso português tudo está por fazer! As maiorias das nossas empresas estão ligadas a famílias; contudo, assemelham-se mais ao posto de trabalho do empreendedor do que propriamente a um negócio estruturado que seja sustentável, só por si. Dito de outro modo, estão longe de virem a contribuir para o surgimento de verdadeiras família empresárias, as quais, segundo o meu ponto de vista, só surgem a partir da segunda geração.
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Jorge Rodrigues
Família Empresária: Estrutura Recursos e Poder
RH Editora  19,50€
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