José Luís Correia: Diário erótico de Gaspar W.

1-“Os Cadernos do Gaspar” é o seu primeiro romance: como espera olhar para ele daqui a 20 anos?

R- O romance foi escrito há pouco mais de dez anos e demorei muito tempo a corrigir, reescrever, procurar uma editora e, portanto, já olho para ele de uma forma diferente do que quando o escrevi. Estou agora a traduzi-lo para francês e a tentação é grande de começar a reescrever partes ou parágrafos inteiros, porque hoje já não os escreveria assim. Sem terem ainda passado 20 anos, já o considero um romance de juventude.

 2-Qual a ideia que esteve na origem deste livro?

R- As histórias deste romance nasceram num blogue que tinha como nome “Os Cadernos do Gaspar”, daí o título. Inicialmente, abri o blogue para me impor a disciplina de escrever todos os dias, não era propriamente a pensar escrever logo um romance. No blogue, eu publicava fotos, reflexões, relatos do meu dia, histórias fictícias esparsas que não tinham obrigatoriamente ligações umas com as outras nem eram todas de cariz erótico. A dado momento, reparei pelos comentários que os leitores deixavam no blogue que estes queriam, exigiam, interação entre certas personagens desses episódios e comecei a perceber que havia ali um caminho a explorar. Foi a partir daí que comecei a estruturar melhor os episódios que ia publicando, repesquei personagens recorrentes e delineei para onde queria levar a história. Defini vários objetivos: eu queria escrever um romance erótico, era um género que queria explorar porque achava, e continuo a achar, que não há muitos exemplos de romances de maior fôlego desse género em Portugal. Depois, queria que a ação se desenrolasse no Luxemburgo, não só, mas também, que é a realidade que eu conheço e porque considero que não existem romances suficientes sobre a emigração portuguesa. E foi assim, escrevi com regularidade diária, ou quase, como se o fizesse num verdadeiro diário, e ao fim de um ano tinha o romance pronto.

3-Pensando no futuro: o que está a escrever neste momento?

R- Estou com vários projetos nos carris ao mesmo tempo. Dado o sucesso deste primeiro romance, pelo menos no Luxemburgo, onde a comunidade portuguesa e lusófona representa um quarto da população do país, fui quase obrigado a trabalhar imediatamente na sua tradução para francês, já que graças aos portugueses o romance também tem tido impacto nos que não lêem português mas ficaram curiosos de ler um romance erótico que decorre no Luxemburgo, que é considerado um país super conservador. Estou também, em simultâneo, a escrever a prequela e a sequela destas aventuras do Gaspar. A trilogia não é algo em que eu tinha pensado inicialmente, mas se há histórias do Gaspar para contar é nesta sequência que para mim têm lógica. Não penso ir além disso com esta personagem. Tenho dois outros romances iniciados de teor completamente diferente, um de antecipação, que se poderia inscrever no que os anglo-saxónicos chamam de “hard science-fiction” e outro que é uma saga familiar. Como escrevo igualmente poesia e poesia erótica, estou de momento a ordenar esses meus textos e a prever uma publicação em 2021, em versão bilíngue.
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José Luís Correia
Os Cadernos do Gaspar (Diário Erótico de Alexandre Gaspar W.)
Edições Mahatma  20€

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