José Martinho Gaspar | Vidas por Fios

1-«Vidas Por Fios» é o seu primeiro romance: como espera poder olhar para ele daqui a 20 anos?
R- Daqui a 20 anos espero olhá-lo e referir-me a ele, acima de tudo, com um enorme sorriso nos lábios, porque rir é sempre o melhor remédio e essa capacidade de nos rirmos de nós próprios e da nossa ação é um bom sintoma de sanidade mental. Gostaria de poder vir a rir-me muito do livro se um dos problemas que nele é abordado, que é o da manipulação que caracteriza a vida pública e política, estiver nessa altura desfasado no tempo. Seria também interessante que, daqui a duas décadas, me risse enquanto autor mais maduro que olha a sua obra de escritor principiante com alguma bonomia.

2-Qual foi a ideia que esteve na origem deste livro?
R- Um dia, um familiar chamou-me a atenção para um lado caricatural das votações na Assembleia da República, decorrentes da disciplina de voto dos partidos. Quando há votação, todos os deputados de uma linha política se levantam ou se mantêm sentados e custa-nos a crer que tenham opinião consensual. Isto foi apenas o ponto de partida para caricaturizar e me pôr a pensar sobre a nossa democracia parlamentar, num tempo em que lhe pressinto tantas debilidades. Ainda assim, continuo a não discordar das palavras de Churchill, que afirmava que a democracia é o pior sistema político, à exceção de todos os outros. Para além das debilidades da democracia parlamentar, que contribuiu para que eu tenha começado a escrever esta história, um outro aspeto que quis abordar no livro foi o de um mundo rural em extinção, com as suas práticas tradicionais, que muitos dos mais jovens já não conhecem.

3-Pensando no futuro, o que está a escrever neste momento: mais ficção?
R- Em termos de ficção, continuo a escrever contos, género literário em que já publiquei “Histórias Desencantadas” e “Histórias de Ter de Ser”. Tenho em mente um outro romance, mas, para já, traduz-se apenas em algumas notas e numa tempestade de ideias à espera da bonança. Estou a começar a trabalhar numa obra de divulgação, ao nível da História de Portugal, trabalho que equaciono publicar na Guerra & Paz. Uma das áreas a que me tenho dedicado é a da História Local da região de Abrantes, onde dirijo a revista “Zahara”, há 17 anos, projeto único a nível nacional, que queremos que, mau grado este tempo suspenso, mantenha a sua periodicidade, para a qual tenho pensados alguns pequenos artigos. Para além disso, estou embrenhado numa monografia da freguesia de São Miguel do Rio Torto, concelho de Abrantes, ainda em fase de arranque, e em, coautoria, tenho praticamente concluído um livro sobre 50 anos do Liceu de Abrantes.
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José Martinho Gaspar
Vidas por Fios
Guerra e Paz  15€
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